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Recidiva de linfoma: o que é, tratamentos e cuidados com a saúde mental

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Alguns linfomas têm mais chance de recidiva que outros devido às características das suas células. Em grande parte dos casos é possível tratar esse novo câncer


Escrito por:

Natália Mancini

Para um paciente que já enfrentou um câncer, somente pensar na possibilidade da recidiva de linfoma pode trazer sentimentos negativos. Essa é uma reação compreensível, porém é importante lembrar que, caso isso venha a acontecer, há outras terapias que podem ser utilizadas para combater a doença. Além disso, cuidar da mente, compreender e trabalhar sentimentos de ansiedade, medo e auto-culpabilização podem auxiliar nessa etapa.

De forma resumida, a recidiva nada mais é que a volta da doença. Então, a pessoa estava com uma neoplasia maligna e foi submetida a um método terapêutico. Após isso, em certo ponto, não era mais possível detectar as células doentes por meio dos exames tanto de laboratório, quanto de imagem. Isso é chamado de remissão do câncer

Entretanto, depois de um período, essas células cancerosas voltam a aparecer, caracterizando a recidiva do câncer. Quando isso acontece e a doença só pode ser encontrada por métodos de biologia molecular, é dado o nome de recidiva molecular. Porém, caso a pessoa apresente sintomas ou o tumor possa ser identificado em exames clínicos ou de imagem, dá-se o nome de recidiva clínica.

A Claudia de Sillos Matos, psicóloga do Hospital LeForte, conta que o medo dessa situação acontecer, ou o medo que a pessoa pode sentir ao receber o diagnóstico da recidiva de linfoma, ocorre pois há uma atualização da experiência anterior.

“Muitos pacientes relatam pensamentos de indignação, pois concluíram o tratamento e consideravam o final do momento vivenciado. Como se as emoções anteriores se repetissem no momento da nova descoberta diagnóstica. Entrar em contato novamente com inseguranças e medos pode trazer uma sobrecarga emocional”, diz.

Qual a probabilidade de recidiva de linfoma?

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“Por exemplo, linfoma de células do manto, que pertence ao grupo do linfoma não-Hodgkin, tem maior chance de recidivar que um linfoma de Hodgkin”, conta o Dr. Eduardo Rego, Coordenador da Hematologia da Oncologia D’Or .

Ele  ainda ressalta que há uma grande ligação entre a probabilidade de recidiva de linfoma com o fato de ele ser indolente. O motivo disso acontecer é porque a replicação mais lenta das células faz com que elas sejam menos afetadas pela quimioterapia. Entretanto, por outro lado, também faz com que a doença seja mais controlável e o paciente tenha um prognóstico mais favorável. 

O estadiamento também acaba sendo um fator relevante para determinar as chances de recidiva. Assim, caso o primeiro linfoma seja diagnosticado em estágio avançado, ele tem maior probabilidade de retornar.

A psicóloga Cláudia fala que o momento do diagnóstico da recidiva pode ser igualmente, ou até mais difícil para o paciente, devido à experiência anterior.  

“Mas é importante ter em mente que a experiência anterior não necessariamente será equivalente a sua experiência no momento presente, pois somos seres mutáveis e estamos em constante mudança emocional”, aconselha.

Ela ainda orienta que, apesar de ser comum ter medo de descobrir uma recidiva, o ideal é viver o momento presente. Ficar pensando na volta do câncer pode ser a forma encontrada para evitar frustrações caso ela volte a acontecer. Entretanto, antecipar algo faz com que essa expectativa, seja ela boa ou ruim, passe a ser vivida como uma realidade.

“É preciso  viver as situações conforme os acontecimentos, desta maneira minimizamos sinais de ansiedade”, a psicóloga indica.

Tratamento para recidiva de linfoma

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Nesses casos, é provável que a célula da recidiva tenha resistência aos medicamentos utilizados na primeira vez. Com isso, é preciso mudar de estratégia do primeiro para o segundo tratamento, preferencialmente alterando a classe de medicamentos.

“Os protocolos são muito variáveis. Se você utilizou o anticorpo monoclonal contra um alvo, por exemplo o CD20, você vai tratar a recidiva mudando. É possível continuar usando o anticorpo monoclonal, mas será preciso um segundo alvo diferente. Se usou uma classe de medicamentos antracíclicos – que além de tudo tem um problema também de toxicidade – é preciso substituir essa classe por outra classe de medicamento que não tenha o mesmo padrão de toxicidade”, explica o médico.

 Por outro lado, se a recidiva acontecer mais de dois anos após o fim do primeiro tratamento, é possível que as células sejam sensíveis aos mesmos agentes. Dessa forma, existe a possibilidade de submeter o paciente ao mesmo esquema terapêutico. 

“Porém, quando a doença volta, ela, normalmente, costuma ser acompanhada de resistência”, diz o onco-hematologista.

Quando o câncer volta tem cura?

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“Uma célula dentro do conjunto do tumor que possui resistência a um dado tratamento vai ter uma vantagem de sobrevida em relação às demais que não tem aquela mutação. Qual é a consequência disso? Ela vai passar a originar uma recidiva com características moleculares semelhantes às suas”, o Dr. Rego fala.

Outro conceito, que é menos aplicável aos linfomas, mas que acredita-se que vale para outros câncer é que uma pequena parte da célula maligna tenha características parecidas com às células-troncos. Dessa forma, elas podem se diferenciar em um novo tumor resistente aos quimioterápicos utilizados anteriormente.

Apoio psicológico no caso da recidiva

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“Sentimentos auto destrutivos prejudicam a estabilidade emocional, direcionar e canalizar a raiva de nós mesmos neste momento não favorece a vivência oncológica. A auto compaixão pode mobilizar em nós mesmos a gentileza, cuidado e preocupação que teríamos com alguém querido. Prestar atenção em si mesmo é entender seus pensamentos, compreender suas emoções e analisar seus comportamentos. A auto percepção facilita o processo do tratamento”, Cláudia salienta.

 

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