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 Diagnóstico de linfoma no Brasil é tardio

 Diagnóstico De Linfoma No Brasil é Tardio

Acesso à saúde, complexidade e, no caso dos homens, a não realização de exames periódicos são responsáveis por esse cenário

Por Natália Mancini

O diagnóstico de linfoma foi realizado tardiamente em 58% dos casos analisados pelo Observatório de Oncologia entre os anos de 2008 e 2017. Ou seja, foram identificados 70.850 novos pacientes e mais da metade já estava com a doença em estágio III ou IV no momento do diagnóstico. Além disso, homens descobrem o câncer mais tardiamente e apresentam uma maior taxa de mortalidade na faixa etária acima dos 60 anos. Mesmo a doença sendo complexa de identificar, a falta de acesso à Saúde é o principal fator para esse cenário.

“O diagnóstico de linfoma pode ser considerado como complexo, pois demanda diversos exames. Como a realização de biópsia, imunohistoquímico e procedimentos de cirurgia ou rádio intervenção”, afirma a Dra. Talita Maira Bueno da Silveira, médica que atua no serviço de Hematologia do A.C.Camargo Cancer Center e no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para que todos esses procedimentos possam ser realizados, é necessário contar com especialidades médicas específicas. Por exemplo, um grupo de cirurgia para realizar a biópsia dos linfonodos aumentados e patologistas experientes para analisar esse material. Por isso, não é possível identificar o linfoma na atenção primária, por meio de exames físicos e laboratoriais básicos.

Apesar disso, a Drª. Talita ressalta que os clínicos gerais e médicos do atendimento primário têm condições de levantar a suspeita da doença.  

“Os sintomas relacionados e o exame físico são bem explorados no curso de graduação, assim como nas residências gerais. Portanto, o médico do atendimento primário é capaz de identificar um linfonodo aumentado/suspeito e sintomas estruturais ou clínicos suspeitos para o linfoma”, ela diz.

Além do aumento dos linfonodos, outros sintomas de linfoma são: febre, coceira, suor noturno e perda de peso sem motivo aparente.

Diagnóstico tardio de linfoma

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“Assim, esse atraso no diagnóstico ocorre principalmente pela demora no acesso aos serviços de saúde para realização de diagnóstico e no acesso ao serviço para tratamento. Após realizar os procedimentos e o diagnóstico, ainda há outra fila que o paciente é encaminhado: a do CACON, Centro de Referência em Câncer, onde ele será efetivamente tratado”, a médica explica.

De acordo com o mesmo estudo do Observatório de Oncologia, a quantidade de homens diagnosticados tardiamente (60%) foi maior que a de mulheres (57%). Da mesma forma, eles são maioria em relação à taxa de mortalidade, representando 55% das mortes ocorridas no período analisado.

Isso pode ser explicado, não só por alguns subtipos de linfoma atingirem preferencialmente homens, mas também pelo cuidado com a saúde. Isto é, mulheres realizam exames com mais frequência que homens.

“Aos 40 anos, as mulheres já começam a fazer exames, como ultrassonografia, mamografia. Com isso, é possível identificar linfonodos axilares e não habituais. Além disso, são realizados outros exames ginecológicos que podem identificar linfonodos não habituais”, a Drª. Talita exemplifica.

Por outro lado, a médica considera que o conhecimento da população sobre a doença não influencia no diagnóstico tardio. “Quando uma pessoa apresenta febre, caroços aumentados e prurido, ela classicamente procura auxílio médico. ”

Ela ainda reforça que, “os médicos precisam estar preparados para situações como essa desde a formação na graduação de medicina.”

Diagnóstico de linfoma de Hodgkin

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Apesar dos números serem significativos, a Drª. Talita informa que é difícil fazer uma comparação entre os diagnósticos dos dois tipos de linfoma.

Normalmente, o paciente de LH apresenta os sintomas característicos desse tipo de câncer. Sendo que, muitas vezes, eles estão presentes desde o início da doença, facilitando o diagnóstico.

Entretanto, no caso do LNH, existem vários subtipos, cada um com as suas características específicas e formas de ação. Por exemplo, se ele é um linfoma indolente ou agressivo.

“Esses dois grupos não podem ser analisados na mesma categoria, já que os sintomas do LNH demoram mais para aparecer. Mesmo na medicina privada geralmente o paciente já chega em um estágio mais avançado”, a médica diz.

Tratamento de linfoma

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Ou seja, primeiro, há a dificuldade em ter acesso ao atendimento secundário, no qual a biópsia é realizada e analisada. Em seguida, depois de receber o diagnóstico, o paciente ainda precisa chegar ao atendimento terciário para poder começar o tratamento. Dessa forma, ele precisa ser encaminhado duas vezes, podendo atrasar tanto o diagnóstico quanto a intervenção terapêutica.

“A realização dos exames para iniciar o tratamento, como estadiamento, sorologia etc. é mais demorado no SUS do que no setor privado. Entretanto, normalmente, quando o paciente chega ao setor terciário, o início da terapêutica é relativamente rápido. Mesmo que faltem recursos”, finaliza a Drª. Talita Maira Bueno da Silveira.

 

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