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Equipe multidisciplinar, direito de todos os pacientes

Equipe Multidisciplinar, Direito De Todos Os Pacientes

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológico

Por Natália Mancini

Esta matéria não poderia começar sem um agradecimento especial a todos os médicos e profissionais de saúde que, por conta da COVID-19, têm se desdobrado para oferecer o melhor tratamento a todos!

E com o câncer, claro, não é diferente. Afinal, para um tratamento oncológico bem sucedido, o paciente precisa ser acompanhado não somente por um oncologista, mas sim por toda uma equipe multidisciplinar. O ideal é que nessa equipe estejam incluídos profissionais da Psicologia, Fisioterapia, Farmácia, Odontologia, Enfermagem, Nutrição e Serviço Social. Dessa forma, o paciente pode ser tratado como um todo em vez de focar somente na doença. Além disso, esses cuidados também evitam que outras condições de saúde se instalem, tornando o tratamento oncológico mais complexo.

De acordo com a Constituição Brasileira a “saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Ou seja, todas as pessoas brasileiras têm direito a receber do Estado cuidado para a saúde de forma integral. Sendo assim, ter acesso a uma equipe multidisciplinar durante o tratamento é direito de todos. Caso esses cuidados não estejam sendo fornecidos para você, entre em contato com o Apoio Jurídico da Abrale.

Odontologista na equipe multidisciplinar

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológicoWolnei Pereira, coordenador do Comitê de Odontologia da Abrale, explica que a Odontologia busca promover a “adequação da saúde bucal para que o paciente inicie o tratamento antineoplásico sem riscos de interrupção por conta de infecções na cavidade bucal”.

Ele conta que a Odontologia é importante em todas as fases do tratamento oncológico. Além da melhora na qualidade de vida, o dentista pode ser o profissional que suspeita de um câncer na cavidade bucal.

“O cirurgião dentista pode ser aquele profissional da saúde que fará o primeiro diagnóstico de alguma alteração na cavidade oral suspeita e encaminhará o paciente para exames complementares. Todos sabemos que o diagnóstico precoce é determinante no sucesso do tratamento”, afirma o especialista. 

No caso de um câncer já diagnosticado, é importante que o paciente também seja encaminhado para um odontologista. Dessa forma, o profissional avaliará todos os dentes  em busca de infecções que poderão comprometer o tratamento.

Além disso, ele diz que alguns protocolos de quimioterapia e radioterapia, no pescoço e cabeça, podem causar efeitos colaterais bucais. Por exemplo, a mucosite, sangramentos e alterações no paladar. Nesses casos, o cirurgião dentista da equipe multidisciplinar é o responsável por acompanhar e tratar essas condições. Melhorando, assim, a qualidade de vida do paciente.

Outra função muito importante é orientar o paciente sobre a importância do autocuidado para manter bons hábitos de higiene bucal. Por exemplo, escovação com escova de cerdas macias e creme dental com flúor; uso de fio dental após as refeições e muita hidratação. Também é recomendado usar creme labial à base de água para evitar o ressecamento dos lábios.

“Os efeitos colaterais da quimioterapia não são permanentes nos pacientes. Ou seja, passado os efeitos da medicação, também serão superados os efeitos colaterais”, afirma Wolnei.

Fisioterapeuta na equipe multidisciplinar

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológicoJá a importância da Fisioterapia se dá na prevenção ou tratamento das complicações físicas e funcionais causadas pelo tratamento oncológico.

“O tratamento do câncer pode causar diversas alterações físicas, como dor, fraqueza, redução da mobilidade, edema, cansaço. A Fisioterapia utiliza das suas técnicas para melhorar ou minimizar o impacto desses sintomas na qualidade de vida do paciente”, explica Ana Paula Santos, coordenadora do Comitê de Fisioterapia da Abrale.

Ela diz que a fisioterapia pode ser iniciada em qualquer fase do tratamento. Inclusive, quanto antes ela for inserida, maiores as chances de um resultado satisfatório

“O profissional da Fisioterapia atua desde a atenção primária, como campanhas de conscientização, até o nível terciário, como na reabilitação. Além disso, o fisioterapeuta dentro da Oncologia não tem um papel exclusivo de reabilitador. Cada vez mais sua importância tem sido demonstrada no manejo de sintomas. Fora o acolhimento para conforto e bem-estar do paciente em fase mais avançada da doença ou cuidados paliativos”, ressalta Ana Paula.

Antes de começar a terapia, o fisioterapeuta precisa observar algumas particularidades do paciente para definir qual a melhor estratégia. Por exemplo, se há presença de neutropenias, plaquetopenias ou fragilidades ósseas e a condição física em si.

Nutricionista na equipe multidisciplinar

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológicoOs efeitos colaterais também podem afetar a forma com que o paciente se alimenta, sendo necessário acompanhamento nutricional. Camila Farias, nutricionista na BP – A Beneficiência Portuguesa de São Paulo, lembra que esses efeitos podem fazer com que a pessoa sinta muita náusea, vômito, perda de apetite, levando à anorexia e falta de nutrientes, e outros

“Isso pode reduzir a capacidade do paciente tolerar o tratamento. Nesse sentido, o acompanhamento nutricional deve fazer parte da terapia oncológica. Já que uma nutrição adequada e individualizada pode ajudar a reduzir os sintomas e complicações durante o tratamento”, explica Camila. 

