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Da aflição ao aprendizado: a história da paciente de linfoma que viu na doença o impulso para evoluir

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Priscila demorou para descobrir a doença e precisou iniciar o tratamento com urgência. Mas, viu na sua situação, uma oportunidade de ajudar o próximo

Escrito por:

Natália Mancini

O momento do diagnóstico de um câncer pode ser assustador, mas descobrir que você tem uma doença que não sabia da sua existência, pode causar ainda mais medo. Foi assim que a jornada da Priscila Lima Machado, ex-paciente de linfoma e advogada, começou. 

Na verdade, o início aconteceu três meses antes, quando Priscila passou a sentir muita fadiga e sua imunidade caiu. 

“No início pensamos que era alguma deficiência nutricional, pois eu sempre fui acompanhada por uma nutricionista”, ela relembra.

Mas, o tratamento proposto não estava trazendo os resultados esperados e, além disso, durante o banho, a advogada percebeu que havia aparecido um “caroçona axila. Como próximo passo, ela decidiu procurar uma endocrinologista para investigar se poderia ser algo relacionado aos hormônios. 

“Após vários exames, ela me encaminhou para o mastologista, pois tenho histórico de câncer de mama em minha família”, Priscila conta.

O primeiro exame solicitado pelo especialista foi um ultrassom do linfonodo aumentado, o carocinho na axila. Durante a realização do exame, a médica fez a avaliação dessa área e também analisou locais próximos. “O resultado”, diz a advogada, “foi assustador”. Foram encontrados diversos outros linfonodos alterados que não eram palpáveis nem visíveis. 

Foi feita a punção desses “carocinhos” e, para a surpresa de todos, o teste indicava que não era um câncer. Por isso, o mastologista concluiu que eram cistos benignos. Mas Priscila notou que o carocinho continuava crescendo e resolveu buscar uma segunda opinião médica

“O outro mastologista que me examinou pediu novos exames, dentre eles o PET SCAN, e foi então que o resultado assustou a todos nós. Eu tinha vários linfonodos alterados pelo corpo inteiro. Essa é a pior parte do tratamento, pois você não entende o que está havendo em seu próprio corpo!”

Depois de tantos exames, o diagnóstico de linfoma chegou

Depois de descobrir os diversos linfonodos alterados por todo o corpo, Priscila fez a biópsia cirúrgica e descobriu o linfoma não-Hodgkin de células T

A forma que ela se sentiu nesse momento podia ser resumida em uma palavra: aflita. 

“Eu jamais havia ouvido a palavra ‘linfoma’ ou ‘linfonodos’, o que me assustou muito de início! No começo tudo nos assusta muito, é tudo muito novo, não sabemos nada e aquele boom de informações nos deixa ainda mais angustiados. Imagine você ser diagnosticado com um câncer que nunca ouviu falar? Foi o primeiro caso de linfoma em minha família, e nunca havia conhecido ninguém que tivesse, então me senti perdida.”

Sem entender direito o que estava acontecendo ou o que iria acontecer dali para frente, ela saiu do consultório médico aos prantos repetindo para si mesma que não queria morrer.

Seguindo as orientações do mastologista, Priscila procurou um onco-hematologista para poder dar início ao tratamento.

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A jornada como, oficialmente, uma paciente de linfoma 

“Me lembro que quando a hematologista pegou o meu resultado da biópsia, ela disse para que eu fosse em casa, pegasse minha mala, e em seguida fosse para o hospital internar, pois já iríamos iniciar as quimioterapias”, recorda.

O primeiro protocolo para o tratamento do linfoma foi o R-CHOP (Rituximabe, Ciclofosfamida, Doxorrubicina, Vincristina e Prednisona), mas a resposta não foi a esperada e, após quatro meses, foi substituído pelo protocolo ICE (Ifosfamida, Carboplatina e Etoposídeo).

“Em seguida a hematologista sugeriu o transplante de medula óssea (TMO). A boa notícia era que eu poderia fazer o transplante autólogo. E assim fizemos”, a ex-paciente de linfoma fala.

Essa, para ela, foi a parte mais difícil do tratamento por exigir a realização de uma grande quantidade de quimioterapias fortes e um mês de internação para o preparo. Sendo que, após o TMO, ela ainda foi submetida à radioterapia. 

“Todo esse processo durou cerca de um ano e durante ele meus pais estavam comigo e me deram todo o apoio, me ajudaram, e me acompanharam durante todo o tratamento. Sou muito grata a todos os meus familiares e amigos, o amor da Abrale neste momento, que me deu forças para ir atrás de uma ‘solução’ para aquele diagnóstico assustador”, Priscila relata.

Quando foi fazer o PET SCAN, enquanto ainda realizava a radioterapia, a médica havia alertado que, provavelmente, apareceriam alterações no exame devido à própria radio e o transplante. 

“Mas para a surpresa de todos, meu transplante veio zerado! Chorei muito nesse dia, foi emocionante. Estou em remissão há 2 anos já!”

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Um novo tom, uma nova cor

“Aprendi a dar valor às coisas simples, como poder respirar fundo fora de um hospital, sentir o calor do sol na nossa pele. Sentir o cabelinho crescendo e se movendo com o vento”, Priscila confessa. 

Ela ainda diz que também aprendeu a importância do trabalho voluntário e do carinho ao próximo e decidiu que ajudaria da maneira que fosse possível.

