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O que causa câncer em crianças?

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Diagnóstico está relacionado a múltiplos fatores, mas não ao estilo de vida

Escrito por: Tatiane Mota

Receber o diagnóstico de um câncer não é fácil. Mas quando ele acontece na infância, o impacto parece ser ainda maior. Diferente dos adultos, em que as neoplasias malignas podem estar relacionadas aos hábitos e estilo de vida, nos pequenos e pequenas acontece o que os médicos chamam de “processo de múltiplos fatores”.

De acordo com a Dra. Mariana Bohns Michalowski, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), o câncer infantil costuma surgir por conta de alterações biológicas que levam uma célula a perder o controle normal de crescimento e divisão.

“Em muitos casos, essas alterações acontecem ao acaso e não poderiam ser previstas ou evitadas. Então, grande parte dos tumores pediátricos surge por alterações genéticas precoces, espontâneas e não previsíveis, muitas vezes ainda durante o desenvolvimento da criança”, explica a médica.

Porém, ela reforça que genético não significa, necessariamente, hereditário.

“É importante esclarecer este ponto, porque muitas alterações genéticas relacionadas ao câncer infantil estão presentes apenas nas células do tumor e não no restante do organismo da criança. Ou seja, são alterações adquiridas pela célula durante o desenvolvimento, não herdadas dos pais”.

Mas o câncer pode passar de pais para os filhos?

Os dados atuais sugerem que aproximadamente entre 3% a 8 % de todas as crianças e adolescentes com câncer têm uma predisposição genética herdada dos pais. É o que diz a Dra. Lilian Maria Cristofani, coordenadora médica da Oncologia Pediátrica do Itaci/Icesp.

“É reconhecida como síndromes de predisposição ao câncer. Crianças portadoras de síndrome de Down, neurofibromatose e imunodeficiências têm maior probabilidade de desenvolver neoplasia. Além disso, exposição materna a pesticidas, alguns hormônios, tabaco, álcool e radiação ionizante durante a gestação podem contribuir para o surgimento de alguns tipos de câncer pediátrico”, comenta Dra. Lilian.

Quais são os fatores de risco para o câncer infantil?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 10% das crianças com câncer tenham uma predisposição relacionada a fatores genéticos. Algumas exposições externas também podem estar associadas ao risco de determinados cânceres.

“Esses casos representam uma fração pequena do total. A exposição à radiação ionizante em doses significativas é um fator de risco reconhecido. Algumas infecções também podem estar relacionadas a certos tipos de câncer, como o vírus Epstein-Barr em alguns linfomas, especialmente em contextos específicos. Há ainda estudos avaliando pesticidas, poluição e outras substâncias químicas, mas as evidências variam conforme o tipo de tumor, a intensidade da exposição e o contexto epidemiológico”, diz a Dra. Mariana.

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Como evitar o câncer infantil?

O câncer infantil não pode ser prevenido e nem identificado por exames de rastreamento, mas pode ser detectado pelos primeiros sinais, o que exige atenção redobrada de familiares e profissionais da atenção básica.

Tudo começa pela conscientização sobre a doença, avaliação clínica, diagnóstico propriamente dito, extensão da disseminação da doença e acesso a tratamento imediato. Quanto mais cedo a constatação, maior a probabilidade de o paciente responder de forma positiva à terapêutica, maior chance de sobrevivência, menos sofrimento, menos complicações e mais qualidade de vida.

“É importante também alertar às famílias, crianças e adolescentes sobre as medidas de prevenção do câncer na vida adulta, estimulando hábitos saudáveis em relação à dieta e exercícios, alertando quanto aos riscos do tabaco, do álcool e da exposição solar descuidada, além da importância de vacinação contra HPV e hepatite B”, destacou a Dra. Lilian.

Atenção aos sinais e sintomas do câncer infantil

Embora os sintomas possam ser inespecíficos e semelhantes aos de doenças comuns da infância, alguns sinais merecem atenção, especialmente quando são persistentes, progressivos ou não melhoram com as medidas habituais.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Palidez
  • Cansaço excessivo
  • Febre persistente sem causa definida
  • Perda de peso
  • Dor óssea ou dor nas pernas que não melhora
  • Manchas roxas ou sangramentos sem explicação
  • Aumento de ínguas
  • Aumento do volume abdominal
  • Dor de cabeça persistente associada a vômitos
  • Alterações na visão, estrabismo ou reflexo branco no olho
  • Alterações neurológicas
  • Caroços ou massas em qualquer parte do corpo

“Sintomas persistentes precisam ser avaliados. Quanto mais cedo a criança chega a um serviço especializado, maiores são as chances de tratamento adequado e de melhores resultados”, frisa Dra. Mariana, presidente da SOBOPE.

Ninguém é culpado!

Muitas famílias chegam ao diagnóstico buscando uma explicação e, frequentemente, carregando culpa. Perguntam se foi algo na gestação, na alimentação, por conta de uma vacina, de uma medicação ou se tem ligação com em alguma decisão tomada no passado.

“É nosso papel explicar, com clareza e acolhimento, que o câncer infantil geralmente não é consequência de uma atitude dos pais ou da criança. Na maioria dos casos, ele resulta de alterações biológicas que ocorreram silenciosamente, espontaneamente e de forma imprevisível. Não há uma ação específica que a família poderia ter tomado para evitar a doença”, esclarece a Dra. Mariana.

O foco deve ser o diagnóstico correto, o tratamento especializado, o suporte integral à criança e à família, e a garantia de acesso ao melhor cuidado possível!

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