skip to Main Content

Qual é o tipo de leucemia mais grave?

Pessoa Preocupada No Médico
Compartilhe

A gravidade da doença determina o tratamento, mas, nem sempre quer dizer que aquele câncer é mais perigoso

Escrito por:

Natália Mancini

Não há, especificamente, um tipo de leucemia mais grave. Mas, por conta da forma que a doença se apresenta, é possível dizer que as leucemias agudas são as mais graves em geral. Entretanto, a gravidade não está, necessariamente, ligada à complexidade do tratamento e, principalmente, não está diretamente relacionada à uma maior letalidade.

O Dr. Nelson Hamerschlak, médico hematologista e membro do Comitê Científico Médico da Abrale, lembra que a leucemia é, na verdade, um grupo de doenças malignas das células do sangue e que cada um dos subtipos é distinto um do outro, sendo eles: leucemia mieloide aguda (LMA); leucemia linfoide aguda (LLA); leucemia mieloide crônica (LMC) e leucemia linfoide crônica (LLC).

No caso das leucemias crônicas, as células doentes são maduras e suas funções estão preservadas. Enquanto que, nas leucemias agudas, elas são imaturas e não têm capacidade de realizar as suas funções normalmente. 

“Por isso, na apresentação, as leucemias agudas mieloides e linfoides são as mais graves. No entanto, mesmo entre as agudas existem tipos diferentes e pode haver distinção de gravidade entre elas. Dessa forma, jamais comparamos uma leucemia com outra. Mesmo duas iguais podem se comportar diferentemente dependendo do paciente”, o Dr. Hamerschlak afirma.

Isso acontece, especialmente, no caso da LMA, que, dependendo de fatores genéticos da célula doente, pode ser mais ou menos grave.

O tipo de leucemia mais grave ainda pode variar de acordo com a idade do paciente.  O hematologista exemplifica contando que a LLA em crianças é curável com quimioterapia em mais de 90% dos casos. Nos adultos jovens, os resultados chegam a mais de 70% com o uso de esquemas pediátricos. Nos idosos os resultados são menos favoráveis, mas novas formas de tratamento parecem promissoras. 

A LMA também é mais grave em idosos, porém novas terapias estão revertendo essa tendência.

Qual o tipo de leucemia menos grave?

“As leucemias crônicas, de modo geral, são menos graves pois as células são funcionantes. Obviamente há exceções”, o médico fala.

De acordo com o especialista, na leucemia mieloide crônica, com o uso dos inibidores de tirosina-quinase é possível controlar a doença, alcançando uma espécie de cura funcional. Já na leucemia linfoide crônica, em muitos casos, não é preciso nem utilizar medicamentos, realizando apenas o acompanhamento médico, chamado de “Watch and Wait”. E, quando há a necessidade de tratamento medicamentoso, as drogas disponíveis são bastante efetivas.

Mulher Sentada Em Uma Cadeira No Consultório Médico
Leia também:

Gravidade, tratamento e chances de cura

É importante lembrar que, atualmente, há diversos tipos de tratamentos disponíveis. Por isso, em muitos casos, a leucemia tem cura ou pode ser controlada, permitindo que o paciente tenha uma boa qualidade de vida. Isso vale mesmo quando a leucemia é grave.

“Nós procuramos adaptar os tratamentos à gravidade de cada caso”, o Dr. Hamerschlak ressalta.

Pessoa Com Leucemia Fazendo Avaliação Com Um Profissional De Saúde

Então, atualmente, ao diagnosticar uma leucemia aguda, são feitos os exames para identificar as características genéticas da célula doente, para saber quão grave ela é e se é de bom ou mau prognóstico – as individualidades do paciente também são levadas em consideração para determinar essas questões. 

“Quando elas são de prognóstico ruim, o transplante de medula óssea ou as novas terapias com modificação genética das células T passam a ser as alternativas mais adequadas”, diz o médico. No caso das leucemias agudas que não apresentam a resposta esperada ao tratamento inicial, também é analisado se é possível indicar o paciente ao transplante para aumentar sua chance de cura.

Por outro lado, para as leucemias crônicas, que são, em geral, menos graves, o transplante raramente é indicado. Quando são doenças refratárias ao tratamento, é preciso procurar outras linhas terapêuticas. 

Para todos os casos, independentemente de ser uma leucemia aguda ou crônica, quando a doença é recidiva e/ou refratária, o tratamento se torna mais intenso.

“O nosso objetivo, como hematologista, é tratar com base no risco-toxicidade. Dessa forma, normalmente, tentamos os tratamentos menos tóxicos para então adotar os mais intensos com maior risco”, o Dr. Nelson Hamerschlak esclarece. 


Compartilhe
Receba um aviso sobre comentários nessa notícia
Me avise quando
4 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments

Sou paciente LMC

Fui diagnóstico Com lmc ainda não comecei o tratamento

Escrito por:

Natália Mancini

Back To Top