A mielofibrose é um câncer do sangue?
A doença causa alteração genética e faz com que a medula óssea do paciente seja coberta por um tecido fibroso
Durante muito tempo, alguns cânceres do sangue foram considerados apenas distúrbios na produção de células sanguíneas. Com isso, muitas pessoas não tinham os direitos previstos para os pacientes oncológicos. Entenda nessa matéria se a mielofibrose é ou não um câncer do sangue.
O que é mielofibrose?
A mielofibrose acontece quando a medula óssea é coberta por um tecido fibroso e não consegue mais produzir as células do sangue, como as hemácias e plaquetas. Maria Eduarda Alonso, hematologista do Sírio-Libanês em Brasília, explica que a doença pode ser primária ou “advir de outras doenças hematológicas como a policitemia vera e a trombocitemia essencial”.
Na maioria dos casos, segundo a hematologista, acontecem alterações genéticas nas células-tronco da medula óssea do paciente. Quando o corpo não consegue mais produzir as células do sangue, ele pode “tentar produzir células sanguíneas em outros órgãos, como o baço e o fígado, o que explica o aumento desses órgãos em muitos pacientes”, relata.
Mielofibrose é câncer?
Alonso frisa que, atualmente, a mielofibrose é classificada como um câncer do sangue. “Ela faz parte de um grupo de doenças chamadas neoplasias mieloproliferativas”, afirma.
Porém, segundo a hematologista, durante muito tempo a mielofibrose era entendida como um distúrbio na produção das células do sangue, e não necessariamente como um câncer.
“Com o avanço da pesquisa científica e a descoberta de mutações genéticas associadas à doença, ficou claro que há uma proliferação clonal, de células derivadas de uma única célula alterada, característica dos cânceres”, conta Alonso.
Quais são os tratamentos?
Diversas terapias podem ser combinadas para tratar a mielofibrose. A hematologista informa que a combinação depende de fatores como os sintomas, a idade e o perfil de células doentes do paciente. Os principais tratamentos são:
- medicamentos que ajudam a controlar os sintomas e reduzir o tamanho do baço;
- transfusões de sangue para tratar anemia;
- medicamentos para estimular a produção de células sanguíneas;
- em alguns casos selecionados, o transplante de medula óssea
- terapias alvo, em caso de mutações genéticas.
A mielofibrose tem cura?
A hematologista relata que, atualmente, o único tratamento com potencial de cura para a mielofibrose é o transplante de medula óssea. “No entanto, ele não é indicado para todos os pacientes”, ressalta.
Os pacientes que têm recomendação para o TMO, segundo a hematologista, são aqueles com risco intermediário e alto. Ainda assim, é preciso que o paciente esteja clinicamente bem para o transplante e encontre um doador de medula óssea compatível.
É preciso dizer que, além do operacional, um TMO pode deixar o paciente exposto a alguns riscos, como a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH). Ela acontece quando a medula do doador estranha as células do corpo do paciente e, com isso, a nova medula passa a atacá-las. A DECH é uma das principais complicações pós-TMO.
Outra doença comum no período é o citomegalovírus (CMV), que pertence à mesma família dos vírus da herpes, herpes zóster e catapora. Esse tipo de vírus consegue ficar “adormecido” no organismo e voltar à atividade quando o sistema imunológico está enfraquecido. Em pessoas saudáveis, a infecção pode causar alguns sintomas controláveis, entretanto para pacientes imunossuprimidos, pode ser fatal.
Como é o prognóstico?
Alonso relata que o prognóstico de mielofibrose é variável, algumas pessoas convivem com a doença por muitos anos com poucos sintomas, enquanto outras apresentam evolução mais rápida.
Em cerca de 20% dos casos, a mielofibrose pode evoluir para a leucemia aguda, segundo a hematologista. Quando isso acontece, as células cancerígenas sofrem uma nova alteração genética e as células anormais se multiplicam mais descontroladamente.
“Infelizmente, não há uma forma comprovada de o paciente evitar essa evolução. O acompanhamento regular com o hematologista é fundamental para monitorar a doença e identificar precocemente qualquer sinal de progressão”, informa a especialista.
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