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Proteína monoclonal: o que é e qual relação com o câncer

Proteina Monoclonal Presente
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Ter essa proteína presente pode não significar um câncer. Mas, também pode ajudar a suspeitar, diagnosticar e acompanhar uma série de neoplasias malignas

Escrito por:

Natália Mancini

A proteína monoclonal, também chamada de proteína M, é uma proteína anormal presente no sangue que é produzida devido a mutações que ocorrem nos plasmócitos. Geralmente, aparece quando há um processo inflamatório ou infeccioso acontecendo no corpo. Entretanto, também pode indicar que a pessoa tem uma tendência a ter um câncer ou que ela está com uma neoplasia maligna, como um mieloma múltiplo. Neste último caso, além de auxiliar no diagnóstico, a proteína ainda é utilizada como parâmetro para avaliar a resposta do paciente ao tratamento.

Antes de entender mais sobre esse composto e como ele está relacionado com alguns tipos de câncer, é preciso entender o que são os plasmócitos!

Plasmócitos são células que ficam na medula óssea e são responsáveis por produzir anticorpos/imunoglobulinas. Estes, por sua vez, têm a função de neutralizar agentes invasores, como vírus e bactérias, atuando na imunidade.

“Em geral, considera-se que ‘anticorpo’ e ‘imunoglobulina’ são termos equivalentes, sendo que o primeiro faz referência à função, enquanto que o segundo alude à estrutura”, explica o Dr. Vanderson Rocha, médico hematologista, coordenador da unidade de doenças hematológicas na Rede D’Or São Luiz e professor titular da Faculdade de Medicina da USP.

Ele diz que a estrutura da imunoglobulina, basicamente, conta com duas grandes cadeias pesadas  (IgG, IgA, IgD, IgE e IgM) e duas cadeias leves (kappa ou lambda).

Quando o plasmócito sofre uma mutação ou alteração clonal pode passar a produzir uma imunoglobulina anormal (ou um fragmento dela anormal), dando origem à proteína M. 

Como detectar a proteína monoclonal

De acordo com o Dr. Rocha, a presença da proteína monoclonal pode ser detectada no sangue e na urina – sendo que no caso da urina, é avaliado se há a proteinúria de Bence-Jones.

Para detectá-la, é possível analisar o sangue ou a urina pela eletroforese em gel de agarose  ou pela eletroforese capilar. Esses métodos são utilizados como uma triagem inicial. Caso eles apontem que há um pico monoclonal, ou seja, que há uma grande quantidade de proteína M, é preciso continuar investigando. 

Proteína Monoclonal Presente

O próximo passo é fazer uma análise densitométrica para verificar a quantidade de proteína presente. Esse  resultado, além de ser importante para descobrir o que está acontecendo, servirá como parâmetro para comparar as avaliações que serão realizadas no futuro.

“A imunoeletroforese, ou imunofixação, é o método de escolha para confirmar a presença de proteína monoclonal e para definir o subtipo envolvido de imunoglobulina de cadeia pesada (IgG, IgM e IgA) e leve (kappa ou lambda)”, o médico conta.

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O que é ausência de proteína monoclonal?

Quando o resultado do exame aponta “proteína monoclonal ausente” significa que a proteína não foi identificada no material avaliado. Isto é, não há nenhuma célula anormal.

Consequentemente, quando indica “proteína monoclonal presente” é porque “há plasmócitos monoclonais (ou seja, alterados). Nesse caso, é importante aprofundar a investigação para avaliar se ela se encontra em pequena quantidade ou se prejudicou e levou ao comprometimento de alguma função orgânica”, o Dr. Rocha orienta.

Mulher Conversando Com Médico Sobre Diagnóstico De Câncer

Confirmar se há proteína é essencial para diferenciar se é uma gamopatia monoclonal ou uma gamopatia policlonal. Essa informação é importante porque, as policlonais são resultado de um processo inflamatório ou infeccioso que o corpo está enfrentando. 

Já as monoclonais, estão relacionadas com o câncer. Entretanto, sua presença não, necessariamente, quer dizer que a pessoa já está com a neoplasia maligna. Mas, em cerca de 25% dos casos, indica que um câncer pode se desenvolver ao longo dos anos.

“Tudo depende da quantidade de proteína monoclonal que está sendo produzida, além do subtipo específico e seu impacto nos principais órgãos alvo relacionados às neoplasias plasmocitárias. Por exemplo, rim, ossos e medula óssea, podendo levar a hipercalcemia, disfunção renal, anemia e lesões ósseas”, o hematologista fala. 

