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O que é efeito placebo? 

O Que é Efeito Placebo? 

Muito utilizados em estudos clínicos, os tratamentos com medicamentos placebo podem causar respostas positivas ou negativas nas pessoas apesar de não terem substâncias ativas na sua fórmula

Por Natália Mancini

O placebo é um tipo de tratamento criado para parecer com um medicamento real, porém é composto por substâncias químicas inativas, como amido e açúcar. Seu principal uso acontece nos estudos clínicos nos quais seu efeito é comparado com o do tratamento verdadeiro. Ao utilizar o placebo os pacientes podem apresentar melhora dos sintomas, efeito placebo, consequências negativas, efeito nocebo, ou nenhuma reação.

A Drª. Amouni Mourad, farmacêutica e assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), explica que o efeito placebo está mais relacionado com a aparente melhora dos sintomas do que a cura de uma doença em si. Ou seja, o placebo não pode curar uma doença, mas pode diminuir os sintomas causados por ela. 

“Um placebo nunca fará com que um osso quebrado se cure mais rapidamente. Entretanto, pode fazer a dor parecer menos intensa”, exemplifica a Drª. Amouni.

Por conta desse possível resultado, esse “medicamento” é utilizado em vários estudos clínicos para verificar a eficácia de um tratamento novo. Dessa forma são comparados os efeitos causados pelo placebo e os causados pelo tratamento. Para que o novo medicamento seja considerado eficiente, é preciso haver uma diferença significativa entre os efeitos dos dois tratamentos.

Durante o estudo clínico, é improvável que a pessoa venha a ter algum problema devido ao placebo, justamente por ele não possuir efeito ativo. Entretanto, caso isso venha acontecer, ela deve entrar em contato com a equipe que está fazendo o acompanhamento. A equipe avaliará o que ocorreu e tomará as providências necessárias. 

“Verifica-se se o paciente apresenta alguma reação adversa aos componentes utilizados no placebo ou se está acontecendo o efeito nocebo. Isto é, se a pessoa sente efeitos colaterais, que não deveriam acontecer já que não há substância ativa. Uma das explicações para isso ocorrer são expectativas negativas sobre um medicamento ou tratamento”, diz a farmacêutica.

Por que o placebo funciona?

A Drª. Amouni  ressalta que nem todas as pessoas respondem ao placebo e não existem explicações totalmente estabelecidas do porquê isso ocorrer. Entretanto, acredita-se que há uma relação com a personalidade daquela pessoa.

Por exemplo, ter uma opinião positiva sobre medicamentos, médicos, enfermeiros e hospitais pode influenciar em uma resposta favorável ao placebo.

Outros grupos que costumam responder positivamente são “indivíduos que têm uma personalidade dependente e aqueles que desejam agradar seus médicos”, a farmacêutica conta.

Ela reforça que é apresentado uma melhora em relação aos sintomas causados pela doença não na patologia em si. Por exemplo, no caso de pacientes oncológicos, o placebo pode ser útil na redução da dor, melhora no bem-estar e até aumento do apetite. Além disso, o placebo pode reduzir os efeitos colaterais causados pela quimioterapia, caso seja informado para o paciente que esse é o objetivo daquele tratamento.

Isso poderia ser a explicação do porquê alguns pacientes com câncer relatam uma melhora a utilizar algum tratamento que não teve sua eficácia cientificamente comprovada.

“Entretanto, nenhum estudo com placebo conseguiu demonstrar que um paciente teve o tamanho do seu tumor reduzido”, contrapõe a especialista.  

Além da opinião positiva, algumas características dos comprimidos de placebo podem influenciar nos efeitos positivos. Por exemplo, remédios caros, tamanho e cor. Os comprimidos mais caros e de tamanho reduzido, ou com uma marca impressa neles, fazem com que os pacientes se sintam melhor. Já a questão da cor está relacionada com o tipo de efeito relatado. As pílulas azuis geram um resultado sedativo; os amarelos, antidepressivo; os verdes causam redução da ansiedade; os brancos, redução da dor e os laranjas e vermelhos deixam as pessoas mais estimuladas.  

Remédio placebo, onde comprar? 

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“Quando o médico observa que o paciente têm uma alteração leve e autolimitada para a qual não existe um fármaco ativo, pode-se prescrever algum placebo. Por exemplo, no caso de um mal-estar inespecífico ou cansaço”, de acordo com ela.

Isso acontece porque, nessas situações, o placebo pode satisfazer a demanda do paciente por um tratamento. Assim o comprimido com substâncias inativas pode fazer com que a pessoa se sinta melhor e não causa efeitos colaterais.

Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina considera que “é vedado ao médico indicar o uso de placebo quando há tratamento eficaz para a doença”. Ou seja, se houver algum medicamento que possa auxiliar no cansaço, por exemplo, o placebo não poderá ser prescrito. 

De qualquer forma, a automedicação e o autodiagnóstico são práticas perigosas, pois podem trazer graves consequências. Ao apresentar sintomas, especialmente se tiverem longa duração, é altamente recomendado procurar um médico. Assim, será realizada uma avaliação e indicado o tratamento apropriado.

 

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Nath ayumi
2 meses atrás

Como e por que acontece o efeito placebo?

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