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Estou curado do câncer. Posso doar sangue?

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Hematologista explica critérios para ex-pacientes

Escrito por: Tatiane Mota

Junho Vermelho é o mês da doação de sangue e muitas pessoas querem colocar em prática este gesto solidário e de amor ao próximo. Mas será que pacientes já curados do câncer podem fazer parte deste grupo?

Dra. Aline Miranda de Souza, hematologista e superintendente médica do Grupo GSH, explica que atualmente a lei brasileira não permite que pessoas que tenham tido câncer em qualquer momento da vida sejam doadoras de sangue.

“As exceções são apenas para aqueles que tiveram câncer de pele do tipo basocelular e câncer ‘in situ’ do coloco do útero, e que já tenham realizado tratamento para estes tumores”, fala a médica.

Pelos critérios definidos pela legislação que regulamenta o processo de doação de sangue em todo o país, por meio da portaria de consolidação nº 5, publicada pelo Ministério da Saúde em 2017 e ainda vigente, uma pessoa que teve câncer torna-se definitivamente inapta para a doação de sangue. E este é um critério que precisa ser seguido por todos os bancos de sangue e hemocentros.

Quanto tempo após o câncer é possível doar sangue?

De acordo com a Dra. Aline, nos casos em que a doação é permitida, ela deve acontecer posteriormente ao término do tratamento, que se restringe à cirurgia de remoção do tumor.

“Nesses casos, os doadores poderão ser considerados aptos a doar após a conclusão do tratamento e da recuperação completa do procedimento realizado. Como o tempo para cicatrização e recuperação do procedimento cirúrgico dependem do tipo e da extensão da cirurgia, o médico do banco de sangue avaliará individualmente cada doador para garantir que ele já possa voltar a doar”, pontua.

O intervalo entre a cirurgia e a doação costuma ser de poucas semanas, no caso de uma pequena cirurgia realizada com anestesia local, chegando até alguns poucos meses, como no caso de uma cirurgia uterina mais complexa.

Como funciona a doação de sangue?

O processo de doação de sangue é considerado extremamente seguro porque existem protocolos que devem ser seguidos em todos os bancos de sangue.

Para compreender como a segurança dos doadores e pacientes é garantida, é importante entender detalhadamente o trabalho dos profissionais do banco de sangue.

Etapa 1. Entrevista

Cada candidato à doação de sangue é submetido a uma entrevista realizada por um profissional de saúde treinado na qual, em uma conversa direcionada, irá buscar situações da vida e da saúde do doador que possam fazer com que o procedimento de coleta de sangue leve a algum risco.

“Por exemplo, pessoas com doenças cardíacas graves como arritmias ou histórico de infarto podem apresentar complicações em decorrência da retirada do sangue e por isso não podem doar”, detalha a especialista.

É nesta etapa que também é perguntado sobre hábitos de vida do doador e situações recentes, como infecções e viagens, garantindo maior segurança a quem vai receber a transfusão.

Etapa 2. Coleta do sangue

Depois da entrevista, se o doador estiver apto à doação, o sangue é coletado utilizando-se exclusivamente materiais descartáveis e estéreis. Isso garante que não haja risco de contaminação do doador por nenhum tipo de doença.

Etapa 3. Lanchinho pós-doação

Ao término da doação, o doador é encaminhado para fazer um lanche e se hidratar para que o seu organismo se recupere da doação. Essa recuperação inicial acontece entre 10 a 15 minutos após o término da doação, quando então o doador é liberado.

Etapa 4. Segurança do sangue

A bolsa de sangue coletada é encaminhada para armazenamento e uma amostra desse sangue é encaminhada para a realização de diversos exames que identificam doenças que podem ser transmitidas como, por exemplo, HIV, hepatite e sífilis.

Esses exames que são realizados nos bancos de sangue são diferentes dos que são feitos em laboratórios para detecção dessas doenças. No banco de sangue, o objetivo exames é garantir que qualquer possibilidade de contaminação seja detectada.

Informação faz a diferença

Mesmo que o paciente em remissão ou já curado do câncer não possa doar, a ajuda vem de outras formas. Uma delas é compartilhando a importância da doação de sangue, além de desmistificar as informações incorretas que possam ser disseminadas.

“A rede de solidariedade que garante os estoques dos bancos de sangue também pode ser fortalecida por meio de pessoas que divulgam a doação de sangue. E muitas vezes isso acontece por intermédio das suas próprias histórias”, finaliza a Dra. Aline.

Seu sangue pode continuar uma história

A campanha da Abrale e da Abrasta acontece durante todo o mês de junho para orientar e conscientizar a população.

Cada bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas. No entanto, o número de doadores no Brasil está abaixo do recomendado: menos de 2% da população doa sangue regularmente, enquanto o ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), seria ao menos 5%.

Requisitos para doar sangue:

  • Estar em boas condições de saúde;
  •  Ter entre 16 e 69 anos (desde que a primeira doação tenha sido feita até os 60 anos);
  •  Pesar no mínimo 50 kg;
  •  Estar descansado;
  •  Em caso de vacinação contra gripe, aguardar 48h; contra COVID-19, 7 dias; e contra dengue, 4 semanas.

Clique aqui e saiba mais sobre a ação!

 

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