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Linfoma de Burkitt: o que é, sintomas e tratamentos

Criança Internada No Hospital Fazendo Tratamento Para Linfoma De Burkitt
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Esse câncer do sistema linfático atinge, principalmente, crianças e jovens. Apesar de ser considerado agressivo, costuma apresentar boas taxas de cura

Escrito por:

Natália Mancini

O linfoma de Burkitt é um subtipo de linfoma não-Hodgkin que pode aparecer em pessoas de qualquer idade, porém com maior predominância na faixa etária de 0 a 19 anos. Essa doença representa cerca de 5% dos cânceres nessa população, ocupando o 3º lugar das neoplasias malignas mais comuns na infância e adolescência. O tratamento, geralmente, é feito com quimioterapia e apresenta boas respostas, representando uma chance de cura de até 90% quando o câncer é diagnosticado nos estágios iniciais. 

A Drª. Ana Paula Kuczynski, oncologista do Hospital Pequeno Príncipe, explica que o motivo para o linfoma de Burkitt ser mais predominante em crianças e adolescentes é devido à imaturidade do sistema imunológico. Ou seja, por ele ainda estar em desenvolvimento, há uma maior chance de uma mutação genética acontecer. Podendo causar, dessa forma, o aparecimento de células anormais e com proliferação descontrolada, originando esse tipo de linfoma não-Hodgkin (LNH).

A oncologista conta que esse linfoma é considerado agressivo devido ao crescimento rápido da doença. Isso acontece porque “existe um índice mitótico muito alto nas células tumorais. Isto é, elas têm uma capacidade de divisão celular muito acelerada. ” 

Além disso, esse câncer tem uma capacidade alta e rápida de destruir outras células, podendo ocasionar uma sobrecarga renal e alguns pacientes podem necessitar, inclusive, de hemodiálise.

“Por outro lado, apesar desta evolução muito rápida da doença, a resposta ao tratamento é também muito rápida, com ótimas chances de cura”, a doutora complementa.

O que causa o linfoma de Burkitt?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divide essa doença em três tipos: endêmico, esporádico e associado à imunodeficiência. De acordo com a médica, a diferença entre o endêmico e o esporádico é a maior ou menor presença do DNA do Vírus Epstein-Barr (EVB).

Vírus Epstein-Barr Em Um Fundo Vermelho

“O endêmico tem sido descrito em países em desenvolvimento com 50 a 100% contendo DNA-EBV. Sendo mais prevalente na África, Turquia e no Amazonas e são mais frequentemente associados a massas mandibulares. Em países desenvolvidos, a associação com o EBV é muito menor (10 a 20%). O linfoma Burkitt esporádico tem como principais manifestações clínicas, massas abdominais”,  ela diz. 

Já o linfoma associado às imunodeficiências, normalmente, acontece em pessoas cuja imunidade está comprometida. Por exemplo,  portadores do vírus HIV, pessoas que fazem uso de drogas imunossupressoras. Além de também estar relacionado a síndromes congênitas, como a de Wiskott-Aldrich, a ataxia-telangiectásica e síndrome de Bloom.

Ainda não se sabe exatamente o que acontece para que o linfoma de Burkitt se desenvolva, entretanto sabe-se que há alguns fatores risco, relacionados à classificação da OMS citada acima, como:

  • EVB, HIV e HTLV 
  • Medicamentos imunossupressores, principalmente utilizados após transplantes, radioterapia 
  • Doenças congênitas associadas a imunodeficiências
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Sintomas do linfoma de Burkitt

  • Aparecimento de linfonodos aumentados (“caroços”) pelo corpo
  • Dor no abdome
  • Obstipação ou diarréia 
  • Perda de apetite
  • Náusea

A Drª. Ana Paula ainda conta que “outra forma de apresentação, mais comum na forma endêmica, é o aumento de volume da mandíbula, podendo causar dor local. Também manifesta-se como aumento de volume da região orbitária, causando dor e protrusão ocular. ”

Como é feito o diagnóstico

Para identificar o linfoma, é  feita uma avaliação física detalhada do paciente, bem como análise de seu histórico médico. Em seguida, o especialista solicita a realização de exames laboratoriais, como o hemograma, exames de imagens, por exemplo tomografias e/ou ressonâncias magnéticas, e análises do líquor e medula óssea.

Médico Realizando Procedimentos Para O Diagnóstico Do Linfoma De Burkitt

Mas, para determinar, com certeza, se é linfoma de Burkitt, é preciso fazer uma biópsia do local acometido. Pode ser retirado um pedacinho dos caroços que aparecem, ou da “massa” que cresce em algumas partes do corpo. Esse material coletado passa por análises histológicas, imunohistoquímicas e citogenéticas que apontam se há a presença da doença. 

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Tratamentos para linfoma de Burkitt

Tradicionalmente, a escolha de método terapêutico para esse linfoma é a quimioterapia. A Drª. Ana Paula informa que faz-se uso do Protocolo Brasileiro, uma combinação de diversas drogas que variam de acordo com o estadiamento da doença. Dentre os possíveis medicamentos, os principais são corticosteróides, Vincristina, Ciclofosfamida, Methotrexato em altas doses e anticorpo anti-CD20.

Ícones Indicando Tratamento De Quimioterapia

Segundo a especialista, a terapia dura de quatro a 10 meses, mas, pode aumentar e ser mais agressiva conforme o estágio. Ou seja, para os estágios I e II, a quimioterapia é mais “branda” e rápida, enquanto que para os estágios III e IV, é mais agressiva e demorada.

