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EHA 2026: Congresso de Hematologia Europeu destaca avanços no tratamento das doenças do sangue

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Abrale entrevistou especialistas brasileiros diretamente de Estocolmo. Veja as novidades!

Escrito por: Tatiane Mota

O Congresso de Hematologia Europeu (EHA), realizado em Estocolmo, na Suécia, reuniu milhares de especialistas para apresentar os estudos mais recentes no tratamento das doenças hematológicas. Neste ano, imunoterapias, terapias celulares, medicina de precisão e novas estratégias para doenças como mieloma múltiplo, leucemia linfoide crônica (LLC), leucemia mieloide aguda (LMA) e linfomas estão entre os principais destaques.

A Diretora Institucional da Abrale, Dina Steagall, esteve no evento e entrevistou médicos parceiros da instituição. Separamos, aqui, alguns dos principais destaques.

Diagnóstico precoce e novas imunoterapias reforçam avanços no mieloma múltiplo

Entre os estudos mais comentados do congresso estão aqueles voltados ao mieloma múltiplo, especialmente os que reforçam a importância da identificação precoce da doença e da intervenção em fases iniciais.

Segundo o Dr. Breno Gusmão, hematologista na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a tendência é que o tratamento comece cada vez mais cedo em pacientes selecionados.

“Os estudos apresentados reforçam a importância da identificação precoce do mieloma múltiplo e da intervenção em fases iniciais da doença. Essa estratégia pode contribuir para melhores resultados no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes.”

Outro destaque foi a apresentação de estudos de fase 3 envolvendo anticorpos biespecíficos direcionados aos alvos BCMA e GPRC5D. Essas imunoterapias utilizam o próprio sistema imunológico para reconhecer e eliminar as células do mieloma e vêm apresentando resultados superiores aos tratamentos considerados padrão em alguns cenários da doença.

“Por serem estudos em fase avançada de desenvolvimento, esses resultados aumentam a expectativa de que novas opções terapêuticas possam, futuramente, ampliar as possibilidades de tratamento também para pacientes brasileiros”, destaca o Dr. Roberto Magalhães, médico hematologista da UFRJ, fundador e gestor do Grupo de Hematologia e Transplante de Medula Óssea de Niterói (GHTN).

Combinação terapêutica promissora na LLC

Outro avanço importante apresentado durante a EHA 2026 envolve pacientes com leucemia linfoide crônica (LLC) recidivada após o tratamento inicial com inibidores de BTK.

O Dr. Jorge Vaz, hematologista e vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), explica que um estudo comparou o tratamento convencional com venetoclax e rituximabe a um esquema que adiciona pirtobrutinibe, um inibidor de BTK de nova geração.

“Os resultados mostraram benefícios importantes para os pacientes que receberam a combinação tripla, com melhor controle da doença e aumento da sobrevida livre de progressão.”

Outro diferencial observado foi a possibilidade de um tratamento com duração definida, permitindo que os pacientes realizem a terapia por um período determinado e mantenham o controle da doença mesmo após o término do tratamento.

“Os dados reforçam o avanço contínuo das pesquisas em LLC e ampliam as perspectivas para pacientes que necessitam de novas opções terapêuticas após a progressão da doença.”

Nova geração de CAR-T pode ampliar o acesso ao tratamento da LMA

Uma das pesquisas selecionadas para a sessão plenária da EHA 2026, reservada aos trabalhos de maior impacto científico, apresentou uma estratégia inédita de terapia celular para leucemia mieloide aguda (LMA).

A Dra. Lucila Kerbauy, hematologista e gerente médica do Hospital Israelita Einstein, destaca que a pesquisa avaliou uma terapia CAR-T alogênica, produzida a partir de células de um doador.

“Diferentemente das terapias CAR-T atualmente disponíveis, que utilizam células do próprio paciente, essa estratégia emprega células de um doador, modificadas geneticamente para serem utilizadas em diferentes pessoas. Essa abordagem pode facilitar a produção e ampliar o acesso a esse tipo de tratamento no futuro.”

Outro aspecto relevante é que a LMA ainda não possui terapias CAR-T aprovadas.

“Embora os dados ainda sejam preliminares, os resultados iniciais demonstraram um perfil de segurança promissor e sinais de atividade clínica, abrindo caminho para novas possibilidades terapêuticas para pacientes que atualmente têm opções limitadas.”

Anticorpos biespecíficos avançam no tratamento dos linfomas

As novidades também chegaram aos linfomas, com resultados positivos envolvendo anticorpos biespecíficos em diferentes subtipos da doença.

De acordo com o Dr. Guilherme Perini, hematologista do Hospital Israelita Einstein, os estudos apresentados mostraram avanços importantes em linfoma folicular, linfoma de células do manto e linfoma difuso de grandes células B.

“Os anticorpos biespecíficos continuam apresentando resultados bastante promissores em diferentes tipos de linfoma e reforçam o papel crescente da imunoterapia no tratamento dessas doenças.”

Uma nova classe de medicamentos conhecida como degradadores terapêuticos, também chamou atenção. Ela foi desenvolvida para eliminar proteínas específicas envolvidas no desenvolvimento dos tumores hematológicos.

“Os primeiros estudos apresentados mostram resultados bastante animadores e representam uma nova fronteira para o desenvolvimento de terapias-alvo.”

Assista aos vídeos aqui https://www.youtube.com/@abraleoficial/shorts

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