A gamopatia monoclonal está associada, especialmente, aos cânceres plasmocitários e linfomas B. Mais especificamente, o mieloma múltiplo (MM), linfoma de Waldenstrom, amiloidose e Síndrome de POEMS.

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Relação com o mieloma múltiplo

A eletroforese detecta a proteína M em 82% das pessoas com MM. Além disso, a imunofixação mostra a presença dessa proteína em 93% dos casos e ela também é identificada na urina de 78% dos pacientes. 

O Dr. Rocha conta que esse achado “corrobora com o diagnóstico, no qual sabemos que as células plasmocitárias estão doentes, produzindo esta proteína de forma anômala.” 

Homem No Médico Realizando Tratamento De Mieloma Múltiplo E Acompanhamento Da Proteína Monoclonal

E foi justamente dessa forma que Ana Paula, 51 anos, paciente de MM, farmacêutica e ativista pelas causas de Mieloma Múltiplo e Cuidados Paliativos, descobriu que estava com a doença em 2018.

“Eu estava fazendo um acompanhamento de rotina, com a gastroenterologista, de um outro problema de saúde, nada a ver, quando ela pediu o exame de eletroforese de proteínas séricas para saber como estava a minha função hepática”, relembra.

O exame indicou que havia um componente monoclonal presente e a médica encaminhou Ana para um hematologista. Mais testes foram realizados, incluindo um mielograma e uma biópsia de medula óssea. Foi então que ela descobriu o mieloma múltiplo indolente.

A proteína M foi determinante para o diagnóstico precoce em 2018, dado que eu era assintomática e por sorte descobri essa alteração”, a paciente afirma.

A proteína monoclonal não está relacionada ao prognóstico da doença, isto é, não interfere ou indica como a evolução do mieloma irá acontecer. Mas, ela ajuda avaliar como o paciente está respondendo ao tratamento

“Durante o tratamento do mieloma, exames de reavaliação de doença são realizados após cada ciclo de quimioterapia, depois o transplante, quando este é realizado, e durante a manutenção, a cada dois ou três meses”, o especialista descreve. 

Ana relata que um ano após descobrir que tinha a proteína M, o tratamento foi iniciado por conta do “aparecimento de minúsculas lesões líticas, visualizadas através de ressonância magnética nuclear de corpo inteiro”. Ela ainda conta que continua, até hoje, realizando periodicamente o exame de eletroforese de proteínas e o considera fundamental.

“Eu tenho todo o meu histórico e pude constatar o impacto positivo do tratamento na concentração de proteína M. Desde o período pré-TMO, pós-TMO até a manutenção que faço até hoje. Mesmo após dois anos do TMO, a proteína M continua baixando, felizmente.”

O Dr. Vanderson Rocha explica que, nesse acompanhamento, é importante identificar não só a quantidade do componente monoclonal, mas também se são de cadeias leves. Isso ajuda a saber se a resposta ao tratamento é parcial, parcial muito boa, completa ou completa rigorosa. 

“Sabemos que quanto mais profunda a resposta nos pacientes, melhor será o desfecho e o tempo livre sem a doença”, finaliza o médico.


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Meu marido tem gamopatia monoclonal , com pico monoclonal na faixa de 0,5. IGG. Relação cadeia kappa/lambda normal , ausência de proteína na urina . Biópsia de medula normal. Gostaria de saber quais chances de evolução para um mieloma . Acompanhamento há um ano sem alteração. O acompanhamento é indicado de quantos em quanto meses ?

Tenho dores ósseas desde muito há tempo sem um diagnostico conclusivo.Recentemete tive uma crise muito forte de dor na região do quadril e lombar, também sem diagnostico conclusivo. Seis meses após desenvolvi retite (DII) e estou em tratamento. Meus exames de sangue indicaram “linfocitopenia”, além de hematuria, e nos exames complementares indicaram IgM acima do padrão e presença de “componente monoclonal IgM Kappa”.
As biopsias de colonoscopia e endoscopia tiveram resultado negativo. Devo procurar um onclogista?
Grata.

Muito agradecida pela orientação!
Farei o cadastro.

lgg 699 lga 79 lgm 199 isso significa hipogamaglobulina

OLa… meu exames… em 2018 – sangue sugestivo de proteina monoclonal lambda isolada. Urina proteina ausente. em 2020 exame proteina bence jones negativo, imuno soro negativo para proteina m. em 2021 na eletroforese urina sugestao de banda monoclonal na regiao gama 38,3 % eletro forese soro ausente. biopsia medula ausente proteina M. tenho amiloidose primaria macular na pele , preciso investigar mais fazer algum acompanhamento…

Escrito por:

Natália Mancini

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