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TMO por etapas: como acontece o transplante de medula óssea?

Etapas Do Transplante De Medula Ossea
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Já encontrou um doador de medula compatível? Entenda qual será o passo-a-passo do procedimento

Escrito por:

Natália Mancini

Entender como acontece o transplante de medula óssea (TMO) alogênico, quais são suas etapas, como elas acontecem e qual o objetivo em cada uma delas é importante para compreender o que esperar de cada momento desse tratamento. 

O TMO é uma opção de terapia para todas as doenças hematológicas malignas, como as leucemias, linfomas, mieloma múltiplo e síndrome mielodisplásica. Mas, nem todos os pacientes com essas doenças são candidatos para realizar esse procedimento. A decisão varia de acordo com algumas questões da doença e da condição da própria pessoa. Outras doenças para as quais o transplante de medula óssea pode ser indicado são:

  • Doenças hematológicas não malignas, como a anemia aplástica grave, talassemia e anemia falciforme.
  • Doenças autoimunes, como esclerose sistêmica, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide e esclerose múltipla.

“Ok. Tenho a indicação para fazer o TMO e já encontrei um doador compatível. E agora?”, é a pergunta que muitos pacientes se fazem. 

Esse é o momento no qual o processo efetivamente começa.

Como acontece o transplante de medula óssea?

Em geral, ele é dividido em cinco fases, que vão desde antes do transplante em si, até o restante da vida do paciente.

Etapas Do Transplante De Medula óssea

As etapas do transplante de medula óssea são:

Nessa fase antecede a infusão das células-tronco e dura, em média, de dois a sete dias.

O Dr. Nelson Hamerschlak, presidente Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO), explica que nesse momento acontece a administração de quimioterapia e/ou radioterapia em altas doses (mieloablativo) ou em doses reduzidas (não-mieloablativo).

Aqui, os principais objetivos são a imunossupressão (eliminação da quantidade de células do sistema imune), para abrir espaço para as células do doador, e a erradicação ou diminuição da doença de base.

O mais comum é o condicionamento ser realizado com o paciente já internado. Isso acontece para que a equipe possa observar e tratar qualquer reação aos medicamentos. 

“No entanto, em condicionamentos mais leves e não mieloablativos alguns centros têm optado em fazer ambulatorialmente”, o Dr. Hamerschlak pontua.

Por conta das terapias utilizadas, é possível que o paciente desenvolva mucosite. Caso isso aconteça, há técnicas e medicamentos analgésicos para amenizar e controlar os sintomas.

Essa etapa consiste na infusão das células-tronco do doador no paciente, isso é feito de forma endovenosa, por meio de um catéter

“Ocorre um fenômeno muito bonito chamado ‘homing’. Isto é, as células se dirigem à medula óssea onde se replicam”, o médico conta. 

Ele complementa dizendo que o procedimento em si raramente é doloroso. Além disso, a pessoa é acompanhada pela equipe médica e de enfermagem para garantir que os sinais vitais estejam bons e tratar eventuais problemas

Há estudos avaliando se a infusão intra-óssea oferece vantagens em relação à endovenosa, mas, por enquanto, os resultados indicam que não.

De acordo com o Dr. Hamerschlak, nos dias seguintes ao transplante, “o paciente recebe soro, antimicrobianos, imunossupressores, transfusões de sangue, quando necessário, e fatores de crescimento de medula óssea. Ele também é acompanhado pela equipe multidisciplinar, com cuidados diários de médicos, enfermeiras, psicólogos, dentistas, nutricionistas e fisioterapêutas. ”

A assistência e supervisão é feita, pois a pessoa pode apresentar alguns efeitos colaterais por conta da quimioterapia do condicionamento. Por exemplo, é possível que aconteçam alterações no fígado e rins e cardiotoxicidade. Mas, o especialista afirma que são quadros relativamente raros de acontecer.

Ele informa que também “podem ocorrer alterações na pele, intestino e fígado relacionadas à chamada ‘doença do enxerto contra o hospedeiro’ (DECH) e infecções. ”

Os cuidados com a higiene nessa etapa são fundamentais, pois a imunidade do paciente está enfraquecida. Dessa forma, há uma maior chance de contrair alguma infecção e desenvolver um quadro mais grave da doença.

“Creio que os cuidados devam ser seguidos até mesmo antes do transplante. Como identificar, por meio de avaliação dentária, potenciais focos de infecção e fazer uma avaliação de unhas para fungos, lesões de pele etc”, o doutor aconselha.

Durante o período do transplante há uma limitação de visitas e é necessário que o acompanhante esteja saudável e devidamente vacinado. Sendo que, atualmente, por conta da COVID-19, os cuidados estão mais rígidos. 

Enquanto o paciente estiver internado, são administrados antimicrobianos profiláticos. Também são realizados exames quase que diariamente para observar o quadro clínico da pessoa e detectar, precocemente, a presença de vírus e fungos.

Como falado anteriormente, um dos objetivos do condicionamento é a imunossupressão. Quando isso acontece, o corpo do paciente fica um período sem conseguir produzir as células sanguíneas.

Dessa forma, a recuperação da medula óssea, chamada de “pega da medula”, ocorre quando o organismo volta a produzir os neutrófilos, um tipo de glóbulo branco.

“Quando estes atingem cifras de mais de 500/mm, por três dias consecutivos, o primeiro destes é considerado o dia da ‘pega’”, o Dr. Hamerschlak esclarece.

Para que isso aconteça, leva, em média, de oito a 30 dias. Após isso, a pessoa estando bem e se recuperando clínica e hematologicamente, pode ir para casa. 

Nessa fase, a imunidade do paciente continua com uma certa deficiência, então os cuidados com a higiene devem ser mantidos mesmo em casa. Tanto em relação à higiene pessoal, quanto do ambiente no qual o paciente está e cuidados com os alimentos

“Costumo dizer que o transplante não acaba quando termina. Complicações tardias do transplante, como infecções principalmente virais e DECH devem ser analisadas periodicamente. Bem como estado nutricional, íons sanguíneos, hidratação etc.”, o médico orienta.

Esse acompanhamento, a princípio, é feito por meio de consultas e exames periódicos. Entretanto, se as condições clínicas mostrarem necessidade ou caso seja necessário administrar alguma medicação endovenosa, o paciente pode ser internado novamente.

Durante os primeiros seis meses, podendo variar para mais ou menos tempo, geralmente, o paciente precisa utilizar antimicrobianos profiláticos, devido ao fato da imunidade ainda estar debilitada. 

A tendência é que, com o tempo, o paciente seja, aos poucos, liberado para retomar as suas atividades normalmente. Além também de ser liberado de tomar as medicações.

Apesar disso, “é desejável que um paciente mesmo depois de estar muito bem mantenha seguimento anual por conta de efeitos tardios dos transplantes”, o Dr. Nelson Hamerschlak indica.

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