skip to Main Content

Entenda as mudanças no cadastro para doador de medula óssea

Pessoa Segurando Um Tubo Para Exame De Tipagem HLA
Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Saiba quais são, porque aconteceram e se elas impactam nas chances de achar um doador compatível

Escrito por:

Natália Mancini

Em 2021, os requisitos para quem pode ser doador de medula óssea no Brasil foram alterados pelo Ministério da Saúde. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) divulgou que essas mudanças aconteceram para que os critérios brasileiros estejam de acordo com os internacionais e para beneficiar os pacientes que aguardam pelo transplante. Dentre as principais modificações estão a redução do limite de idade para novos cadastros e diminuição da quantidade de novos doadores que um estado pode incluir no banco em um ano. 

Em 16 de junho deste ano, o Ministério da Saúde editou a Portaria nº 685, que entrou em vigor no dia 18 do mesmo mês. Por meio dessa decisão, ficou definido que o limite de idade para o cadastro de novos doadores cai de 55 para 35 anos. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os demais critérios para quem pode doar medula óssea permanecem os mesmos. Sendo eles:

  • Ter boa saúde.
  • Não apresentar doenças infecciosas ou hematológicas.
  • Ter menos de 60 anos.

Ou seja, a pessoa deve se voluntariar com, no máximo, 35 anos, mas ficará no registro até os 60. Esse limite já existia anteriormente, sendo que após essa idade, o cadastro é excluído.

A Drª. Danielli Oliveira, coordenadora Técnica do Redome, explica que o Ministério da Saúde tem discutido a implementação dessas mudanças há três anos. 

“Elas vêm seguindo recomendações e critérios de registros internacionais. Então, essa mudança tenta trazer ao Redome os melhores e mais atualizados critérios no nível de cadastro e seleção de doadores”, ela diz.

Mudanças nos critérios para ser doador de medula óssea

É importante entender que essas alterações valem, somente, para novos cadastros, isto é, para pessoas que ainda não estavam no Redome. Pessoas que já haviam se voluntariado não entram nessas novas regras. 

  • Limite máximo de idade

Como falado anteriormente, a partir de junho de 2021 somente poderão se cadastrar pessoas com, no máximo, 35 anos. 

Esse critério vale para qualquer doador não aparentado. 

Por que esse requisito foi definido?

Placa Sinalizando Que São Proibidas Pessoas Com Mais De 35 Anos

A Drª. Danielli esclarece que, para esse critério, foi levado em consideração o fato de que, atualmente, 80% dos doadores têm até 40 anos. Além disso, também levou-se em conta evidências científicas que demonstram que o transplante de medula óssea tende a ter um melhor resultado quando o doador é mais jovem.

“Por isso, a média de idade dos doadores que realizam o procedimento é, de fato, de 32 anos. Assim, a chance de um doador cadastrado com 40 anos, por exemplo, ser selecionado, é muito menor em comparação com um mais jovem. Por esse motivo, registros no mundo todo tem como limite de idade entre 30 e 40 anos.”

  • Diminuição da cota de novos cadastros

A quantidade máxima de novos doadores que um estado pode cadastrar anualmente foi reduzida. No Espírito Santo, por exemplo, antes da mudança, o limite era de 12 mil novos cadastros, agora, essa cota é de 5 mil.

Lupa Separando Um Grupo De Pessoas Da População Restante

De acordo com a coordenadora técnica, a conta foi feita tendo como base  o percentual da população de cada estado já representado no Redome e o número de cadastrados nos últimos três anos.

“Nós entendemos que os estados que têm uma tradição de cadastro, que têm uma população maior, terão um número maior de novos doadores e, aqueles estados que têm uma atividade menor, terão um número menor”, ela informa.

 Em todo o Brasil, o limite ao longo do ano será de 145.632 novos doadores. É de responsabilidade do gestor de cada local distribuir a cota para os hemocentros e hemonúcleos responsáveis pelo cadastro.

