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Todo paciente que fizer o TMO terá DECH?

DECH
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Na DECH as células do doador estranham o corpo do paciente e o atacam. A doença é a principal complicação no pós-transplante de medula óssea

Escrito por: Juliana Matias

A DECH é uma doença que acontece somente com pessoas que fizeram um transplante de medula óssea (TMO). Isso significa que toda pessoa transplantada terá DECH? Entenda nesta matéria.

O que é DECH?

A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) acontece quando a medula do doador estranha as células do corpo do paciente. Com isso, a nova medula passa a atacar as células do paciente.

Morgani Rodrigues, hematologista responsável pelo ambulatório de DECH do Einstein Hospital Israelita, explica que “é como se o novo sistema imunológico não reconhecesse o corpo onde foi colocado”.

Todo transplantado terá DECH?

A hematologista informa que nem todo paciente transplantado necessariamente terá DECH. “Mas a doença é frequente e é a principal complicação no pós- transplante”, relata.

Segundo Rodrigues, dependendo do tipo de transplante e da profilaxia, entre 30 e 50% dos transplantados podem desenvolver DECH aguda e entre 40 e 60% dos sobreviventes a longo prazo desenvolvem algum grau de DECH crônica.

Fatores de risco

Algumas características podem ser um fator de risco para o desenvolvimento da DECH. A hematologista cita:

  • Maior diferença de compatibilidade entre doador e receptor, principalmente doador não aparentado;
  • Uso de células de sangue periférico, em vez de medula ou cordão umbilical, que trazem mais linfócitos T;
  • Idade mais avançada do receptor e às vezes do doador;
  • Sexo feminino doadora para receptor masculino, principalmente se ela já teve gestações;
  • Intensidade do condicionamento;
  • Tipo de profilaxia para a DECH.

Outros fatores são a ocorrência de infecções e inflamações no período pós-transplante. A médica conta que até mesmo se expor ao sol pode facilitar que as células do doador fiquem mais ativas e reajam contra o paciente.

Sintomas de DECH

É importante que os pacientes conheçam os principais sintomas “para estar em alerta caso eles venham a aparecer e procurar o médico o quanto antes”, frisa a hematologista. Os sintomas mais comuns da DECH, conforme Rodrigues, são:

  • Pele: manchas avermelhadas, coceira, pele seca ou endurecida, sensação de pele ‘apertada’;
  • Olhos: sensação de areia, ardência, vermelhidão, necessidade de usar colírio lubrificante várias vezes ao dia. Não conseguir ficar na luz e no vento;
  • Boca: secura, dor, feridas, dificuldade para comer alimentos secos ou ácidos;
  • Intestino: diarréia persistente, dor abdominal, perda de peso. Dificuldade para engolir alimentos e remédios;
  • Fígado: cansaço, pele amarelada, coceira generalizada, alteração nos exames de sangue;
  • Pulmão: tosse seca, cansaço aos esforços, falta de ar;
  • Articulações e músculos: rigidez, dificuldade para alongar braços e pernas.

A hematologista ressalta que, caso note qualquer um desses sintomas depois de um TMO alogênico, “o paciente deve avisar a equipe de transplante o quanto antes, mesmo que os sintomas pareçam leves”, afirma e acrescenta: “Não é recomendado ajustar ou suspender por conta própria os remédios imunossupressores”.

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