“Durante meu tratamento precisei usar máscaras e as pessoas tinham muito preconceito quanto a isso (houveram casos em que as pessoas saiam de perto de mim, riam, olhavam estranho). Foi então que eu e minha mãe tivemos a ideia de costuramos máscaras de tecidos coloridos e divertidas, para que as pessoas com imunidades comprometidas pudessem usá-las durante seus tratamentos. Foi um grande sucesso. Hoje temos o Projeto Um Novo Olhar, que já distribuiu máscaras no Brasil e em outros países”, a ex-paciente de linfoma conta. 

Atualmente, além de entregar máscaras para pacientes oncológicos, ela também faz a distribuição em hospitais públicos, creches, asilos e moradores de rua.  

“Creio que o câncer me propiciou essa oportunidade de poder ajudar ao próximo, de poder evoluir como ser humano e levar esse carinho ao próximo! O câncer com certeza não foi um caminho fácil. Mas, não foi o ponto final em minha vida, foi um aprendizado e uma grande evolução pessoal. A vida ganhou um novo significado, um novo tom, uma nova cor”, Priscila Lima Machado conclui. 


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9 Comentários
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Que história! E em muitos momentos me identifico.
O diagnóstico de linfoma ainda é um drama, muitas vezes, seja pela dureza em receber, seja pela demora.
Priscila, você é guerreira! E, Natália, belo texto!!!!
Valeu muito o dia.

Que história inspiradora! Meu início tbm foi bem difícil, sou paciente com Linfoma Não Hodgkin, de grds células B. Estou a caminho da 4a. quimioterapia e sigo confiante na vitória e aprendendo muito com os desafios diários. Gratidão por compartilhar sua trajetória de sucesso e prosperidade.

aqui estou na saga diagnostico fiz pet tc tomografia imunofenotipagem todos com alteracoes inespecificas gastro reacao cravicula mas medica nada me disse deu vitamina d que esta deficiente eu pedi biopsia do linfonodos cervicais submandibular ela desconversou olhou pra mim disse nao iria fazer .Dr sro sabe porque ela se negou encaminhar

Andreia,
em 2020 fui diagnosticado com Linfoma grandes celulas B lesão retroperitonio ., nunca tive nada …
Fiz 6 ciclos de quimioterapia e depois 15 sessões de Rádio .para consolidar o tratamento
Tudo vai passar já deu certo !
Linfoma tem cura !

Há três meses percebi o crescimento de um nódulo na base do pescoço ( região cervical)… Como sou formada em Ciências físicas e biológicas, formação em análise clínica… Me senti fora do chão…
Procurei um especialista em cabeça e pescoço, já com o coração nas mão. Mas com a fé mais firme que já tive na vida. Conversamos e eu disse pra ele que já previa um câncer. Mas queria poder saber aonde, e tudo que ele descobrisse. Acordo feito, fizemos a remoção, biópsia, exames auxiliares… No ultrassom abdominal, a médica aí mencionar “linfonodos no fígado, vesícula…” Já fui concluindo o resultado…
Saí da clínica agora prantos, brigando com Deus porque eu sempre cuidei da minha saúde… Brigando comigo, por não ter percebido nenhuma modificação… Chorando por imaginar, desencarnar num momento em que eu considerava o meu momento…
Chorei muito muito, sozinha na rua…

Respirei fundo e falei para Deus: “só me deixe entender o que está acontecendo, onde foi que eu errei. Se o Senhor me deu essa missão, estava comigo até o final, por piedade”.

Disse pra mim: ” mais uma missão que você terá que cumprir, e cumpri muito bem feita, lembra?! Ser doente educado!”

Chequei em casa, e contei para o médico, enviei fotos… Contei para o namorado e choramos juntos… Mas o homem que está comigo, me abraçou e disse:”Você não está sozinha, eu estou aqui… Estamos juntos”.

Contar para os filhos… Ah, meu Deus! Segura nas minhas mão! Surpresa, minha filha havia olhado os resultados da biópsia e já sabia… Choramos abraçadas, e eu triste por ela carregar todo o peso da notícia sozinha.

Começaram as corridas atrás de oncologista e mais e mais exames…
Encontrei um anjo. Aline Murtha. Oncologista, pessoa.
Deus estava guiando e cuidando de mim…

Até agora, todos os profissionais que me atenderam, foram pessoas especiais, frio encaminhada para um estudo no INCA, e nesta semana, devo iniciar meu tratamento… Sempre tive uma vida saudável, atleta desde os oito anos, acompanhamento nutricional… E agora aos 54, forte para lugar por esse “amigo invisível, que tem me trazido tantas mensagens de carinho, meus amigos declaram sua atenção, amor e preocupação.. Me recordam que sou importante e que olhar para minha vida é um prazer… Me lembram que meu trabalho é importante e que de alguma sorte estou fazendo a diferença para muitos… Sem vaidades… Tudo que me disseram e me dizem está na fortalecendo para vestir meu coração de gratidão e brigar muito com meu “amigo invisível”… Já disse pra ele, que ele está liberado para sair do meu corpo e que já realizou a missão dele, que era me despertar…

E assim, feliz, tranquila, com tanta gratidão e carinho, me dirijo a quem ler esse texto e está se sentindo triste… O câncer não me define… O quê eu faço com a notícia, com a vida, o impacto dele no contexto, sim… E amo a vida, amoooooo viver, mas se tiver que partir, Será com a mesma certeza de que Deus não abandona seus filhos, ele cuida.

Bora tratar, viver cada dia como único, amar muito, cuidar de si, se valorizar os tudo até aqui.
Schirlei de Cassia.
@schirleicassia

Escrito por:

Natália Mancini

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