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Leucemia linfoide aguda em adultos é mais desafiadora

Médico Preocupado Conversando Com Dois Adultos
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A doença, nesse grupo, não é necessariamente mais perigosa, mas é considerada mais complexa e difícil de ser curada

Escrito por:

Natália Mancini

O desfecho da leucemia linfoide aguda em adultos, geralmente, é mais desfavorável em comparação com os desfechos nas crianças e adolescentes. Isso se dá tanto pelas mutações genéticas envolvidas, quanto pelos tratamentos utilizados e pela própria idade. Mas, mesmo assim, a maioria dos pacientes adultos alcançam uma sobrevida livre de doença de três anos.

A leucemia linfoide aguda (LLA) é um tipo de leucemia, que é um câncer do sangue. Essa neoplasia maligna acontece quando as células-tronco, durante o processo de amadurecimento, sofrem mutações genéticas e dão origem a linfócitos imaturos. Dessa forma, além de não realizarem suas funções normalmente, esses linfócitos anormais também se multiplicam desordenadamente. Com isso, há um acúmulo de linfoblastos que não funcionam e poucas células sanguíneas maduras.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, em 2022, serão diagnosticados quase 11 mil casos de leucemia no Brasil. Entretanto, ele não identifica quantos dos novos diagnósticos seriam de LLA. Já a American Cancer Society prevê que serão 60,6 mil novos casos de leucemia nos Estados Unidos, destes 6,6 mil serão de LLA. 

Na faixa etária dos 0 aos 19 anos, a LLA representa 75% dos casos de leucemia. Entretanto, ela não é tão comum nos adultos (20%) – as mais comuns nessa faixa etária são a leucemia linfoide crônica (38%) e a leucemia mieloide aguda (31%). 

O Dr. Guilherme Gradim Fabbron, médico hematologista do Hospital Leforte, explica que apesar de receberem o mesmo nome e terem características parecidas, a LLA acontece por mutações genéticas diferentes na criança e no adulto. Por esse motivo, tem incidências tão diferentes. 

Apesar das divergências, em ambos os grupos, os sintomas de leucemia linfoide aguda são bastante similares. Sendo os principais:

  • Fadiga
  • Febre recorrente
  • Infecções constantes
  • Perda de peso sem motivo aparente
  • Manchas roxas pelo corpo (hematomas) e sangramentos e
  • Palidez

Tratamento de LLA em adultos e idosos

O tratamento da leucemia linfoide aguda para esses pacientes é dividido em três fases e tem como base a quimioterapia de alta intensidade e, em algumas situações, o transplante de medula óssea (TMO).

“A maioria dos protocolos quimioterápicos de tratamento são divididos em três fases: indução, consolidação e manutenção. A intenção é de se obter a remissão da doença logo após o período de indução. Em muitos dos casos está indicada a realização de TMO alogênico após a fase de indução”, diz o Dr. Fabbron.

Paciente Com Leucemia Fazendo Quimioterapia

Ele esclarece que, para pacientes com menos de 45 anos, o protocolo de tratamento costuma ser semelhante aos protocolos pediátricos, devido aos bons resultados. 

Por outro lado, quando se trata da leucemia em idosos, é preciso fazer uma análise aprofundada sobre a utilização da quimioterapia de alta intensidade. Nem sempre os indivíduos desse grupo apresentam condições de realizar essa terapia e outras opções devem ser consideradas.

Já em relação ao TMO, o médico pontua que o procedimento é uma opção quando a doença apresenta marcadores de pior prognóstico. Isto é, se no momento do diagnóstico, a leucemia tem determinadas características ou se apresenta certos comportamentos durante as fases de indução e consolidação. 

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Prognóstico da leucemia linfoide aguda em adultos

De acordo com o Dr. Fabbron, a LLA em adultos, muitas vezes, é considerada de mau prognóstico. O motivo para isso acontecer é porque nem sempre os tratamentos quimioterápicos disponíveis atualmente são capazes de manter a doença em remissão por um longo período de tempo.

Homem Adulto Com Leucemia Linfoide Aguda No Médico

Também segundo a American Cancer Society, entre 80% e 90% dos pacientes adultos alcançam a remissão completa em algum momento do tratamento. Ou seja, nessa parcela, em algum momento do tratamento, não é mais possível encontrar as células leucêmicas na medula óssea. Mas, metade dessas pessoas recai e o câncer volta a ser detectável. 

O hematologista também explica que outro motivo que leva os adultos a terem um desfecho pior é porque a “doença requer tratamentos com quimioterápicos de alta intensidade. Além disso, muitas vezes, há necessidade de realização de transplante de medula óssea alogênico, que pode acarretar complicações graves.” 

Diante desse cenário, considera-se que a leucemia linfoide aguda tem cura, porém, “estudos indicam que a chance de sobrevida livre de doença em três anos é de 59%”, o Dr. Guilherme Gradim Fabbron afirma.


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Natália Mancini

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