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Mieloma múltiplo: o que é, sintomas e tratamentos

Paciente De Mieloma Múltiplo
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Conhecer esse câncer e seus sintomas é uma maneira importante de conseguir diagnosticá-lo precocemente e ter mais chances de sucesso no tratamento

Escrito por:

Natália Mancini

O mieloma múltiplo (MM) é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea e afeta, principalmente, pessoas com mais de 50 anos, mas também pode se desenvolver em jovens. Por não apresentar sintomas específicos, ou seja, que só aparecem nessa doença, é comum que leve um tempo para que o diagnóstico seja fechado. Atualmente, há diversas opções de tratamento, que, geralmente, levam à remissão, mas a tendência é que haja uma recidiva (reaparecimento) da patologia. Por esse motivo, o principal objetivo não é a cura em si, mas o controle dos sintomas e o oferecimento de uma boa qualidade de vida para o paciente. 

O que é mieloma múltiplo?

O MM se desenvolve a partir de um tipo de célula sanguínea, produzida na medula óssea, chamada plasmócitos, responsável pela produção de anticorpos. Esses plasmócitos sofrem mutações e se transformam em células malignas que fabricam grandes quantidades de anticorpos anormais. 

A partir disso, duas situações se desenvolvem ao mesmo tempo.

Ilustração De Uma Lesão De Mieloma Multiplo

Por um lado, esses plasmócitos malignos se acumulam na medula óssea, formando os plasmocitomas (um aglomerado de células doentes que atrapalha o bom funcionamento das células saudáveis). Os plasmocitomas  podem crescer tanto dentro do osso (intramedular), quanto fora dele (extramedular).

Quando os plasmocitomas crescem dentro do osso, prejudicam tanto a produção normal das outras células sanguíneas, como danificam a estrutura óssea ao se expandirem para a parte sólida do osso. Quando existem vários plasmocitomas dentro e fora do osso, chamamos essa condição de mieloma múltiplo. 

Enquanto isso, os plasmócitos anormais também produzem imunoglobulinas (anticorpos) anormais. Essas células, por sua vez, fabricam proteínas anormais, dando origem à proteína monoclonal (proteína M). Apesar de estar presente em algumas outras situações, essa proteína é bastante característica do MM.

Sintomas do mieloma múltiplo:

Em alguns casos, a pessoa pode não apresentar sintomas, isto é, ser assintomática. Entretanto, a Abrale realizou uma pesquisa, em 2021, com 51 pacientes dessa patologia e 74,5% deles afirmou ter apresentado sintomas antes de receber o diagnóstico. Sendo os principais:

  • Dores ósseas (76,3%)
  • Cansaço extrema (42,1%)
  • Fraqueza (36,8%)
  • Fraturas espontâneas (28,9%)
  • Perda de peso (18,4%)

Porém, ainda podem acontecer outros sinais, como anemia; baixa contagem de glóbulos brancos e/ou plaquetas; osteoporose; aumento de creatinina; presença da proteína monoclonal no sangue e níveis elevados de cálcio no sangue.

No caso do Rogério Oliveira, paciente ativista e presidente da ABRAMM, o que o fez procurar um médico foi um formigamento nos pés.

“Tudo aconteceu em meados de 2011, quando eu passei a sentir um formigamento que não passava do meio dos pés para as pontas. Eu achava que era um problema de circulação, [era mês de] agosto, [estava] muito quente, eu trabalho muito tempo sentado, então achava que logo ia passar. Porém, não passava. Às vezes, à noite, eu ainda sentia a perna mais cansada”, conta.

Rogério Oliveira, Paciente Ativista E Presidente Da ABRAMM

Até que ele resolveu procurar uma médica clínica geral, que achou poder se tratar de um problema de coluna, e o encaminhou para fazer uma ressonância. No resultado, apareceram algumas lesões e infiltrações e a doutora decidiu solicitar um estudo mais aprofundado da região da bacia.

“Nós fizemos um outro exame e o laudo apontou também essas lesões e infiltrações. Aí ela falou para mim ‘Rogério eu não sei que lesões são essas, vou te encaminhar logo para um especialista’  e me encaminhou para um neurocirurgião e uma oncologista”, o paciente relembra. 

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Diagnóstico de mieloma múltiplo

No caso de pessoas assintomáticas, geralmente, o exame que indica alguma suspeita da doença é o hemograma. Um exame de imagem também pode indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada, da mesma forma que aconteceu com Rogério. 

Biópsia De Medula óssea Para Diagnostico De Mieloma Múltiplo

Tanto para os casos assintomáticos, quanto para os sintomáticos, a confirmação do diagnóstico se dá por meio da biópsia de medula óssea, eletroforese de proteína e a imunofixação de proteína.

No caso do primeiro exame, faz-se a retirada de um fragmento do osso da bacia. O material é analisado em laboratório a fim de descobrir a quantidade  e características dos plasmócitos presentes. 

Para os testes relacionados à proteína, ambos são feitos por meio da coleta de sangue e urina. O objetivo é identificar se há a presença da proteína M.

Rogério diz que preferiu procurar primeiro uma oncologista para “eliminar as coisas mais desconfortáveis”. Quando a médica olhou os dois exames de imagem, afirmou que havia 90% de chance de ser linfoma, sarcoma ou mieloma múltiplo. Como a especialidade que trata essas patologias é a Onco-Hematologia, a oncologista indicou que ele buscasse um profissional da área. Mas solicitou uma série de análises de imagem e sangue para que ele já tivesse os resultados em mãos no dia da consulta.

