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A importância de falar sobre sentimentos durante o tratamento do linfoma

Nós Não Podemos Esperar Para Focar Nos Sentimentos
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Última atualização em 3 de outubro de 2023

Buscar apoio terapêutico e da rede de relacionamentos é essencial para lidar com esses desafios emocionais

Escrito por:

Natália Mancini

O Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas (15/09), em 2023, traz um tema muito importante e impactante: a importância de falar sobre sentimentos. Esta campanha ressalta a urgência de abordar os aspectos emocionais e psicológicos enfrentados pelos pacientes com esse tipo de câncer. Se abrir, nesse cenário, pode parecer um grande desafio, mas fazer isso é de extrema importância para entender as emoções e organizá-las.

Em uma pesquisa realizada em 2022, pela Global Patient Survey on Lymphoma and CLL, 82% dos pacientes de linfoma relataram terem experimentado questões psicológicas e emocionais. Os principais sentimentos descritos pelos entrevistados foram: medo, ansiedade, depressão e sensação de isolamento.

Porém, diante do diagnóstico, muitas vezes a saúde mental é colocada em segundo plano e essas emoções não recebem a atenção necessária. Por isso, a campanha deste 15 de setembro traz o lembrete de que não se pode adiar a discussão sobre essas questões.

Por que é importante falar sobre emoções e sentimentos?

Luciana Telles Ferri, psicóloga clínica e psico-oncologista na Abrale, explica que identificar e verbalizar sentimentos é um desafio, mas também uma oportunidade para promover a saúde e o bem-estar. Entretanto, ela ressalta que é fundamental entender a diferença entre emoções e sentimentos.

Luciana esclarece que as emoções são uma resposta fisiológica do cérebro a estímulos da realidade. “Entre as emoções temos a alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa”, ela exemplifica. 

Pessoa Falando Sobre Seus Sentimentos

Já os sentimentos são a percepção consciente dessas emoções. Dentre os sentimentos existentes, há gratidão, amor, felicidade, curiosidade, solidão, culpa, remorso, decepção e compaixão.

“Ao contrário das emoções, que são observáveis pelos outros, os sentimentos são acessíveis somente à própria pessoa. Por isso, acessar estes sentimentos e verbalizá-los é um desafio, mas, uma significativa oportunidade para promoção de ações de saúde e bem-estar. Então, quando o paciente consegue falar sobre o que sente, durante a jornada oncológica, cria-se mais caminhos de qualidade em todas as esferas de sua vida”, a especialista explica.

Ter o apoio de profissional da Psicologia tende a facilitar toda a trajetória do tratamento, desde o momento do diagnóstico, até a remissão ou acompanhamento. Sendo que, quanto antes o apoio psicológico começar, melhor. Isso acontece porque, quando os pacientes são acolhidos desde o momento da descoberta, é mais provável que formem um vínculo de confiança com o profissional, facilitando o acesso aos sentimentos mais profundos.

“No início, os pacientes podem trazer sentimentos baseados em experiências vividas com terceiros ou o que interpretam de acordo com suas crenças sobre o que é adoecer e passar por um tratamento, como do linfoma. A partir disso, o psicólogo poderá trazer uma compreensão sobre estes sentimentos, organizá-los e, por meio de estratégias terapêuticas, dar novos sentidos, promovendo ações de saúde mental e emocional”, Luciana fala.

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O medo relacionado ao câncer 

Esse é um medo ligado ao receio de uma recaída ou da progressão do câncer, causando, geralmente, estados de ansiedade, depressão e isolamento. Esse sentimento pode afetar significativamente a qualidade de vida do paciente.

Medo Relacionado Ao Câncer

A manifestação do medo relacionado ao câncer pode ocorrer em diferentes níveis de intensidade. São elas: 

  • Leve Inclui pensamentos ocasionais sobre o câncer, com picos de ansiedade que são resolvidos após alguns dias. Ter uma consulta médica e/ou exame de acompanhamento são exemplos de possíveis gatilhos para esse quadro.
  • Moderado a grave – Acontece quando há pensamentos mais frequentes sobre o câncer sem gatilhos externos, além de uma sensação de não conseguir controlar esses pensamentos. Pode estar relacionada a uma forte sensação de angústia.

Falando sobre sentimentos

De acordo com Luciana, “a terapia, seja ela individual ou em grupo, é um dos locais para expressar esses sentimentos. Na terapia, os pacientes podem encontrar um espaço seguro, com profissionais especializados que irão acolhê-los. Além da terapia, existem outras frentes de cuidados terapêuticos, como as diversas práticas integrativas, que oferecem este suporte.” 

Falando Sobre Sentimentos

Apesar de não substituir a terapia, buscar apoio na rede de relacionamentos, como amigos, familiares e instituições, também pode ser um recurso.

“A Abrale está à disposição e oferece diversos serviços de Apoio Psicológico para pacientes, familiares e cuidadores. Basta entrar em contato com o Apoio ao Paciente pelos telefones (11)3149-5190 ou 0800-773-9973 ou e-mail [email protected]. Além disso, pode buscar uma unidade básica de saúde de sua região e profissionais do local onde realiza tratamento em clínicas escolas (as universidades). O importante é que busque este apoio”, pontua Luciana Telles Ferri.

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Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas

Essa é uma campanha realizada em 15 de setembro todos os anos e tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre os linfomas, um tipo de câncer cada vez mais comum. Ela foi criada em 2004 pela Lymphoma Coalition (Coalizão Linfoma), uma rede global de organizações de pacientes com linfoma.

O Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas deste ano traz o tema “Não Podemos Esperar para Focar em Nossos Sentimentos”.

Com muita frequência, quando alguém está convivendo com linfoma, os desafios psicológicos e emocionais que afetam como as pessoas se sentem são negligenciados. 

Entretanto, aprender a lidar com sentimentos desafiadores pode trazer muitos benefícios, incluindo relacionamentos mais próximos com familiares e amigos, uma maior conexão consigo mesmo e uma melhor capacidade de viver o momento presente.

Por isso, não adie mais o cuidado com a sua saúde mental!

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Natália Mancini

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