Parte importante do protocolo de tratamento para o linfoma de Burkitt é a quimioterapia intratecal. Todos os pacientes são submetidos à ela desde o momento do diagnóstico para prevenir que aconteça a infiltração do SNC (sistema nervoso central).

É de extrema importância estar atento às complicações que podem acontecer tanto por conta da doença em si, quanto por causa da terapia. Por exemplo, insuficiência renal e maior perigo das infecções por conta da baixa imunidade (neutropenia). Mas, a boa notícia é que esses quadros podem ser prevenidos e tratados.

Como um dos possíveis efeitos colaterais da quimioterapia é a infertilidade, pacientes jovens e/ou que ainda desejam ter filhos no futuro, podem se beneficiar de métodos para a preservação da fertilidade.

Em relação à resposta à terapia, a Drª. Ana Paula Kuczynski conta que “as chances de cura são muito muito boas, podendo chegar até 90% nos estágios iniciais. Entretanto, se houver o acometimento da medula óssea e/ou do sistema nervoso central o prognóstico é mais reservado. ”


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Olá. Gratidão pelas informações. Meu filho é autista, tem 9 anos e começou a inchar as gengivas. Fomos em 6 dentistas que batiam martelo para periodontite. Um dentista até fez extração de 6 dentes por estarem com mobilidade. Aí a coisa ficou feia! As gengivas ficaram imensas e meu filho não fechava mais a boca e nem conseguia se alimentar. Até q o sexto dentista avaliou e encaminhou a gente para um hospital universitário. Lá, foi feito a biopsia e depois de 10 dias o resultado foi linfoma de burkitt. Fomos encaminhados para o hospital do câncer. Lá refizeram os exames e concluiu com o mesmo resultado.
Eu já estava em pânico porq o linfoma atungiu também o sistema nervoso central e a medula. Com isso o olho direito ficou imóvel e meu filho gritava com dores terríveis nas costas e cabeça. Nem morfina cortava mais! Foram mais 10 dias para entrar com a quimioterapia. Depois de 4 dias com corticoides, começou a quimioterapia. Parecia uma eternidade!!! Com 5 dias de quimioterapia o inchaço foi diminuindo e o tumor desapareceu das gengivas. Depois de uma semana foi feito mais uma quimioterapia de 3 dias e o tumor sumiu por completo. Depois foi feito a intratecal e o olho voltou a se mover. Agora ele está em pausa para o próximo ciclo. Como o linfoma deu uma infiltrada na medula e Sistema nervoso central, ele ainda não voltou a andar direito. Fica um pouco desorientado e não consegue se equilibrar.
Agradecemos imensamente a equipe médica que acompanhou ele. Porque ele está muito bem e recuperando. Devido ao autismo ele precisou fazer uso de ansiolítico por um período porq ficou muito nervoso e agitado. Agora já parou com o ansiolítico e passa bem.
Depois dessa experiência pude compreender quão necessário um diagnóstico rápido e como muitos dentistas estão despreparados para avaliar um caso como esse. Poderia ter poupado meu filho de tantas dores.

Minha filha também eh TEA e fomos cinco vezes só hospital até que na sexta (ja com 16 dias de febre) a médica desconfiou de algo. No raio x encontrou o intestino todo arrastado para um lado . Na tomo foram encontradas duas neoplasias de 17cm cada. Foi necessário a retirada de ovários trompas e mesovarios, mas amanha iniciamos a quimio. Estou grata por essa médica ter buscado mais a fundo . Que Deus sempre abençoe a cabeça de cada médico pra continuar duvidando e buscando soluções

Hoje tenho 40 anos e em 2013 com 33 anos fui diagnosticada com Linfoma de burkit.
A pouco tempo antes do diagnóstico notei um nodulozinho de centímetros no meu abdome, naquele momento não me preocupei. Nesta fase comecei a sentir muito suor noturno e dores na barriga, azia, e prisão de ventre. Em poucas semanas esse pequeno nódulo aumento muitttttaaasss vezes de tamanho, que eu chegava a ver o volume na minha barriga. Neste momento já me sentia bem mal, quando procurei o Pronto atendimento e fui internada as pressas, passei por muitos exames até o diagnóstico, Linfoma de burkit. Passei por cirurgia de abdome para retirar a massa que já estava medindo 17cm x 8cm.
Após iniciamos a quimioterapia bem agressiva, onde eu recebia as medicações via portacat das 8 as 18hs durante 5 dias no sexto dia fazia a imunoterapia e no 7 dia a injeção intratável, descansava uma semana, e começava o ciclo novamente. Isso foi feito durante 5 meses.
Na primeira semana achei que estava tudo ok, já na segunda começaram os efeitos colaterais, os cabelos se foram, e muitas feridas saíram nas mucosa, não engolia nem água. Achei que morreria. Mas superei!
Foi necessário fazer 3 transfusões de sangue e várias de plaquetas. No último ciclo mesmo com as transfusões minhas plaquetas estavam muito baixas e não estava reagindo, então o médico disse que teríamos que fazer o transplante de medula se não aumentasse.
Mas graças a confiança que tenho em Deus, e a misericórdia que ele teve comigo, as plaquetas aumentaram e esse foi meu último ciclo. Hoje estou curada já se passaram 8 anos e graças a Deus estou bem.

No Brasil muita publicidade e pouca atenção em pós cirúrgico.

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Escrito por:

Natália Mancini

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