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Girl power: empoderamento das mulheres com câncer!

Empoderamento Das Mulheres Com Cêncer
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O poder feminino também está na saúde. Conheça as histórias de Duda Riedel e Marina Aguiar, mulheres que enfrentaram a leucemia de frente

Escrito por:

Tatiane Mota

Falar sobre o empoderamento das mulheres com câncer, empoderamento feminino, em geral, e a respeito da importância das mulheres na sociedade vem cada vez mais ganhando espaço nos debates. Mas nem sempre foi assim…

Você sabia que até 1962 mulheres casadas só poderiam trabalhar fora de casa se o marido permitisse? Que até 1932 as mulheres não tinham direito ao voto? E que o uso do anticoncepcional chegou a ser proibido? 

Felizmente, muitas coisas mudaram de lá para cá. Especificamente falando sobre o setor de saúde, hoje a mulher tem direito ao acesso integral à realização de exames preventivos como mamografia e Papanicolau, à realização de tratamentos para os diferentes tipos de câncer, ao parto humanizado, dentre outros serviços. 

Mas vamos combinar que a relação entre mulheres e câncer vai muito além dos exames e das consultas médicas. 

Um diagnóstico como este mexe com os sentimentos de qualquer pessoa. Afinal, ainda existem muitos estigmas que envolvem as neoplasias. Mas no público feminino o impacto é maior. Isso porque algumas cobranças também são maiores nessa população: as mudanças estéticas que o câncer pode trazer; as alterações biológicas, como a infertilidade, advinda do tratamento oncológico; mudanças nas rotinas familiares, no trabalho, nos estudos, por conta das internações; alterações nos relacionamentos afetivos…

Claudia De Sillos Matos, psicóloga Hospitalar do Grupo Leforte, aponta que autoestima e autoimagem nas mulheres que enfrentam um câncer são dois pontos de destaque.

“A autoestima considera toda a estima que a mulher tem dela mesma, e não está relacionada somente à beleza, à estética, mas também à autoadmiração, ao autoconhecimento e ao autocuidado. E vemos que esses pontos, nas pacientes oncológicas, acabam sendo um pouco prejudicados devido a questões como desvalia, como um sentimento de perda de identidade e também de não se sentir parte dos padrões cobrados pela sociedade, sejam eles estéticos ou não. Com isso, entramos na outra questão, que é a autoimagem. As pacientes com câncer podem ter mudanças corporais, e passam a ter muita autocrítica, autocobrança, que podem afetar as relações interpessoais”, explica.

Por isso, cuidar da mente é essencial ao longo dessa jornada. 

“Essa mulher precisa se reconhecer de uma maneira total e entender que ela não é só uma doença ou o órgão que foi atingido pelo câncer. Ela é um ser integral, corpo, mente, alma. E todos esses aspectos precisam ser cuidados. Quando vamos no oncologista, cuidamos do corpo, das células, para o que a doença não avance. Mas a mente também precisa ser cuidada, e aí os profissionais da psicologia e da psiquiatria podem ajudar”, fala a psicóloga.  

Empoderamento das mulheres com câncer: uma virada de chave no câncer!

As discussões a respeito dos corpos femininos, sobre o que é um “corpo real”, estão em alta. Isso porque os padrões impostos pela sociedade ficam cada vez mais distantes da realidade e daquilo que é possível se alcançar. Entretanto, os padrões de beleza ainda existem e quando uma mulher se vê fora dele, não é uma situação que costuma ser fácil de lidar. Durante o câncer então, pode ficar ainda mais complicado. 

É o que nos conta Duda Riedel, influencer, escritora, jornalista, atriz e paciente de leucemia mieloide aguda, diagnosticada em 2019, quando ela tinha 24 anos. 

“Enfrentar o câncer não é bom para ninguém, mas o fato de ser uma mulher enfrentando o câncer é ainda um pouco mais angustiante. E ser uma mulher jovem, mais ainda. Eu sentia que estava perdendo um momento da minha vida. Ficava isolada, desligada do mundo. Foi muito doloroso”, conta a escritora.

Duda teve uma leucemia de alto risco e recebeu a indicação de um transplante de medula óssea alogênico, quando é necessário ter um doador.

Isso trouxe uma ansiedade maior, mas ela conseguiu encontrar uma pessoa 100% compatível no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) e em novembro de 2019 fez o procedimento, que deu certo. Mas aí apresentou uma doença no fígado, chamada VOD (Doença Venoclusiva Hepática), e precisou novamente ser internada. 

