Por que o transplante alogênico é o mais indicado para leucemia?
No TMO alogênico, o sistema imune do doador também é responsável por matar as células cancerígenas
Quando a medula óssea de um doador é transplantada para uma pessoa com leucemia, ela está exposta a diversos problemas de saúde que, normalmente, não acontecem quando um paciente recebe a medula dele mesmo. Então, por que o TMO alogênico é o mais indicado para o tratamento de leucemia? Entenda nesta matéria.
No transplante de medula óssea alogênico, a medula de um doador é transferida para o paciente. Já no TMO autólogo, a medula do próprio paciente é reinserida nele mesmo.
Sabrina Brant, médica hematologista do serviço de TMO do Sírio-Libanês, em Brasília, explica que os principais efeitos colaterais do transplante autólogo estão relacionados às toxicidades da quimioterapia aplicada antes do procedimento. Pode ser que o paciente precise de transfusões de sangue, sinta náuseas e corra o risco de ter infecções.
Já o TMO alogênico, além dos riscos da toxicidade da quimioterapia, “tem efeitos colaterais mais complexos como doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), possibilidade de rejeição da medula nova e infecções fúngicas e virais graves”, afirma Brant.
Então, por que o TMO alogênico ainda é o mais indicado para a leucemia, apesar dos vários efeitos colaterais?
TMO alogênico para tratar leucemia
Segundo a hematologista, um dos motivos para o TMO alogênico ser utilizado na leucemia é a eficiência. “Como a leucemia nasce na própria medula óssea do paciente, substituí-la por uma medula saudável pode ser uma estratégia mais eficiente”, explica.
Uma outra razão é que as células de defesa do doador de medula óssea podem reconhecer as células cancerígenas remanescentes no paciente e matá-las. “Isso é chamado ‘efeito enxerto-contra-leucemia’ e ajuda a reduzir o risco de recaída”, comenta Brant. Segundo a hematologista, juntos, esses dois fatores aumentam a probabilidade da leucemia ser eliminada totalmente até mesmo nas pessoas com leucemias de alto risco.
Mesmo nos casos em que o paciente tem dificuldades para encontrar um doador de medula óssea compatível, os médicos não recorrem a um TMO autólogo. “Quando não há doador aparentado compatível, a busca costuma se expandir para doadores não aparentados nos bancos, transplante com familiar parcialmente compatível e sangue de cordão umbilical”, relata Brant.
A hematologista ressalta que, em alguns centros, o TMO autólogo para leucemias agudas pode ser considerado até mesmo obsoleto. “O transplante autólogo perdeu espaço porque não oferece o ‘reforço imunológico’ do doador, o que aumenta o risco de a doença voltar”, informa.
Quando o TMO autólogo é indicado para leucemia?
Brant frisa que a indicação do TMO autólogo para leucemia, atualmente, é muito restrita. Ele pode ser utilizado como tratamento para leucemias com certas mutações, como as agudas de risco citogenético intermediário com mutações genéticas específicas.
Esse transplante também é indicado para as pessoas com recaídas da Leucemia Promielocítica Aguda (LPA), segundo a hematologista.
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