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Inibidores de tirosina-quinase fizeram história na Oncologia

Pilulas De Inibidores De Tirosina-quinase
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Por conta do mecanismo de ação desses medicamentos, os tratamentos de diversos tipos de cânceres foram beneficiados e os pacientes podem ter melhor qualidade de vida

Escrito por:

Natália Mancini

Os inibidores de tirosina-quinase (ITQ ou, em inglês, TKI) são medicamentos de uso oral que têm como função bloquear as atividades das enzimas tirosina-quinase. Esse tipo de tratamento tem sido bastante usado para tratar diversos tipos de cânceres, mas revolucionou principalmente o tratamento de leucemia mieloide crônica (LMC), com a chegada do imatinibe. Por atuar especificamente nessas enzimas, essas drogas, geralmente, causam menos efeitos colaterais e permitem que o paciente tenha uma boa qualidade de vida e viva por muitos anos.

O Dr. Jacques Tabacof, onco-hematologista do Grupo Oncoclínicas, conta que, atualmente, os  inibidores de tirosina-quinase servem como ferramentas fundamentais para o tratamento oncológico. Sendo que a primeira droga que fez um grande sucesso, por trazer resultados muito positivos, foi o imatinibe para a LMC

Além disso, hoje em dia, a “Onco-Hematologia também conta com os inibidores da tirosina-quinase bruton, ibrutinibe e acalabrutinibe. Fora o venetoclax, inibidor de BCL2 para tratamento de leucemia linfoide crônica (LLC) e leucemia mieloide aguda (LMA)”, pontua o médico.

Já para os tumores sólidos, ele diz que também há diversos ITKs de uso rotineiro. Por exemplo, para o câncer de pulmão, há inibidores EGFR, ALK e outros. E no caso do câncer de rim e fígado, há inibidores que bloqueiam o receptor de tirosina-quinase VEGFR, dentre outros receptores.

Como atuam os inibidores de tirosina-quinase?

O mecanismo de ação desses medicamentos funciona justamente inibindo (bloqueando) a enzima tirosina-quinase. Ou seja, na superfície da célula acontecem uma série de sinalizações, que são responsáveis pela transformação das células neoplásicas, e o ITKs agem interrompendo essas sinalizações. 

Sinal De Bloquear

“Eles são concebidos para se acoplar e inibir especificamente determinados receptores que estão alterados na célula neoplásica, não interferindo na sinalização das células normais. No tratamento da LMC, por exemplo, o imatinibe bloqueia a tirosina-quinase BCR-ABL, que causa a LMC, controlando de maneira formidável a doença”, o especialista complementa.

Justamente por atuarem de forma específica, os inibidores tendem a causar efeitos colaterais diferentes e menos intensos quando comparados com a quimioterapia tradicional, que por não ter uma ação direcionada, também acaba danificando as células saudáveis.

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Tratamento com os inibidores de tirosina-quinase

De acordo com o Dr. Tabacof, os inibidores de tirosina-quinase são administrados pelo próprio paciente via oral, em sua casa e de forma contínua, já que na maioria das vezes o medicamento é em formato de comprimido. E, paralelamente, é preciso fazer um acompanhamento frequente com o onco-hematologista.

Tratamento Oncológico Com Inibidores De Tirosina-quinase

“O tratamento com inibidores de tirosina-quinase exige acompanhamento cuidadoso com hematologista ou oncologista. Isso acontece porque eles apresentam efeitos colaterais, necessitando uma contínua avaliação de riscos e benefícios”, o médico orienta.

Além da questão das reações adversas, ele explica que as consultas também servem para monitorar a resposta hematológica do paciente. Isso vale especialmente para as pessoas com LMC.

“Para esses casos, durante as consultas de acompanhamento, verificamos a resposta hematológica por meio da melhora progressiva dos índices do hemograma, além da diluição progressiva dos transcritos BCR-ABL, que avalia a resposta molecular mais profunda da doença”, esclarece.

ITKs e tratamento da LMC

O médico reforça que esses medicamentos revolucionaram completamente o tratamento e curso da LMC e salienta que, por conta disso, hoje, os pacientes podem esperar uma vida praticamente normal em termos de qualidade e longevidade. 

No Brasil, essas pessoas contam com 5 inibidores de tirosina quinase autorizados e disponíveis para o tratamento: imatinibe, nilotinibe, dasatinibe, bosutinibe e ponatinibe

Homem Jovem Tomando Remédio

O mais comum é que o tratamento seja iniciado com o imatinibe por ele ser o mais conhecido e que está há mais tempo no mercado. Por esse motivo, ele é chamado de “tratamento de primeira linha”. Caso o paciente não apresente os resultados esperados ou apresente intolerâncias significativas a esse primeiro medicamento, é indicado algum dos medicamentos de segunda geração, sendo eles: nilotinibe, dasatinibe e o bosutinibe.

Por último, considerado como tratamento de terceira geração está o ponatinibe.

“Ele é um inibidor de tirosina-quinase de terceira geração, que funciona também na mutação T315I”, o Dr. Tabacof informa.

Dentre os principais efeitos colaterais que cada um desses medicamentos podem causar, o médico destaca:

  • Imatinibe: pode causar retenção hídrica (edema)
  • Nilotinibe: pode causar problemas hepáticos e alterações de eletrocardiograma
  • Dasatinibe: pode causar derrame pleural ou pericárdico
  • Bosutinibe: pode causar retenção hídrica (edema) e
  • Ponatinibe: pode causar trombose e problemas cardíacos

Entretanto, o Dr. Jacques Tabacof afirma que “com o acompanhamento cuidadoso pela equipe médica e multiprofissional, o uso de todos eles é muito seguro. ”

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ITKs em falta

Durante o ano de 2021, os pacientes de LMC brasileiros, que utilizam o dasatinibe, enfrentaram problemas no fornecimento desse medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A falta do dasatinibe na versão de 20 mg teve início no segundo trimestre do ano e se estendeu até, pelo menos, novembro. Já no terceiro trimestre, além de não acontecer a distribuição da versão de 20 mg, a distribuição do remédio de 100 mg foi feita com pendências.

Mulher Perguntando Sobre Remédios

O Ministério da Saúde divulgou uma nota em 8 de setembro afirmando que  iniciou ‘o processo de aquisição com a antecedência devida’, mas que ‘não foi possível concluir tempestivamente” por “situações alheias e supervenientes”. 

Ainda de acordo com o Ministério, uma nova compra foi feita em 23 de agosto e a previsão de entrega do dasatinibe seria para o final de setembro. Entretanto, a Abrale continua recebendo reclamações sobre a falta do medicamento em diversos locais do país mesmo após essa data.

Caso você esteja com dificuldade de retirar o seu inibidor de tirosina-quinase, entre em contato com o Apoio ao Paciente da Abrale pelos telefones 11 3149-5190 ou 0800-773-9973.


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Natália Mancini

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