“Estar dentro de um quarto de hospital, enquanto tantos outros amigos estavam curtindo a vida lá fora, me trazia uma sensação de abandono, de desvalorização. E depois do tratamento acabar, algumas questões ainda persistiam, como as ligadas em relacionamento, de pensar no futuro, da cicatriz do cateter, da menopausa precoce, da careca. Enfim, tudo isso colocava em cheque minha autoestima. E isso era desesperador. Mas com o passar dos dias, quando vamos nos reconhecendo nesse novo corpo, vamos descobrindo a beleza em todo o processo, que não é fácil e nem dá para romantizar, mas é fato que vamos nos descobrindo. Não tem preço você voltar a se olhar no espelho e se enxergar novamente. E a cada fase que vamos nos distanciando do diagnóstico, do tratamento, com o crescimento do cabelo, por exemplo, é um momento diferente”, fala Duda.

A influencer afirma que o tratamento para a mulher com câncer é, sim, doloroso. Mas que é um momento de importantes descobertas. 

“Quando entendemos a importância da nossa vida, começamos a nos amar e a nos ver com outros olhos. E isso para mim foi a virada de chave. Hoje posso garantir, quase 3 anos depois do tratamento, que estou na minha melhor fase. Estou me cuidando mais, me valorizando mais, e me enxergando como o ser humano forte e resiliente que eu sou!”. 

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De paciente à médica hematologista

Uma boa maneira de enfrentar o câncer com força e segurança é conhecer sobre ele. Saber o que é a doença, suas opções de tratamento, qual a melhor maneira de manejar os efeitos colaterais são importantes ferramentas. 

Marina Aguiar foi diagnosticada com leucemia linfoide aguda. Ela cursava Odontologia e nem imaginava que poderia passar por uma situação como essa.

“Eu era uma menina de 18 anos, cheia de sonhos, de projetos. E nesse momento da minha vida tive que passar por um tratamento longo, difícil e doloroso. Cheguei a ser desenganada algumas vezes. Precisei mudar de tratamento, tomar quimioterapias mais fortes, porque minha leucemia foi refrataria. Realmente tive um caminho tortuoso”, conta. 

E foi justamente nesse momento de dificuldades que ela começou a se interessar pela Medicina, mais especificamente pela área de Hematologia. 

“Eu queria atuar em uma profissão na qual eu tivesse a experiência dos dois lados. Ou seja, que eu pudesse saber como era ser a paciente, e como era ser a médica. Então, deixei a Odontologia, fiz Medicina, com especialização na Hematologia e residência no Transplante de Medula Óssea”. 

Hoje, a Dra. Marina atua na Rede Oncoclínicas e é assessora médica no Fleury Brasília. 

“Durante as consultas e o tratamento, quando vejo que o paciente quer desistir, não está otimista, eu conto sobre o que vivi, dou força, tento motivar. Quero mostrar que é possível vencer as batalhas. É preciso aderir ao tratamento e ter uma mente confiante. Eu entendo que as dificuldades vêm para nos fortalecer e mostrar que podemos ultrapassar barreiras. Com toda a certeza, quando vencemos, o sabor da vitória é mil vezes melhor”.

Há 15 anos, a médica está curada, sem tomar nenhuma medicação para a leucemia. E hoje, os cuidados com seu corpo e sua saúde são prioridade.

“Hoje minha alimentação é muito saudável. Faço meus exames médicos de rotina, até para saber se preciso procurar ajuda com algum colega de outra especialidade. Afinal, o diagnóstico precoce de qualquer doença é muito importante. Também faço atividades física, pelo menos 5 vezes na semana. E claro, sempre mantenho em dia os cuidados com a minha mente e da minha saúde espiritual. Eu não me deixei abalar pelo câncer e as mudanças físicas que ele me trouxe naquele momento. Nós, mulheres, não somos definidas pelo nosso externo. O que está em nosso interior é muito mais importante. Uma mulher empoderada, otimista, ultrapassa qualquer situação momentânea que estivermos passando. Somos poderosas e sabemos o que queremos. Então podemos ser médicas depois de um câncer. Podemos ser bonitas durante e depois do câncer. E podemos ser felizes também”, finaliza. 

Siga nossas entrevistadas no Instagram: @dudariedel e @dramarinaaguiar 

Como as mulheres podem se tornar empoderadas:

Preparamos cinco dicas que vão lhe ajudar a se sentir mais poderosa e empoderada durante e depois do tratamento oncológico:

  1. Elimine os sentimentos de culpa. Nem tudo o que acontece nessa vida é causado por você.
  2. Não se compare com os outros. Cada pessoa enfrenta suas lutas e suas glórias de maneiras diferentes.
  3. Confie em si mesma!
  4. Seja mais compassiva com seus erros. Afinal, quem nunca errou que atire a primeira pedra, não é mesmo?
  5. Seja sincera com você. Siga as escolhas que lhe fazem bem.

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Tatiane Mota

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