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Dr. Fernando Maluf no Monte Kilimanjaro: uma caminhada pela vida

Dr. Fernando Maluf
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Dr. Maluf homenageia seus pacientes oncológicos durante expedição à montanha mais alta da África

Escrito por:

Tatiane Mota

Dr. Fernando Maluf é conhecido no Brasil e no mundo por sua excelência na Oncologia. Doutor em Ciências/Urologia pela Faculdade de Medicina da USP, é diretor do Serviço de Oncologia Clínica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Ele também é professor, autor de artigos e livros publicados em diferentes países e fundador do Instituto Vencer o Câncer.

Em seu currículo, também é possível adicionar mais uma conquista: escaladas para superar desafios e homenagear seus pacientes.

Tudo começou em 2019, quando ele e sua irmã, Veridiana Maluf, junto a uma expedição de 20 pessoas e um grupo de brasileiros, liderado por Manuel Morgado, chegaram ao Base Camp do Everest, montanha na qual se encontra o ponto mais alto do mundo. Foi nesse momento, inspirado pela paisagem do Himalaia, e por todas as experiências que viveu ao longo da escalada, que decidiu seu próximo desafio: chegar ao cume da montanha mais alta da África, o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia.

Nesta entrevista, Dr. Fernando Maluf conta como foi vivenciar diferentes emoções durante a caminhada de sete dias, no mês de janeiro deste ano, em situações bastante desafiadoras.

Preparo físico e mental do Dr. Fernando Maluf

Oncologista Fernando Maluf Monte Kilimanjaro

Dr. Fernando Maluf – Uma viagem como essa requer um preparo físico muito intenso, que envolve não só a parte de exercícios aeróbicos, mas também anaeróbicos, que são aqueles que treinamos para conseguir subir as montanhas, não só pelos movimentos de subida, mas também por causa do ar rarefeito. Esses exercícios são complementados pela musculação, que deve ser absolutamente intensa e bem equilibrada, para permitir que as pernas, a musculatura ea proteção adequada da articulação, sejam um ponto forte, e não de fragilidade. Então, os treinos envolviam subir escadas e rampas, com ou sem peso, com ou sem mochila.

Dr. Fernando Maluf – Eu diria que o preparo emocional é tão importante quanto o físico. E o motivo disso, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, tanto na expedição do Base Camp do Everest, quanto na expedição ao cume do Kilimanjaro, uma das partes mais dolorosas não é a caminhada em altitude e com ar rarefeito durante o dia. Isso porque, durante o dia nos entretemos com as pessoas, com  grupo da expedição – no caso do Everest, os Sherpas e os carregadores, e no Kilimanjaro, o grupo de expedição, de funcionários da Tanzânia. Mas o ponto mais importante, ou talvez o ponto mais difícil, é quando você para de caminhar. Geralmente, vamos dormir cedo, por volta das seis horas da tarde, porque escurece bem cedo. Também vamos dormir com temperaturas de -15°C ou -20°C. Ou seja, são aquelas 12 horas totalmente intensas, que demoram para passar e que você reza para chegar logo no dia seguinte, quando o sol nasce, para poder começar novamente a caminhada. Esse controle emocional, essa força, é o que nos leva a ter resiliência para poder fazer uma expedição como essa, de muito e muitos dias, que durante todo o trajeto você passa por buracos, pedras, campos irregulares, temperatura desfavorável. A força mental é muito importante para nos ajudar a chegar ao cume com segurança.

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Após uma longa caminhada, é possível chegar ao cume!

Os desafios enfrentados pelos pacientes com câncer são bastante parecidos com aqueles que surgem durante uma caminhada ao Kilimanjaro:

Preparo físico e mental: tanto para caminhar, quanto para iniciar as sessões de quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, será preciso trabalhar o corpo e a mente para que os bons resultados aconteçam lá na frente. Alimentar-se bem, fazer exercícios físicos, seguir as orientações do médico, procurar apoio de um psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e terapias complementares são algumas dessas etapas.

Oncologista Fernando Maluf Monte Kilimanjaro

Obstáculos: a caminho do Kilimanjaro é preciso enfrentar ar rarefeito, baixas temperaturas, superfícies irregulares. Já no tratamento contra o câncer, o paciente poderá enfrentar efeitos colaterais, mudanças no corpo, no cotidiano. Também podem surgir problemas no acesso aos exames e medicamentos, além de uma recidiva, quando acontece a volta da doença.

