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Efeitos tardios do tratamento do câncer infantil: como afetam a vida adulta?

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Entenda porque eles geram preocupação

Escrito por: Tatiane Mota

Os efeitos tardios do tratamento do câncer infantil são uma preocupação para médicos, pacientes e familiares. Isso porque, mesmo com a remissão da doença, esses problemas físicos, cognitivos ou emocionais podem surgir meses ou anos após o término do tratamento oncológico e afetar a vida adulta.

Especialistas acompanham estes casos com atenção, pois com as altas taxas de cura do câncer pediátrico, se busca, além da sobrevivência, que essas crianças vivam bem a longo prazo, tornando-se adultos funcionais física e emocionalmente falando.

Quais são os efeitos tardios mais comuns do câncer infantil?

De acordo com a Dra. Gabriela Caus, médica responsável pelo Serviço de Oncologia e Hematologia do Hospital Pequeno Príncipe, os efeitos tardios variam conforme o tipo de tratamento. Os principais são:

  • Baixa estatura, por conta de alterações no crescimento e desenvolvimento
  • Infertilidade
  • Problemas cardiovasculares, como arritmias e insuficiência cardíaca
  • Problemas neurocognitivos, apresentando dificuldades de memória, atenção e aprendizado
  • Alterações no desenvolvimento dos ossos e problemas na coluna
  • Perda auditiva
  • Insuficiência renal
  • Risco aumentado de desenvolver uma segunda neoplasia (um novo tipo de câncer) mais tarde

“Na maioria dos casos, esses efeitos estão relacionados ao tratamento, principalmente à radioterapia e à quimioterapia, e em alguns casos, à cirurgia. Crianças mais novas e crianças que recebem protocolos de tratamento mais intensivos e/ou radioterapia em sistema nervoso central ou região torácica são mais vulneráveis, além da predisposição genética pessoal”, explica a Dra. Gabriela.

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Quanto tempo após o fim do tratamento esses efeitos podem aparecer?

Os efeitos tardios podem surgir em diferentes momentos. Alguns aparecem logo após o término do tratamento, enquanto outros podem levar anos ou até décadas para se manifestar.

“O acompanhamento a longo prazo é fundamental. Ele inclui avaliações periódicas direcionadas ao tipo de tratamento recebido, com foco na detecção precoce de complicações. Esse seguimento costuma envolver uma equipe multiprofissional, incluindo oncologia, endocrinologia, cardiologia, entre outras especialidades”, comenta a médica.

É possível prevenir ou minimizar estes efeitos tardios?

Sim, é possível. A prevenção já começa no planejamento do tratamento, com a utilização de protocolos modernos que reduzem doses e evitam a irradiação sempre que possível.

A utilização de algumas drogas específicas hoje também já disponíveis e os cardioprotetores são um exemplo. Além, é claro, do monitoramento rigoroso durante o tratamento e acompanhamento periódico após o término do tratamento.

“É importante sempre frisar para os pais e cuidadores, durante as consultas, que as crianças e os adolescentes, na maioria das vezes, ficam curadas, mas precisam de cuidados a longo prazo para prevenir e detectar possíveis toxicidades precocemente, para possível intervenção e preservar a qualidade de vida. Incentivar o autocuidado e reforçar a promoção de hábitos saudáveis são essenciais. É um dever de todo oncologista pediátrico”, finaliza a Dra. Gabriela.

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