“Eu apresentei esses exames para o hematologista e ele disse que tinha 99% de chance de ser MM. Mas, para fechar o diagnóstico precisava fazer uma biópsia de medula. Eu fiz a biópsia e, no dia  21 novembro de 2011, fechamos o diagnóstico de MM. Foi muita sorte, pegamos no início da doença. Meu maior problema no mieloma não era na parte sérica, era na parte óssea, por conta de uma pequena lesão no acetábulo do lado direito”, Rogério relata.

Qual o tratamento para mieloma múltiplo?

O tratamento inclui diversas opções terapêuticas. Sendo que, para aqueles pacientes assintomáticos, é possível que nenhum tratamento medicamentoso seja indicado de imediato. 

Para essas pessoas, é feito um acompanhamento médico de perto e frequente para avaliar quando uma terapia deve ser iniciada. 

Quimioterapia Para Mieloma Múltiplo

Já para aqueles que precisam tratar, os protocolo de tratamento de mieloma múltiplo são:

  • Quimioterapia é o tratamento mais comum. Dentre os principais medicamentos, estão:  ciclofosfamida; cisplatina; doxorrubicina; doxorrubicina lipossomal; etoposide; melfalano e vincristina.
  • Imunomoduladores atuam no sistema imunológico do paciente. As drogas mais utilizadas são: talidomida; lenalidomida e pomalidomida.
  • Inibidores de proteassoma – conseguem atacar com mais precisão as células doentes, impactando menos nas saudáveis. Os principais são: bortezomibe; carfilzomibe e ixazomibe.
  • Imunoterapia –  faz com que o próprio sistema imunológico do paciente reconheça as células doentes e as ataque. As opções são: elotuzumabe; daratumumabe e isatuximabe.

O transplante de medula óssea autólogo também é uma importante opção terapêutica. Entretanto, por conta de questões como idade e comorbidades presentes, nem todos os pacientes podem realizá-lo.

O tratamento de indução (preparo) é iniciado com os inibidores de proteassoma. A droga mais utilizada é o bortezomibe. O mais comum é associá-lo com a lenalidomida ou com a talidomida. Em seguida, acontece o transplante e, se necessário, quimioterapia para consolidação ou manutenção. 

Rogério conta que fez parte do grupo de pacientes que receberam a aprovação para realizar o TMO autólogo. 

“O meu tratamento inicial foi o VTD, que é o bortezomib, talidomida e dexametasona, seguido depois do TMO autólogo em junho de 2012.”

Para definir qual o melhor tratamento para esses pacientes, é realizada uma avaliação geriátrica. Por meio dela, o médico analisará se o paciente está fit, ou seja, qual a sua condição de saúde, podendo variar entre: muito bem, frágil ou se ele está entre os dois quadros.

Aqui, o bortezomibe também pode ser administrado, geralmente, em conjunto com alguma imunoterapia e imunomoduladores. Os principais protocolos aprovados para esses casos são: daratumumab, lenalidomida e dexametasona ou daratumumab, bortezomibe e prednisona.

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Mieloma múltiplo tem cura?

Como falado anteriormente, a cura da doença não é o principal objetivo do tratamento. Isso acontece porque, apesar de uma parte dos pacientes conseguirem alcançar a remissão (quando a doença fica indetectável), ela tende a voltar (recidiva), mesmo que anos depois.

Foi justamente o que aconteceu com o presidente da ABRAMM.

Protocolos De Tratamento Para Mieloma Múltiplo

“Fiquei até dezembro de 2021 com tudo silenciado e, no final do mês, nós descobrimos uma pequena lesão, agora na cabeça do fêmur do lado esquerdo, e diagnosticou uma recidiva”, ele conta.

Porém, a volta da doença, apesar de assustar, não significa que não é possível tratar novamente. Muito pelo contrário. Hoje em dia, há medicações e terapias que possibilitam alcançar novamente a remissão ou ainda controlar o MM para que o paciente tenha uma boa qualidade de vida. 

“Em fevereiro de 2022, nós retomamos a quimioterapia e optamos pelo mesmo protocolo, o VTD. Como eu já usei antes e fiquei muito tempo em remissão, os médicos entenderam que seria oportuno repetir o protocolo. Então, nós reiniciamos, estamos agora na segunda fase do tratamento e farei um possível novo transplante autólogo em junho/julho deste ano. Eles acreditam que a gente consiga alcançar esse mesmo tempo de  remissão ou até mais”, Rogério detalha. 

Por conta da recidiva e da refratariedade (quando não há uma resposta adequada à terapia) serem dois cenários bastante comuns no mieloma múltiplo, os pacientes devem sempre estar atentos e realizar o acompanhamento médico corretamente. 

“Nós conseguimos pegar essa lesão bem no início. O ortopedista falou ‘ela é tão pequenininha que quase não aparece na imagem’. Isso também graças ao acompanhamento feito com o ortopedista. Muitos pacientes não fazem o seguimento com o ortopedista e é importante fazer. Quem me salvou, foi o ortopedista, porque meus exames de sangue estavam ótimos”, aconselha e finaliza Rogério Oliveira.


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Estou fazendo o tratamento de mieloma múltiplo, já fiz radioterapia e vou fazer uma cirurgia no quadril direito.

Escrito por:

Natália Mancini

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