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Depois de 5 anos, o paciente realmente se cura do câncer?

Paciente de llc recidivada no médico remissão
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Esse é o tempo considerado pelos médicos. Mas as recidivas ainda podem acontecer

Escrito por: Juliana Matias

Pelas convenções médicas, um paciente só é considerado curado do câncer após cinco anos em remissão da neoplasia. Agora, isso significa que, depois desse tempo, não existe mais chance de recidiva do câncer? Entenda nesta matéria.

Phillip Scheinberg, hematologista, explica que o “marco de cinco anos é mais uma convenção do que uma regra biológica rígida”. O médico observa que a maioria das recidivas de câncer acontecem nos primeiros dois ou três anos após o fim do tratamento.

“Depois disso, o risco [de o câncer voltar] vai diminuindo progressivamente, e após cinco anos ele se torna bem baixo. Por isso, convencionou-se usar esse período como um marco para considerar o paciente potencialmente curado”, conta.

Porém, o hematologista ressalta que, nos casos dos cânceres do sangue crônicos ou de desenvolvimento lento, a recidiva pode acontecer depois de muitos anos. “Isso não é tão incomum e, muitas vezes, a recidiva tem um comportamento mais controlável”, relata.

O que é um câncer do sangue secundário?

Scheinberg comenta que o câncer hematológico secundário é aquele que surge como consequência de um tratamento oncológico anterior. “O exemplo mais clássico é o de um paciente que teve um câncer, como um tumor de mama, por exemplo, e foi tratado com quimioterapia e/ou radioterapia. Anos depois, ele pode desenvolver uma leucemia ou uma síndrome mielodisplásica relacionada a esse tratamento”, exemplifica.

Qual a chance de um segundo câncer do sangue?

Scheinberg entende que, de forma geral, ao longo do tempo, uma pessoa que se curou de um câncer do sangue passa a ter as mesmas chances de desenvolver uma segunda neoplasia do sangue que uma pessoa que nunca adoeceu. Mas, alguns subtipos da doença podem aumentar a chance do surgimento de uma nova neoplasia hematológica, segundo o especialista.

“Certos linfomas podem aumentar discretamente a chance de desenvolver outros tipos de linfoma. Da mesma forma, pacientes com doenças como o mieloma múltiplo podem ter um risco um pouco maior de outros cânceres”, explica. Outro fator que pode aumentar as chances de um câncer secundário é o tipo de tratamento. “Algumas quimioterapias, radioterapias ou até o transplante de medula óssea podem, em casos raros, aumentar o risco de um segundo câncer ao longo dos anos”, afirma.

Predisposições genéticas do paciente ou alterações no sistema imunológico também podem aumentar o risco de câncer. “Existem fatores de risco comportamentais e ambientais, como tabagismo, obesidade, sedentarismo, que continuam presentes mesmo após o tratamento e podem influenciar o risco futuro”, lembra Scheinberg.

Na prática, o hematologista ressalta que “não dá para dar uma resposta única para todos os pacientes”. O risco do câncer retornar deve ser analisado individualmente e deve levar em consideração o tipo de doença, o tratamento realizado e o perfil de risco de cada pessoa.

É possível prevenir um câncer do sangue secundário?

Scheinberg informa que não existe uma forma totalmente garantida de evitar um câncer hematológico secundário, “principalmente quando ele está relacionado a tratamentos prévios que foram necessários para tratar uma doença grave”.

Porém, o hematologista reforça que quando uma quimio ou radioterapia é indicada, o benefício dela supera muito o risco.

Em relação aos outros fatores de risco, Scheinberg recomenda evitar o tabagismo, o sedentarismo e a exposição desnecessária a substâncias tóxicas. Outra maneira de proteção é realizar acompanhamento médico regular para identificar alterações o mais rápido possível.

Depois da remissão, ainda preciso fazer acompanhamento?

Scheinberg frisa que, mesmo que o acompanhamento médico se torne menos frequente, ele não deixa de existir, principalmente para cânceres crônicos. “É fundamental manter o cuidado geral com a saúde, fazer check-ups e não deixar outras condições de lado”, afirma.


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