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Doença autoimune tem cura?

Tratamentos Para Cura Da Doença Autoimune
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O melhor tratamento dependerá do diagnóstico e comportamento do quadro, mas, nem sempre, a doença entra totalmente em remissão

Escrito por:

Natália Mancini

Não é possível dizer que doença autoimune tem cura, porque, na maioria dos casos, ela não “desaparece” totalmente. Mas, é bastante comum que ela fique “adormecida” por meio do tratamento, permitindo que o paciente tenha uma boa qualidade de vida. Mesmo quando isso acontece, pode ser necessário que a pessoa mantenha alguma terapia medicamentosa, porém menos intensa.

As doenças autoimunes acontecem quando o sistema imunológico (células e anticorpos que deveriam proteger o organismo) passa a enxergar o próprio corpo como uma ameaça e começa a atacá-lo. Isso gera uma reação inflamatória. 

Por esse motivo, em geral, o tratamento das doenças autoimunes tem o objetivo de controlar essa inflamação para que ela não cause danos irreversíveis aos órgãos e células afetados.

O Dr. Nilton Salles Rosa Neto, médico reumatologista do Hospital Nove de Julho, explica que “ no longo prazo, o objetivo é alcançar um estado de remissão, ou seja, em que a doença está sob controle (com ou sem medicação), e não há progressão de danos ao longo do tempo. Em certas situações pode se admitir um estado de baixa atividade de doença, ou seja, a inflamação existe, mas não é suficiente para trazer problemas significativos ao paciente.”

Quais são as doenças autoimunes

Alguns exemplos são:

  • Anemia aplástica
  • Púrpura trombocitopênica idiopática (PTI)
  • Artrite reumatoide;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Tireoidite de Hashimoto;
  • Diabetes mellitus tipo 1;
  • Esclerose Múltipla e
  • Esclerose Sistêmica Progressiva.

Tratamento de doença autoimune

De acordo com o reumatologista, os medicamentos usados na terapia dependem se a doença está em fase aguda ou não. Na fase aguda, os principais medicamentos são os anti-inflamatórios não hormonais e os corticosteroides.

Popularmente conhecidos como corticoides, os corticosteroides não devem ser usados por muito tempo e em doses elevadas, “pois apresentam diversos efeitos adversos”, o Dr. Salles alerta. Ele complementa descrevendo que, para evitar que o paciente tome esse tipo de remédio por um longo período, são administradas drogas imunossupressoras ou imunobiológicas.

Tratamento Para Doença Autoimune

“Além disso, o tratamento pode incluir outras terapias como imunoglobulina ou plasmaférese, para inibição ou remoção de autoanticorpos. Mas, isso não é válido para todas as doenças autoimunes”, pontua o médico.

Outras estratégias que entram como complemento do tratamento das doenças autoimunes são as transfusões sanguíneas e a hemodiálise. Isso acontece porque esses procedimentos ajudam a melhorar o estado de saúde da pessoa.

O Dr. Salles ressalta que “diante dessa ampla gama de opções, o médico vai indicar as que são mais apropriadas para cada paciente.”

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Doença autoimune tem cura?

Não, a doença autoimune não tem cura, mas, costuma ser altamente controlável e pode entrar em remissão e não reativar. Ou seja, é possível que, com o tratamento, a patologia deixe de ficar ativa, não dê mais sinais e também não reapareça no futuro. Entretanto, em outros casos o paciente pode continuar com a inflamação ativa durante períodos prolongados. 

Doença Autoimune Tem Cura

“Como não é possível prever a recorrência, um acompanhamento periódico é necessário e o tempo dirá se a doença não retornará mais”, o especialista orienta.

A depender do comportamento do diagnóstico e da gravidade do quadro alguns protocolos podem ser seguidos. Sendo eles:

  1. A inflamação é autolimitada, então para espontaneamente, permitindo que o tratamento seja interrompido;
  2. A inflamação vai e volta, assim usa-se medicação quando ela aparece (fase ativa) e é possível reduzir a quantidade de medicamentos, ou até mesmo interromper seu uso, nas fases inativas e
  3. Quando a inflamação não cessa, dessa forma, é preciso fazer uso de terapias constantemente. 

O doutor esclarece que essa variação acontece porque durante as fases de maior inflamação, há também um maior risco de danos aos órgãos e estruturas. Já quando a inflamação está menos intensa, esse risco é menor.

No caso da anemia aplásica autoimune, por exemplo, o tratamento segue o mesmo esquema com corticoide e imunossupressores. 

“Eventualmente, situações refratárias podem requerer transplante de medula óssea. Isso também não significa cura, pois o paciente pode precisar usar medicações para evitar rejeição, há o risco de recorrência, de infecções etc. Assim, o acompanhamento em um centro especializado, com equipe multidisciplinar experiente pode fazer a diferença na evolução dos pacientes”, o Dr. Salles informa.

Já em outras situações, como na púrpura trombocitopênica idiopática, a doença “pode, inclusive, ter remissão espontânea em criança”, fala a Drª. Mary Isabel Vieira Pedroso, médica hematologista da Rede de Hospitais São Camilo de SP.

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Qualidade de vida dos pacientes

“O fato de não haver cura não significa que a doença não possa ser controlada. Desse modo, o diagnóstico e tratamento precoces fazem muita diferença na evolução dos pacientes”, o Dr. Salles salienta.

Ele diz que, geralmente, espera-se que os pacientes respondam bem aos tratamento e tenham uma boa qualidade de vida. Muitas vezes, podendo até retornar às atividades rotineiras mais brevemente. 

Qualidade De Vida De Pessoas Com Doença Autoimune

Por outro lado, em casos refratários ou situações nas quais o diagnóstico foi tardio, é possível que ocorra algum prejuízo em termos de qualidade de vida.

A Drª. Mary descreve que em pacientes com PTI crônica, se a plaquetopenia (queda de plaquetas) estiver moderada, pode não ser necessário entrar com medicamentos. Então, a tendência é que o paciente tenha boas condições. 

Entretanto, aquelas pessoas com plaquetopenia severa e que apresentam hemorragias, tendem a precisar de um tratamento mais prolongado. Isso pode afetar a qualidade de vida.

“Na anemia aplásica, o tratamento imunossupressor pode levar a uma independência transfusional. Porém, quando não existe uma boa resposta à terapia, o paciente fica dependente de transfusões frequentes, o que afeta negativamente a sua qualidade de vida”, a médica explica.

“Outros aspectos importantes nas doenças autoimunes são a adequada nutrição, a prática de exercícios, a cessação de tabagismo, o controle dos fatores de risco cardiovasculares, como obesidade, diabete e hipertensão. E é imprescindível a avaliação da saúde mental. Pacientes com doenças autoimunes costumam apresentar mais frequentemente ansiedade, depressão entre outras manifestações, e isto requer uma avaliação direcionada”, o Dr. Nilton Salles finaliza. 


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Natália Mancini

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