De acordo com a especialista, a “assistência alimentar e nutricional personalizada contribui para um melhor controle de sintomas”.

Para identificar qual a melhor orientação e conduta nutricional, o profissional analisa o quadro clínico do paciente juntamente com qual fase do tratamento ele está. Assim, é possível saber qual a necessidade metabólica. Ou seja, o quanto de energia e quais tipos de nutrientes aquela pessoa necessita. A partir disso, são escolhidos os alimentos mais adequados para aquele momento.

“É muito importante que a nutrição seja baseada em evidências. Sempre aliada ao bom senso, ética e, sobretudo, a prática clínica”, diz a nutricionista. 

Farmacêutico na equipe multidisciplinar

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológicoA quimioterapia em si utiliza diversos medicamentos. Além disso, muitas vezes, para controlar e tratar os efeitos colaterais, são necessários mais medicamentos. É aí que entra o papel do farmacêutico.

“O farmacêutico é o profissional que avalia as possíveis interações entre os medicamentos quimioterápicos e não quimioterápicos utilizados pelo paciente. Tanto aqueles aplicados no ambulatório ou em internação, como os medicamentos já utilizados de forma contínua”, diz o farmacêutico Guilherme Munhoz.

Além de analisar as interações entre os medicamentos, o farmacêutico orienta quanto ao armazenamento; a administração e efeitos colaterais dos remédios que estão sendo utilizados.

“O farmacêutico tem o conhecimento técnico sobre a forma de administrar, as principais interações e reações adversas mais conhecidas”, Guilherme diz.

Caso o paciente tenha dúvida sobre questões relacionadas ao uso de um medicamento em si, ele pode perguntar tanto para os farmacêuticos quanto para os enfermeiros da equipe.

Psicólogo na equipe multidisciplinar

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológicoA psicóloga Flávia Sayegh, coordenadora do Comitê de Psicologia da Abrale, adiciona que juntamente com esses efeitos físicos, o câncer pode trazer também muitas questões emocionais.

“Então, para isso tudo, a pessoa pode contar com um profissional da Psicologia como um espaço para se reorganizar diante de tantas mudanças.  Eu acho que no espaço da psicoterapia, a pessoa pode olhar para esses medos, olhar para essa insegurança, esses receios. Isso tudo permite que ela aprenda a lidar com o que está acontecendo”, fala Flávia.

Ela ainda considera que é importante que todas as especialidades se conversem para proporem soluções que atendam o paciente na sua totalidade. “Eu vejo ainda um pouco além do multidisciplinar, há a necessidade desse tratamento ser transdisciplinar. Isto é, que essas especialidades se comuniquem, se falem, estejam juntas no cuidado dessa pessoa e não atuando isoladamente”.

“A psicologia tem que se integrar e falar com essas outras disciplinas. Isso para o bem-estar do paciente é muito importante. A equipe toda tem que estar falando a mesma linguagem e sabendo o que está acontecendo com o paciente e com a família. É importante que os profissionais se falem, se comuniquem”, considera Flávia.

Ter o acompanhamento psicológico faz com que o paciente tenha a tendência a se alimentar muito melhor. Além de aceitar e ter melhor adesão ao tratamento e também a ter um melhor relacionamento com os outros profissionais.

Para que isso aconteça, o profissional pensa, junto com o paciente, se ele precisa de uma terapia a longo prazo ou mais pontual. Isso tudo acontece a partir de uma escuta atenta a fim de chegar a melhor maneira de apoiar aquela pessoa.

O tipo de atendimento varia muito de paciente para paciente, além também do momento do tratamento no qual ele está. Então, se foi recém-diagnosticado, se está internado, após o tratamento etc.

“Vale ressaltar que o psicólogo não prescreve nenhum tratamento medicamentoso. O profissional responsável pelo cuidado emocional que prescreve medicamentos é o psiquiatra, que é formado médico”, explica a especialista.

Você tem direito a isso tudo!

Ter acesso a todos os profissionais dessa equipe pode evitar complicações durante o tratamento oncológicoComo já mencionado, os cuidados multidisciplinares são um direito do paciente oncológico e devem ser fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Entretanto, não é bem isso que acontece. 

Ana Paula considera que “ainda existe um número insatisfatório de profissionais especialistas na área e menor ainda o número de contratações públicas para suprir essa demanda de assistência fisioterapêutica ao paciente oncológico”, diz Ana Paula.

O mesmo acontece na área da Odontologia, apesar de o Brasil ser o país com o maior número de dentistas por habitantes no mundo.

“O número de profissionais da Odontologia que se dedicam ao tratamento das manifestações orais em pacientes oncológicos é insignificante. Principalmente, quando comparados com o total de médicos oncologistas, quimioterapeutas, hematologistas e radioterapeutas. Assim como com a alta incidência dos casos de câncer na nossa população. Além disso, a grande maioria dos hospitais e das clínicas oncológicas não dispõe ou não pratica protocolos adequados de prevenção e tratamento das afecções orais oriundas do tratamento oncológico”, diz Wolnei Pereira. “Daí a importância de organizações como a ABRALE, que buscam o melhor atendimento dos pacientes junto às esferas governamentais, promovendo congressos aos profissionais de saúde, e na orientação e acolhimento dos pacientes”, finaliza. 

 

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