Quem tem linfoma, tem câncer?

Para alguns subtipos da doença, o tratamento pode não ser necessário ao diagnóstico
Uma das perguntas mais feitas no Google sobre linfomas é: “quem tem linfoma, tem câncer?”. E já respondendo aqui logo de cara, sim, todos os subtipos da doença são considerados neoplasias malignas. Porém, a dúvida acontece porque nem sempre o linfoma precisa receber tratamento ao diagnóstico.
“Todo linfoma é um tumor maligno, ou seja, é um tipo de câncer. Uma questão muito importante, porém, é entender que ser uma doença maligna não significa necessariamente que ela será agressiva, nem que evoluirá rapidamente ou que colocará a vida do paciente em risco de forma imediata”, explica a Dra. Danielle Leão, médica hematologista do Centro de Oncologia e Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O linfoma é sempre grave?
Como vimos, nem todos os casos de linfoma são graves. Importante dizer que este não é um câncer único. Ele é dividido em dois grandes grupos, o linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin, e tem mais de 60 subtipos, muito diferentes entre si.
A gravidades da doença, então, vai depender de qual tipo de linfócito ficou doente (B, T ou NK), do local em que a doença se desenvolve, dos órgãos acometidos e de características adquiridas das células doentes.
“Alguns tipos de linfoma crescem rapidamente e precisam ser tratados logo após o diagnóstico. Outros podem permanecer estáveis ou evoluir tão lentamente que algumas pessoas passam anos sem precisar de tratamento. Há ainda pacientes que nunca precisarão ser tratados, porque a doença não progride a ponto de causar qualquer prejuízo ao organismo”, pontua a Dra. Danielle Leão.
E quando precisa tratar, quais são as opções?
Os tratamentos para o linfoma também variam muito. Podem ser indicados: quimioterapia, radioterapia, anticorpos monoclonais ou biespecíficos, medicamentos orais ou outras formas de imunoterapia.
“Em algumas situações, pode ser necessário transplante de células-tronco ou terapia com células CAR-T. Em outras, como mencionei anteriormente, o paciente pode nunca precisar de qualquer tratamento e apenas ser acompanhado por seu médico, o que chamamos de vigilância ativa. E toda essa diversidade costuma causar muita dúvida nos pacientes e em seus familiares, especialmente porque duas pessoas com o mesmo diagnóstico geral de “linfoma” podem ter doenças, tratamentos e abordagens completamente diferentes”, diz a especialista.

Nas duas últimas duas décadas, a pesquisa na área dos linfomas avançou muito e novos tipos de medicamentos têm sido desenvolvidos com uma rapidez que jamais ocorreu na história.
Hoje, estão disponíveis terapias cada vez mais direcionadas às células doentes ou ao funcionamento do sistema imunológico. Esses avanços aumentaram muito as possibilidades de tratamento.
“Em diversos tipos de linfoma, houve melhora das taxas de resposta, maior duração do controle da doença e aumento das chances de cura. Em algumas situações, também conseguimos utilizar tratamentos mais seletivos e melhor tolerados”, fala a médica.
O linfoma pode ser considerado uma doença crônica?
Alguns tipos de linfoma têm um comportamento similar às doenças crônicas, principalmente os chamados linfomas indolentes ou de baixo grau, que podem permanecer sob controle durante muitos anos até precisar de tratamento, ou até mesmo nunca precisar ser tratados. O linfoma folicular é um exemplo clássico desse comportamento.
“Já muitos linfomas agressivos possuem uma lógica diferente. Eles crescem mais rapidamente e, por isso, geralmente precisam de tratamento imediato, a maioria com objetivo de cura. Ou seja, a pessoa possui a doença por um período e ficou curada, não podendo ser chamada de doença crônica”.
Ainda de acordo com a Dra. Danielle Leão, por este motivo, então, não é correto dizer que todo linfoma seja uma doença crônica. Isso depende fundamentalmente do subtipo e da situação individual de cada paciente.
Lembre-se, sempre, que cada linfoma é diferente. Ao receber o diagnóstico, o mais importante não é apenas saber que se trata de um “linfoma”, mas entender exatamente qual é o subtipo, qual é o seu comportamento esperado e quais são as opções de tratamento naquela situação.
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