skip to Main Content

Saiba tudo sobre o linfoma de células do manto

Análise No Microscópio Do Linfoma De Células Do Manto
Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Esse é um câncer que pode se apresentar com diferentes características, possui diversas possibilidades de tratamento, mas, no geral, atualmente, não é curável

Escrito por:

Natália Mancini

O linfoma de células do manto acontece nas células B e está dentro do grupo do linfoma não-Hodgkin (LNH). Esse câncer pode se apresentar com características variadas, inclusive podendo evoluir com mais velocidade (agressivo) ou mais lentamente (indolente). Justamente devido a essa diversidade, os sintomas podem se manifestar de diferentes maneiras e o tratamento é adaptado para cada caso específico. Apesar de haver um grande leque de opções para a terapia, na maioria dos casos, essa neoplasia não é curável. Por isso, o principal objetivo é aumentar a sobrevida, com qualidade, do paciente.

A incidência do linfoma do manto é de quatro a oito casos a cada um milhão de pessoas, por ano, representando cerca de 6% dos LNH em adultos. Essa doença tem mais chances de acontecer conforme a pessoa envelhece, sendo a idade média do diagnóstico 68 anos. Homens caucasianos são a maioria dos pacientes.

O termo “manto”, presente no nome dessa doença, vem da Geologia e é camada de estrutura do planeta Terra. Isto é, ela fica diretamente abaixo da crosta, sendo a segunda camada mais externa. Portanto, esse linfoma é chamado dessa forma pois acontece na “zona do manto” do linfonodo. 

Características do linfoma de células do manto

A Drª. Kira Bucci, hematologista do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que esse câncer pode se originar em células distintas e ter diferentes mutações genéticas envolvidas no seu desenvolvimento. Por isso, pode se apresentar de variadas formas e características. 

Processo Da Mutação Genética Que Dá Origem Ao Linfoma De Células Do Manto

“Essa doença pode ser dividida em dois principais subtipos que diferem tanto na apresentação clínica, como em suas características moleculares: a forma nodal e uma variante leucêmica. Ambas as formas estão muito associadas com a translocação (11;14) que ‘desregula’ o gene da ciclina D1, acarretando um crescimento descontrolado desses linfócitos”, a médica diz.

Ela complementa dizendo que, caso haja a presença de mais anormalidades genéticas, como translocações envolvendo MYC ou mutações TP53, pode significar uma maior agressividade da doença. 

Dessa forma, é possível classificar o linfoma do manto como indolente ou agressivo. No primeiro caso, a evolução da doença acontece lentamente, porque há uma baixa taxa de proliferação das células. Geralmente, o paciente apresenta poucos sintomas e nem sempre necessita de tratamento medicamentoso.

Já no caso do linfoma agressivo, a evolução é rápida. Devido à alta taxa de proliferação das células, a pessoa manifesta sintomas relevantes e, normalmente, é fundamental realizar tratamento de imediato.     

Leia também:

É possível prevenir esse linfoma?

De acordo com a Drª. Kira, não há fatores de risco comprovados que influenciem no desenvolvimento desse câncer. Mas, alguns estudos já levantaram possíveis associações entre a doença e risco ocupacional, alguns agentes infecciosos (infecção por Borrelia burgdorferi) e histórico familiar.

Sintomas do linfoma do manto 

A hematologista informa que, no momento do diagnóstico, geralmente, os pacientes apresentam:

Mulher Com Um Caroço Embaixo Do Braço

Como ele pode se apresentar em diversos formatos, os sintomas e sua intensidade também costumam ser variados. Entretanto, o linfoma atinge, principalmente, gânglios linfáticos, medula óssea, baço e locais extranodais, por exemplo, trato gastrointestinal e mama. 

Nos casos do linfoma no sistema digestivo, a pessoa também pode manifestar: náusea ou vômito, azia e dor ou inchaço na barriga.

Diagnóstico do linfoma de células do manto

O primeiro passo, descreve a especialista, é fazer uma avaliação física adequada, com uma anamnese e exame físico detalhados. Em seguida, é importante realizar uma coleta de sangue para verificar se é possível detectar o linfoma no hemograma e analisar o perfil metabólico, sorologias, imunoglobulinas séricas e marcadores, como DHL e B2 Microglobulina.

Médico Apontando Para Máquina De Pet Ct

Para confirmar o diagnóstico de linfoma, é essencial fazer a biópsia do gânglio ou do tecido suspeito de acometimento pela doença. Esse material segue para análise histopatológica, imuno-histoquímica ou hibridização fluorescente in situ (FISH) com o objetivo de detectar a translocação (11;14).

No caso de pacientes com alteração na quantidade de células sanguíneas, o médico pode solicitar mielograma e biópsia da medula óssea. Além disso, se houver a suspeita do acometimento do sistema nervoso central ou doença na forma mais agressiva (variante blastóide), pode ser necessária análise do líquor. 

