Brócolis e couve-flor ajudam na prevenção contra o câncer?

Estudo mostra que vegetais crucíferos podem reduzir em até 20% as chances de desenvolver a doença
Brócolis, couve-flor, couve de bruxelas, couve, rúcula, repolho, rabanete, agrião, nabo, entre outros, são vegetais crucíferos, assim denominados pois as pétalas de suas flores formam visualmente uma figura de cruz. No final de 2025, um grupo de pesquisadores chineses publicou um estudo científico que demonstra que este tipo de vegetal pode reduzir em até 20% o risco de desenvolver câncer de intestino.
Bianca Manzoli, nutricionista oncológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Comitê de Nutrição da Abrale, explica que os crucíferos têm compostos que funcionam como “sensores metabólicos” no corpo humano e que, quando consumimos estes alimentos, eles ativam sistemas internos de defesa, ajudando o organismo a neutralizar substâncias potencialmente carcinogênicas.
“São alimentos que colaboram para a redução da inflamação no corpo e protegem o DNA contra danos. Portanto, não é uma ação direta contra o câncer: é um fortalecimento do ambiente interno, tornando o corpo menos vulnerável ao processo de desenvolvimento tumoral”, esclarece Manzoli.
Segundo ela, a redução de risco em 20% é um dado relevante, mas precisa ser bem interpretado. O número se refere a estudos populacionais, ou seja, pesquisas que analisam grandes grupos de pessoas para identificar a relação entre determinados hábitos e o desenvolvimento de doenças.
“Do ponto de vista de saúde pública, o impacto é grande. Estamos falando de um câncer muito frequente, então pequenas reduções de risco, quando aplicadas à população, representam muitos casos evitados. No entanto, a mensagem principal não é sobre um alimento, mas sim sobre a importância de um padrão alimentar saudável”.

Frequência é mais importante que altas quantidades
Muitas pessoas buscam uma quantidade exata para consumo, mas a especialista afirma que o mais importante é a presença regular desses vegetais no prato.
“Não adianta pensar em ‘dose ideal’ se o restante da alimentação está dominado por ultraprocessados. Nenhum alimento isolado deve ser visto como um “milagre”, pois o que mais importa é manter um padrão alimentar saudável ao longo do tempo”, alerta a nutricionista. A estratégia ideal é basear a dieta em “comida de verdade”, onde os crucíferos apareçam com frequência e variedade.
O modo de preparo dos vegetais também é um fator determinante para preservar as propriedades protetoras. Cozinhar no vapor e refogar rapidamente são as melhores opções, pois preservam melhor os compostos. O cozimento em água, caso seja muito longo, pode reduzir a presença dos nutrientes benéficos. Altas temperaturas por tempo prolongado, como na airfryer, também podem impactar negativamente. O consumo cru é uma boa estratégia, desde que seja seguro para o paciente.
Crucíferos são aliados no tratamento onco-hematológico
Para os pacientes que já enfrentam um câncer hematológico (como leucemias e linfomas), os crucíferos também desempenham um papel importante. Embora não funcionem como tratamento direto para a doença, eles são fundamentais para manter bom estado nutricional, apoiar a saúde intestinal e colaborar para o controle de processos inflamatórios durante o tratamento.
No entanto, Manzoli reforça a necessidade de individualização. Em fases específicas, como períodos de neutropenia (queda na imunidade) ou sintomas gastrointestinais, a forma de preparo e a higienização devem ser rigorosas, priorizando, muitas vezes, os vegetais cozidos para garantir a segurança do paciente.
A melhor prevenção do câncer é o estilo de vida
A nutricionista ressalta que o câncer é uma doença multifatorial e, por isso, o consumo de vegetais crucíferos deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de promoção da saúde.
Entre as principais recomendações estão uma alimentação baseada em alimentos in natura, rica em fibras, a redução do consumo de ultraprocessados, a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e a moderação no consumo de bebidas alcoólicas.
“No fim, eles representam algo maior: o papel da alimentação de qualidade como estratégia de prevenção”, conclui Manzoli.


