O mieloma múltiplo é maligno ou benigno?

Entenda como este câncer se comporta e quando o tratamento é fundamental
Receber o diagnóstico do mieloma múltiplo pode gerar diferentes tipos de sentimentos e dúvidas. Isso porque é possível que ele se apresente como uma doença indolente (de evolução lenta) ou de forma mais agressiva. A partir disso, é possível que o paciente se pergunte: afinal, o mieloma é maligno ou benigno?
A resposta é direta: o mieloma múltiplo é uma doença maligna, ou seja, um tipo de câncer do sangue. Ele faz parte do grupo das neoplasias de células plasmáticas, que se desenvolvem a partir de células responsáveis normalmente pela produção de anticorpos (células de defesa).
No mieloma, essas células plasmáticas passam a se multiplicar de forma anormal, principalmente na medula óssea. Com a progressão da doença, elas podem ocupar espaço das células normais da medula, produzir proteínas anormais e provocar alterações que afetam diferentes órgãos e tecidos.
“O termo ‘maligno’ é utilizado para caracterizar doenças em que há uma proliferação anormal de células com potencial de causar danos ao organismo. O mieloma múltiplo pode estar associado a manifestações como anemia, alterações da função renal, aumento dos níveis de cálcio e lesões ósseas”, explica Dra. Fernanda Lemos, médica hematologista líder do serviço de TMO e terapia celular no HCor.
Existem alterações das células plasmáticas que não são câncer?
Sim. E essa é uma diferença importante. Nem toda alteração relacionada às células plasmáticas significa que o paciente tenha mieloma múltiplo.
Existem outras condições, como a gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) e o mieloma múltiplo indolente (smoldering), que podem apresentar alterações relacionadas à produção de proteínas monoclonais ou à presença de células plasmáticas, mas não correspondem necessariamente a um mieloma múltiplo ativo.
![Imagem-1---O-mieloma-múltiplo-é-maligno-ou-benigno-[Convertido]](https://revista.abrale.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Imagem-1-O-mieloma-multiplo-e-maligno-ou-benigno-Convertido.jpg)
Na MGUS, por exemplo, há uma proteína monoclonal, mas não existem os critérios que caracterizam o mieloma múltiplo. Já o mieloma indolente apresenta uma maior quantidade de células plasmáticas ou proteína monoclonal, porém sem eventos definidores de mieloma que indiquem doença ativa.
“É importante não confundir a presença de uma proteína monoclonal com o diagnóstico de mieloma. Existem condições precursoras ou de menor atividade que precisam ser diferenciadas do mieloma múltiplo ativo. Essa distinção é feita a partir da avaliação conjunta dos exames e das características clínicas de cada paciente”, comenta a Dra. Fernanda.
Como o mieloma múltiplo é diagnosticado?
O diagnóstico não é feito por um único exame. A investigação pode envolver exames de sangue e urina, avaliação da medula óssea e exames de imagem. Entre os exames utilizados estão:
- Eletroforese de proteínas
- Imunofixação
- Dosagem de cadeias leves livres
- Avaliação da função renal e do cálcio
- Hemograma
- Exames relacionados à medula óssea
“O exame da medula óssea permite avaliar a presença e a quantidade de células plasmáticas clonais. Também podem ser realizados exames como imunofenotipagem, citogenética e FISH, que ajudam a caracterizar a doença e avaliar seu perfil biológico. Os exames de imagem também têm papel importante, especialmente na identificação de alterações ósseas. Dependendo do caso, podem ser utilizadas técnicas como tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT”, fala a médica.
O que indica que o mieloma está ativo?
O mieloma múltiplo ativo pode ser identificado pela presença de alterações relacionadas ao comprometimento de órgãos, conhecido por CRAB. Isso acontece quando há presença de hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e lesões ósseas, ou por determinados biomarcadores que indicam alto risco de evolução para dano relacionado ao mieloma.
Como definir a melhor estratégia de tratamento?
O tratamento é definido de acordo com fatores como idade, condições clínicas, características da doença, perfil de risco, resposta ao tratamento e histórico terapêutico.
Nas últimas décadas, a ciência passou por uma grande evolução e, atualmente, existem diferentes estratégias terapêuticas disponíveis para os pacientes de mieloma.
“Hoje temos diferentes estratégias terapêuticas, como anticorpos monoclonais e biespecíficos, inibidores de proteassoma, transplante de medula óssea, CAR-T. Conseguimos controlar a doença por períodos cada vez mais longos em muitos pacientes, por isso o mais importante é entender as características de cada caso para definir a melhor abordagem”, finaliza a Dra. Fernanda Lemos.
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