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Saiba tudo sobre o transplante de medula óssea autólogo

Transplante De Medula Autólogo
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Geralmente, esse tipo de transplante tem menos efeitos colaterais graves, uma vez que as próprias células-tronco do paciente são utilizadas

Escrito por:

Natália Mancini

O transplante de medula óssea autólogo é um procedimento que pode ser utilizado como tratamento para alguns tipos de câncer. Nesse tipo de transplante, as células-tronco do próprio paciente são coletadas e utilizadas para a recuperação após a quimioterapia e/ou radiação. Apesar de ser uma espécie de autotransplante, o indivíduo necessita tomar alguns cuidados, especialmente em relação à prevenção de infecções. 

Também conhecido como TMO autólogo, esse procedimento é, atualmente, mais realizado que o TMO alogênico, no qual são utilizadas as células-tronco de um doador compatível. De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, foram realizados 3.195 transplantes em 2020. Destes, 1.927 foram autólogos e 1.268 alogênicos.

Quando é feito o transplante de medula autólogo?

A Drª. Daniela Ferreira Dias, hematologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que o transplante de medula autólogo pode ser realizado para algumas doenças e a sua indicação está relacionada ao quão ativa o câncer está após o tratamento inicial. 

Médica Fazendo Avaliação Clínica Para Transplante De Medula óssea Autólogo

“Assim, pacientes com doenças que apresentam resposta completa e/ou são quimiossensíveis, certamente terão benefícios com essa terapia. Já os que não apresentam essas respostas, essa modalidade de transplante pode não ter seu efeito desejado”, ela diz.

O transplante de medula óssea autólogo é indicado para:

Linfomas não-Hodgkin

Linfomas de Hodgkin quimiossensíveis

Mieloma múltiplo

Leucemia mieloide aguda (LMA) M3 em segunda resposta molecular completa

– Tumores de células germinativas

– Neuroblastoma 

A médica ainda salienta que em outros casos de LMA, com risco baixo ou intermediário, em resposta completa, a indicação é discutível.

Leia também:

Como funciona o TMO autólogo?

A hematologista conta que, após o paciente passar por uma avaliação e ser confirmado que sua condição clínica e estágio da doença permitem o procedimento, a terapia acontece em três etapas.

1. Mobilização e coleta das células tronco

Tratamento Oncológico Com Transplante De Medula

São administrados medicamentos e quimioterápicos injetáveis para fazer com que as células-tronco saiam de dentro da medula óssea (tutano do osso). O objetivo é fazer com que elas cheguem até o sangue periférico para que seja possível coletá-las por procedimento de aférese. 

“Pode ser feita através da punção das veias do paciente ou, mais comumente, através de um cateter tipo permcath, Hickman ou Shilley, previamente implantado. Em média, podem ser necessárias de uma a três coletas para que a quantidade de células seja suficiente para o transplante”, a Drª. Daniela aponta. 

Caso as células-tronco não circulem suficientemente, pode ser necessário realizar a coleta por punção medular, em um centro cirúrgico. Assim como é feito na doação de medula para o TMO alogênico. 

2. Condicionamento

Nesta etapa, é realizado o preparo da medula óssea, com quimioterapia e/ou radioterapia, para que ela esteja pronta para receber as células coletadas. 

O tempo de duração pode variar de um a sete dias. 

3. Infusão das células-tronco coletadas

“É considerado o dia ‘zero’ do transplante. A infusão é realizada como uma transfusão de sangue por meio de um cateter e o tempo pode variar de acordo com o número de bolsas a serem infundidas”, a doutora esclarece. 

A “pega da medula” acontece entre 10 e 14 dias após a infusão, sendo um pouco mais rápida em comparação com o transplante alogênico.

A Drª. Daniela ressalta que é importante saber que o tempo para “pega da medula” está relacionado a diversos fatores. Por exemplo, ao tipo de doença do paciente, presença de infecções, do tratamento realizado no preparo da medula para o transplante e do número de células-tronco infundidas.

Riscos do transplante de medula autólogo

A especialista detalha quais são os principais riscos do autotransplante na mobilização e coleta são:

  • Dores ósseas pelo uso das medicações injetáveis
  • Sangramento e dor no local do cateter implantado e
  • “Formigamento” no corpo durante o processo de coleta por aférese
Pessoas Se Protegendo Contra Vírus E Infecções

Enquanto que no condicionamento e pós-infusão, é possível que o paciente apresente:

  • Sintomas relacionados à quimioterapia utilizada, como náuseas, vômitos, queda de pelos, diarreia e mucosite
  • Pancitopenia (queda dos glóbulos brancos e vermelhos e das plaquetas)
  • Neutropenia febril (febre com imunidade baixa)
  • Sangramentos e
  • Infecções graves.

Por outro lado, complicações como a doença do enxerto contra hospedeiro (DECH), que podem se desenvolver no paciente que realizou o transplante alogênico, não acontecem no TMO autólogo. Além disso, apesar da ativação da infecção por citomegalovírus poder acontecer nos dois tipos de transplante, também é mais frequente no alogênico, por conta do dos imunossupressores utilizados. 

Infecções graves

A pessoa que realiza o TMO autólogo fica com o seu sistema imune enfraquecido e, por isso, precisa ter uma série de cuidados. 

Por exemplo, “evitar alimentos com potencial de contaminação como os crus e frutas de casca fina; lavagem frequente das mãos, principalmente antes das refeições e antes e após ir ao banheiro; limitar o número e frequência de visitas, bem como evitar contato direto com outras pessoas (beijos e abraços); manter-se ativo, evitando ficar deitado por muito tempo e uso  correto de medicamentos profiláticos”, a especialista orienta.

Leia também:

Imunização pós-transplante de medula óssea autólogo

A médica alerta que o paciente necessita refazer a vacinação pós-transplante de medula óssea, pois durante o tratamento o sistema imunológico é alterado e perde sua memória de defesa.

Vacina

Quais as chances de um transplante de medula autólogo dar certo?

“O sucesso relacionado ao transplante de medula óssea autólogo está relacionado tanto ao tipo de doença e seu momento de atividade no ato da realização, como aos cuidados pré e durante o procedimento. É um tratamento multidisciplinar, dessa forma, a participação do paciente e seu grupo de apoio são essenciais”, a Dra. Daniela Ferreira finaliza. 

Pessoa Pensando E Em Dúvida

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Escrito por:

Natália Mancini

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