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Por que faltam medicamentos no Brasil?

Falta De Medicamentos No Brasil
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A falta de planejamento, a escassez de recursos e a política econômica instável afetam desde a compra até a entrega dos produtos

Você sabia que a crise econômica do Brasil é um dos fatores que impactam o fornecimento de medicamentos oncológicos? A falta de planejamento, a escassez de recursos e as incertezas do mercado afetam desde a compra até a entrega desses produtos e isso está relacionado à falta de medicamentos no SUS. Estamos diante de uma questão complexa.

Um dos principais desafios para a Saúde é o planejamento e a gestão. Vamos tomar como exemplo o tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC). A maioria dos pacientes com LMC faz seu tratamento com inibidores de tirosina-quinase, também conhecidos como Imatinibe, Dasatinibe e Nilotinibe. Esses tratamentos estão incorporados no SUS, são fornecidos há muitos anos e podem ser retirados na farmácia de alto custo ou no próprio hospital.

Vamos supor que cada paciente com LMC utilize uma caixa de medicamento por mês. A saúde é um direito e se existem 100 pacientes com LMC, o governo deveria comprar o medicamento para todos. Mas, infelizmente, isso não acontece e diversos pacientes acabam não retirando todo o tratamento necessário para o mês. Por causa de problemas no planejamento, o serviço de saúde acaba não comprando todas as caixas necessárias e divide os comprimidos para que todos possam ter acesso ao medicamento, enquanto a próxima compra ainda não for realizada.

Além disso, a máquina pública é engessada e não permite que hospitais comprem medicamentos para futuros pacientes. Por exemplo, um hospital tem 100 pacientes cadastrados com LMC, mas sabe que, a cada mês, atende 10 novos casos. Sendo assim, eles precisam esperar a próxima compra para incluir os novos pacientes na lista e, só então, comprar o tratamento. Não há uma data prevista para a “próxima” compra. Mas o câncer é uma doença que não pode esperar a burocracia!

O poder público depende de processos burocráticos e nem sempre tem todo dinheiro necessário para comprar os remédios. Isso acontece por vários motivos, desde a alta flutuação do dólar, a necessidade de realocar os recursos da assistência farmacêutica para a compra de outro medicamento, até problemas com a logística do produto.

Porque há falta de medicamentos no SUS

Vamos aos exemplos práticos: você tem R$20,00 e precisa comprar 10 maçãs para passar o mês. Hoje, o supermercado está vendendo cada maçã por R$2,00. Ótimo, dessa forma, você consegue comprar as 20 maçãs. No mês seguinte, você continua com os mesmos R$20,00 para comprar 10 maçãs, mas desta vez, o mercado aumentou o preço da maçã para R$4,00. Neste mês, você só consegue comprar 5 maçãs. Para reduzir os danos, você precisa cortar as maçãs na metade para que durem até o final do mês.

Pessoa Comprando Remédio

A aquisição de medicamentos enfrenta um problema parecido. Os recursos repassados para a saúde não acompanham a alta dos preços de medicamentos oncológicos. E esse é um dos grandes problemas econômicos da Saúde. O aumento do valor dos remédios tem várias causas e não há como apontar uma única como responsável. Entre as principais barreiras, podemos citar a falta de matéria-prima para a fabricação do produto e a alta do dólar para a importação do medicamento ou de insumos para a sua produção.

Desde que a pandemia começou, todos os países enfrentam alguma falta de produtos para a Saúde. O aumento da procura por algum medicamento significa aumento da demanda. Dessa forma, quem compra é aquele que possui mais recursos e pode pagar o valor. Atualmente, o Brasil enfrenta a alta do dólar. Com a desvalorização do Real (R$), fica cada vez mais difícil comprar medicamentos importados.

Especialistas da Fiocruz explicam que o Brasil não possui uma base produtiva forte para insumos farmacêuticos, o que limita a autonomia do país, afetando a capacidade de ofertar os tratamentos de forma igualitária. Então, o SUS fica vulnerável ao mercado de produtos internacionais, correndo o risco de ficar desabastecido de produtos essenciais, além de se tornar refém de preços em dólar, praticados fora do país.

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O que fazer para resolver o problema de falta de medicamentos?

Já que a Saúde não faz uma boa gestão do dinheiro para comprar os medicamentos, os preços aumentam e os pacientes oncológicos são impactados. A curto prazo, ainda estamos dependentes das importações, mas para escapar desse problema e sair da crise, o Brasil precisa investir na produção nacional e na valorização de sua moeda. Uma vez que o produto seja fabricado no país, os custos e as negociações se tornarão mais favoráveis.

Pessoas Reclamando Pela Falta De Medicamentos

Se você é paciente oncológico e está enfrentando dificuldades no acesso ao seu tratamento, entre em contato com a Abrale pelo e-mail [email protected]; site https://www.abrale.org.br/fale-conosco/ ou telefones (11) 3149-5190/ 0800-773-9973.

Escrito por Tiago Cepas Lobo

Especialista em Advocacy do Paciente


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Revista Abrale

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