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A radiação pode causar câncer?

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Em série da Netflix, personagens têm sintomas comuns às leucemias agudas após serem expostas ao Césio-137

Escrito por: Juliana Matias

Na segunda metade de março, foi lançada na Netflix a série “Emergência Radioativa”, sobre o acidente com Césio-137, que ocorreu em Goiânia. Após a exposição e até a ingestão de Césio, algumas personagens têm sangramentos pelo nariz e pela boca, sintomas também comuns nas leucemias agudas. Mas, será que a radiação do Césio-137 pode causar câncer?

Entenda o Césio-137

Antes de tudo, primeiro vamos explicar o Césio-137: é um isótopo radioativo, ou seja um tipo de átomo, usado no tratamento do câncer a partir da radioterapia.

Em setembro de 1987, em Goiânia, trabalhadores manusearam de forma incorreta um aparelho de radioterapia abandonado, e gerou um acidente radioativo de forma indireta e direta a centenas de pessoas da região.

Segundo informações do Governo de Goiás, com a violação do equipamento, foram espalhados no meio ambiente vários fragmentos de 137Cs, na forma de pó azul brilhante, provocando a contaminação de diversos locais, especificamente naqueles onde houve manipulação do material.

Na série, quando as pessoas contaminadas já estão sob cuidados médicos, sofrem alguns sangramentos pelo nariz e vomitam sangue, devido aos efeitos da radiação. Em leucemias agudas, os sintomas são bem parecidos, algumas pessoas podem, até mesmo, chorar sangue.

A radiação pode causar leucemia?

Oren Smaletz, oncologista do Einstein Hospital Israelita, comenta que sim, a radiação causa câncer. Ele explica que a radiação solar, por exemplo, é uma das principais causas do câncer de pele.

De acordo com Cassio Pellizzon, Head de Radiologia do A.C.Camargo Cancer Center, “o tempo que leva para que uma pessoa desenvolva um câncer após ser exposto à radiação vai depender da dose, tipo de radiação, local da exposição do corpo, fatores genéticos”.

Em relação à leucemia, um dos problemas é que as células da medula óssea são um dos tecidos mais sensíveis à radiação no organismo, segundo Pellizzon. Isso porque essas células estão em constante multiplicação para repor as células do sangue. “O DNA fica instável na hora que está ocorrendo a duplicação das células e elas acabam expostas a qualquer agente, não somente à radiação”, relata Smaletz.

Após a exposição a altas doses de radiação, as células da medula podem parar de funcionar adequadamente ou se reproduzir desordenadamente.

O câncer do sangue, como a leucemia, acontece quando alguma das células da medula se reproduz desordenadamente. Já quando a medula começa a produzir as células em menor velocidade, muitas vezes pode ser só uma resposta da radiação.

“Mas, eventualmente, pode ser também uma mielodisplasia, que apresenta uma medula óssea ineficaz e acaba se comportando um pouco como uma leucemia”, explica Smaletz.

A radioterapia pode causar câncer?

O Césio-137 radioativo foi encontrado em uma máquina abandonada de radioterapia. Se o elemento radioativo pode causar câncer, a radioterapia também pode?

“A radiação recebida de forma descontrolada pode causar o câncer. Já a usada de forma controlada pelo rádio-oncologista trata o câncer. Mas, é importante lembrar também que algumas pessoas com síndromes genéticas podem desenvolver um segundo tumor decorrente da radioterapia”, diz Pellizzon.

Ainda assim, a exposição durante a radioterapia é segura!

“O tratamento é controlado. A radioterapia é limitada a determinados segmentos anatômicos”, explica Pellizzon. No acidente com o Césio-137, não havia controle da exposição.


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