Chegada ao cume: assim como chegar ao cume do Kilimanjaro é uma realidade para quem o escala, vencer o câncer também é possível! A ciência avança a cada dia e os desfechos clínicos estão cada vez mais positivos, tornando a cura da doença, com qualidade de vida, totalmente factível

Seis curiosidades sobre o monte kilimanjaro

  1. É a maior montanha da África e fica situada na Tanzânia
  2. É também a maior montanha isolada do mundo!
  3. Com 5.895 metros de altitude, fica praticamente na linha do Equador
  4. É um dos vulcões mais altos do mundo
  5. Está a mais de 4.500 metros verticais acima das planícies das savanas
  6. Possui três grandes crateras: Shira (4.140 m), Mawenzi (5.250 m) e Kibo (5.895 m).
Monte Kilimanjaro

A escalada do Dr. Fernando Maluf

Oncologista Fernando Maluf Monte Kilimanjaro

Dr. Fernando Maluf – Existe o caminho de três dias e o de sete dias. O motivo de escolher fazer os sete dias, além de conhecer a segunda montanha mais alta do parque, a Mawenzi, é que permite uma aclimatação mais adequada, diminuindo o tempo de doença de altitude, que é muito perigosa, começa lentamente com sintomas inespecíficos, e, se não reconhecida adequadamente, pode levar a complicações graves, inclusive à morte por edema cerebral e pulmonar. Então, fiz a caminhada mais longa, com cerca de 100km. 

Dr. Fernando Maluf – O dia que chamamos de “ataque ao cume” foi o último dia da caminhada. Nós andamos numa altitude muito importante e saímos do acampamento base à meia-noite, em uma caminhada noturna, que durou até às 8h da manhã, sem parar. Era fundamental sair à noite para poder chegar ao cume durante o dia e lá fazer os agradecimentos. 

Dr. Fernando Maluf – Meus agradecimentos foram voltados aos meus pacientes, que foram a minha força para chegar ao cume. A luta deles do dia a dia, a guerra contra o câncer, a resiliência, o foco, o comprometimento, me inspiram. E eu fiz muito pouco perto do que eles fazem, mas ao mesmo tempo, consegui passar uma mensagem de força, fé e otimismo para todos que estão enfrentando momentos difíceis e de grandes desafios.

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Experiência transformadora

Oncologista Fernando Maluf No Cume Do Monte Kilimanjaro

Dr. Fernando Maluf – Minha experiência na Tanzânia foi única. Isso porque o meu maior interesse, além de chegar ao cume do Kilimanjaro, era conhecer a cultura desse maravilhoso povo, que é regado de afeto, gratidão, de compromisso profissional. E eu, literalmente, andava passo a passo, com 60 membros da expedição africana, que nos ajudaram muito, levando as barracas, os mantimentos, como comida e água, e parte das malas, durante todo esse trajeto, além dos guias. Eu criei vínculos de amizade, que mantenho até hoje. Essas pessoas são simples, mas grandiosas. Pessoas humildes, mas especiais e únicas. E eu não tenho dúvidas que cada uma delas tornaram minha viagem especial. Sem elas não teria valido a pena. Elas tornaram minha viagem única, emblemática, exemplar, que vou levar para toda a vida.

Dr. Fernando Maluf – Antes de subir o Kilimanjaro, nós passamos um dia para conhecer a tribo Massai, a mais populosa de toda a Tanzânia e de todo o Quênia. Uma tribo de costumes muito únicos, dentro da África, mas que é regida pela hierarquia, divisão de funções, pelo cuidado com as crianças e pela preservação da natureza. Eu não tenho dúvida que viagens como essa, que nos fazem viver os sentimentos de solidariedade, humanismo, humildade em relação à natureza e às pessoas, do respeito e da gratidão, do esforço e do desafio, nos trazem para um ponto de melhoria. É uma viagem transformadora e voltamos pessoas melhores, não só pelos desafios físicos e mentais, mas por ter a liberdade de ser literalmente ajudado, de ser amparado por pessoas que jamais conheceríamos e que são, infelizmente, desprovidas de condições socioeconômicas adequadas, mas que sem elas, não chegaríamos aonde chegamos. Pessoas que foram uma escola na minha vida, e que levo no coração.

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Próximos desafios

Revista ABRALE – Você já tem uma nova missão em mente? 

Dr. Fernando Maluf – Como próximo plano, em 2024, quero ir para a Mongólia.

Oncologista Fernando Maluf No Cume Do Monte Kilimanjaro

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