50% dos pacientes apontam dificuldade para realizar o CAR-T Cell, em Grupo Focal da Abrale

Levantamento também mostra impactos na qualidade de vida
A Abrale realizou um Grupo Focal com pacientes que receberam CAR-T Cell e o levantamento revelou que 50% dos participantes enfrentaram dificuldades para conseguir acesso à terapia.
O encontro aconteceu no dia 1º de dezembro de 2025, em formato online, com duração de duas horas, e reuniu seis pacientes que compartilharam suas experiências antes, durante e após o tratamento.
Perfil dos participantes
33% dos pacientes entrevistados tinham entre 30 e 39 anos; 33% entre 60 e 69 anos; 17% estavam na faixa dos 50 aos 59 anos; e 17% tinham entre 70 e 79 anos.
Os participantes eram residentes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e todos se autodeclararam brancos.
Onde realizaram o tratamento
A maior parte dos pacientes (83%) realizou o CAR-T Cell por meio do sistema privado de saúde, enquanto 17% tiveram acesso à terapia por meio de pesquisa clínica.
Em relação ao local do tratamento, 66% realizaram o procedimento em São Paulo, 17% no Rio de Janeiro e 17% na França.
Pacientes já haviam passado por múltiplos tratamentos
Os participantes realizavam tratamento principalmente para mieloma múltiplo (50%), linfoma não-Hodgkin de grandes células B (33%) e outros tipos de linfoma não-Hodgkin (17%).
O levantamento também mostrou o longo histórico terapêutico desses pacientes: 50% já haviam passado por quatro linhas diferentes de tratamento antes da indicação para o CAR-T Cell.
Antes de chegarem à terapia celular, muitos enfrentaram tratamentos intensivos, incluindo ciclos de quimioterapia e transplante de medula óssea.
Barreiras no acesso ainda são frequentes
Mesmo diante do potencial transformador da terapia, metade dos pacientes relatou obstáculos importantes no acesso ao tratamento. Entre as principais dificuldades mencionadas estão:
- Recusa de cobertura por parte dos planos de saúde
- Necessidade de judicialização para garantir acesso
- Falta de hospitais credenciados para realizar o procedimento

Os dados reforçam uma realidade já conhecida por muitos pacientes: avanços terapêuticos nem sempre significam acesso rápido ou igualitário.
Efeitos após a infusão exigem acompanhamento especializado
Após receberem a terapia CAR-T Cell, os pacientes relataram diferentes efeitos adversos que exigiram acompanhamento médico rigoroso.
Entre as complicações mencionadas estavam episódios de febre, desmaios, neurotoxicidade, síndrome de liberação de citocinas, alterações cognitivas como disgrafia, confusão mental e perda de memória.
Esses eventos já são conhecidos dentro da terapia celular e reforçam a necessidade de centros especializados para realização do tratamento.
Tratamento impacta a rotina e o emocional
Além dos aspectos clínicos, o levantamento também trouxe informações sobre os impactos do tratamento no cotidiano e na saúde emocional dos pacientes.
Os participantes relataram mudanças importantes na rotina, incluindo necessidade de desacelerar atividades diárias e, para metade deles, uma transformação significativa no estilo de vida.
Quando receberam a notícia de que fariam o CAR-T Cell, sentimentos como medo, esperança, felicidade, alívio, interesse e gratidão estiveram entre os mais citados.
A experiência mostra que, embora a terapia represente uma possibilidade inovadora no tratamento de doenças hematológicas complexas, a jornada do paciente vai muito além do procedimento em si.
O que é CAR-T Cell e quando é indicado?
A terapia CAR-T Cell é uma forma inovadora de imunoterapia que utiliza as próprias células de defesa do paciente, chamadas linfócitos T, para combater o câncer.
No processo, essas células são coletadas e modificadas em laboratório para reconhecer e atacar células tumorais de forma mais eficiente. Depois, elas são reinfundidas no organismo para agir diretamente contra a doença.
Atualmente, o CAR-T Cell tem sido indicado principalmente para alguns pacientes com linfomas, leucemias e mieloma múltiplo, especialmente quando a doença não respondeu adequadamente aos tratamentos convencionais ou voltou a se manifestar após terapias anteriores.
Por ser um tratamento altamente especializado, a indicação deve ser feita de forma individualizada e avaliada por uma equipe médica experiente.

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