Devido à possibilidade desse câncer aparecer na região do trato gastrointestinal, é plausível que apareça uma polipose intestinal linfomatosa. Por isso, caso haja a desconfiança de que o paciente está com uma lesão gástrica, é solicitada uma endoscopia. Outra situação na qual esse exame pode ser pedido, é se o envolvimento do trato gastrointestinal alterar o tratamento. Por exemplo, mudando o linfoma de estágio I para estágio II.

“Exames de imagem devem ser realizados para estadiamento adequado através de PET CT ou tomografia computadorizada”, pontua a Drª. Kira.

Tratamento linfoma de células do manto 

Há uma grande variedade de terapias para esse câncer, mas, é preciso primeiro separá-lo de acordo com as características de cada doença.

Se o linfoma for indolente, ou seja, a pessoa não apresentar sintomas, ter bom status performance, exames laboratoriais sem alterações e baixa carga tumoral, o paciente pode não fazer uso de tratamento medicamentoso de imediato. 

Paciente Fazendo Quimioterapia Como Tratamento Para Linfoma Do Manto

“Esses pacientes devem ser acompanhados de perto e orientados quanto aos riscos e expectativa de progressão de doença”, orienta a doutora. 

Por outro lado, caso o linfoma seja agressivo, é preciso realizar uma terapia com medicamentos. Conforme conta a especialista, a escolha do tratamento é feita baseada no desempenho do paciente, perfil de toxicidade aceitável e na experiência do médico.

A principal forma é a combinação de quimioterapia e imunoterapia. Protocolos, como o R-CHOP, Bendamustina e Rituximab, R-DHAP, HyperCVAD podem ser considerados de acordo com o perfil do paciente.

Estudos com inibidores BTK (Ibrutinib e Acalabrutinib),  Lenalidomida, Venetoclax e Bortezomib têm demonstrado resultados promissores tanto para o tratamento de primeira linha, quanto para recidiva.

Se o linfoma retornar (recidiva), é preciso considerar qual foi o método utilizado da(s) outra(s) vez(es) para definir a melhor estratégia. 

Indicação de transplante de medula óssea (TMO)

Pacientes que alcançam a primeira remissão (quando a doença não apresenta mais sinais), são jovens e apresentam bom status performance (não têm comorbidades importantes) podem fazer o TMO autólogo como tratamento de consolidação. A Drª. Kira ressalta que o TMO não é curativo, mas quando usado para esses casos, pode melhorar a sobrevida livre de progressão, embora não mude a sobrevida global.

Lupa Aumentando O Interior Do Osso E Indicando A Medula óssea

Ela complementa afirmando que “a indicação de terapia de manutenção (normalmente com Rituximab) deve ser considerada para prevenir recorrência e progressão. ”

Estudos que avaliaram o TMO autólogo em pacientes que não atingiram a remissão completa ou que recidivaram, demonstraram resultados inferiores.

Já os testes que avaliaram o TMO alogênico, quando a medula vem de um doador, com condicionamento mieloablativo é uma abordagem com muita toxicidade. Retirar esse condicionamento para pacientes com linfoma recidivado ou refratário pode trazer melhores resultados e ser menos tóxico. Mas, ainda é preciso realizar mais testes para ser incluído como possível tratamento. 

Leia também:

Linfoma de células do manto tem cura?

“Existem muitos tratamentos disponíveis para tratamento do linfoma do manto e a prática terapêutica varia muito entre diferentes centros. Apesar das diversas opções, a terapia ainda não é curativa. O principal objetivo do tratamento é prolongar a sobrevida livre de progressão e tratamento dos sintomas”, a doutora diz.

Paciente E Profissional Da Saúde Felizes

Atualmente, o único método que potencialmente poderia levar a remissão é o TMO alogênico sem o condicionamento mieloablativo para doenças recidivadas e refratárias. Entretanto, como falado acima, ainda é preciso maior investigação sobre esse método para que ele se torne uma abordagem padrão.

A sobrevida global média dos pacientes com linfoma do manto que são tratados com regime de terapia intensiva é de 8 a 10 anos. Pacientes tratados com terapias menos intensivas podem apresentar sobrevida menor. Mas, cada paciente, dependendo das condições e características do seu linfoma, pode ter uma taxa de resposta diferente. 

“Estudos envolvendo terapia com células Car-T encontram-se em andamento e esperamos resultados positivos para aumentar o arsenal terapêutico dessas pessoas. É sempre importante lembrar que toda escolha terapêutica precisa ser baseada na avaliação individual de cada caso”, a  Drª. Kira Bucci finaliza.


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Receba um aviso sobre comentários nessa notícia
Me avise quando
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Escrito por:

Natália Mancini

Back To Top