Qual a diferença entre DECH aguda e crônica?
Atualmente, os médicos estabelecem outros critérios, além do tempo de manifestação, para a DECH aguda e crônica
Antigamente, as diferenças entre a forma aguda e crônica da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) eram definidas pelo tempo em que elas se manifestavam no pós-transplante. Com o avanço da Medicina, notou-se que o tempo não era um bom critério para essa classificação. Então, quais são as diferenças entre DECH aguda e crônica? Explicamos aqui nesta matéria.
O que é DECH?
Antes de conhecer as diferenças, é importante que você entenda a DECH, uma doença que acontece somente com pessoas que fizeram um transplante. Ela acontece quando a medula do doador estranha as células do corpo do paciente, e passa a atacá-lo.
Morgani Rodrigues, hematologista responsável pelo ambulatório de DECH do Einstein Hospital Israelita, explica que “é como se o novo sistema imunológico não reconhecesse o corpo onde foi colocado”.
A DECH pode ser aguda ou crônica e, segundo a hematologista, essa diferença se baseia na forma como a doença se apresenta clinicamente. “Antigamente, se diferenciava pelo tempo: por exemplo, até 100 dias pós-transplante era considerada aguda e depois disso crônica, mas ambas podem acontecer em ambos os períodos de tempo”, comenta Rodrigues.
Como é a DECH aguda?
Segundo a hematologista, a DECH aguda é caracterizada por atingir, na maioria das vezes, a pele, com manchas e vermelhidão, e o intestino e o fígado, com alterações de exames e icterícia. “Se assemelha a uma reação inflamatória”, informa.
Os principais tratamentos para a DECH aguda são os corticóides sistêmicos. “Nas formas leves de sintomas na pele, usa-se corticoide tópico, fototerapia, tacrolimus tópico”, relata Rodrigues.
Já para as formas mais resistentes da doença, a hematologista afirma que podem ser usados imunossupressores, como o ruxolitinibe, ou agentes que adaptam o sistema imunológico para que ele não ataque o próprio corpo, como os imunomoduladores com fotoferese extracorpórea.
Em relação ao prognóstico, a hematologista relata que, quando a DECH aguda é leve e tratada cedo, costuma responder bem. Já os “quadros graves com estágios mais avançados podem aumentar a mortalidade logo após o transplante”, diz.
Como é a DECH crônica?
A DECH crônica, segundo Rodrigues, é parecida com manifestações autoimunes e pode afetar qualquer órgão. Os sintomas podem causar:
- pele endurecida;
- olho seco;
- boca seca;
- falta de ar;
- rigidez articular;
- perda de peso;
- diarreia;
- estreitamento do canal vaginal.
Na primeira linha, o tratamento para a DECH crônica envolve corticóides associados com outros imunossupressores. “Se não houver resposta ou se há dependência de doses altas, existem terapias específicas aprovadas, como ruxolitinibe, belumosudil, ibrutinibe e axatilimabe”, afirma a hematologista.
Os imunomoduladores com fotoferese extracorpórea e tratamentos locais, como colírios, pomadas, fisioterapia, também podem ser usados como terapia para a DECH crônica e para manter a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo Rodrigues, a maioria dos casos de DECH crônica “é leve ou moderada e melhora com tratamento. Mas as formas mais graves, que são a minoria, podem impactar a qualidade de vida e reduzir a sobrevida a longo prazo”.
Alguns pacientes com a DECH crônica podem demorar para atingir ‘a cura funcional’. “Dizemos que atingiu a tão sonhada imunotolerância, quando não temos mais o ataque das células do doador”, explica a hematologista e acrescenta: “Cerca de 15 a 20% das pessoas podem necessitar de uso prolongado de imunossupressores, e alguns poucos acabam em tratamento contínuo”.
Rodrigues ressalta que “a DECH é comum, mas cada vez mais tratável”. Para ela, o diagnóstico precoce, acompanhamento próximo e equipe experiente fazem toda a diferença no controle da doença e na retomada da vida após o transplante.