Por que essa mudança aconteceu?

Segundo a porta-voz, os estudos e acompanhamentos dos dados do Redome demonstram que a entrada de novos doadores tem atuado mais no nível de reposição.

“Então, quando pensamos em termos de diversidade genética, os pacientes que necessitam de um TMO, se tiverem um doador, vão encontrar um doador já cadastrado. Os novos cadastrados entram para substituir os doadores que todo ano saem do registro, por questões de idade, saúde etc.”

  • Melhoria da tipagem histocompatibilidade (HLA)

A médica fala que, hoje em dia, a tipagem HLA realizada é parcial e de baixa resolução. Então, quando um potencial doador é identificado, tem-se apenas informações parciais sobre ele. Por isso, é preciso fazer outros testes para se certificar que a medula dessa pessoa é realmente compatível com o paciente. 

Por que isso foi feito?

Profissional Da Saúde Analisando O Sangue Para Tipagem Hla

Esses exames adicionais podem fazer com que o processo do transplante seja mais complexo e demorado. 

“A partir do momento que os doadores são cadastrados com uma tipagem mais completa, será possível saber, de início, se aquele doador realmente é compatível. Assim, aceleramos o processo de identificação e, consequentemente, do transplante”, pontua a doutora.

Leia também:

Como essas alterações dos doadores de medula óssea impactam os pacientes?

Conforme apontam dados do Redome, desde 2012, foram 2.356.352 novos cadastros de doadores e 2.984 de transplantes de medula óssea de doadores não-aparentados realizados em todo o Brasil. Os doadores cadastrados no banco nacional representaram cerca de 70% destes procedimentos.

Indivíduo Quem Pode Ser Doador De Medula óssea

A médica assegura que “pacientes que precisam de um doador não serão impactados. O fato de serem menos doadores e doadores mais jovens, ajuda no resultado do transplante e a tipagem melhor facilita o processo de identificação, agilizando a busca. ”

Ela complementa salientando que o Redome faz parte de uma rede internacional que contém 38 milhões de doadores. Então, caso não seja encontrado um doador compatível no Brasil, faz-se a procura nos registros internacionais. Sendo que, de acordo com a médica, o tempo da busca é o mesmo para doadores nacionais e internacionais – mais de 90% dos pacientes identificam um doador compatível e completam o processo de busca em até 90 dias.

“O número de transplantes continuará a ser uma variável da quantidade de pacientes que precisam e da capacidade dos nossos centros de transplante realizarem transplantes. O número de novos doadores, de maneira alguma, irá impactar nesse resultado”, a Drª. Danielli Oliveira finaliza.

Quem já está cadastrado no Redome, deve lembrar de manter o cadastro atualizado para que, caso haja um paciente compatível, seja possível entrar em contato com esse doador o mais rápido possível. A atualização dos dados deve ser feita neste site: http://redome.inca.gov.br/doador-atualize-seu-cadastro/.

Setembro – Mês de Conscientização sobre as Doenças do Sangue

Neste mês especial, a Abrale fará ações informativas em suas redes sociais, e também na Revista Abrale Online, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de conhecer os sintomas e de realizar o diagnóstico precoce, além de homenagear os pacientes de cada uma destas patologias.

Em 18/09/2021 é celebrado o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea. O objetivo dessa data é conscientizar a importância de ser um doador. 

Para mais informações sobre a campanha, acompanhe as nossas comunicações no:


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Receba um aviso sobre comentários nessa notícia
Me avise quando
8 Comentários
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments

Com 56 de idade, eu tive a felicidade de doar minha medula para meu irmão, o procedimento aconteceu no início de agosto de 2021. A compatibilidade foi de 100%, já aconteceu a pega e a recuperação dele está evoluindo !!!

Se já é difícil de encontrar uma pessoa com compatibilidade, imagine agora com a redução da idade, haja vista a diminuição do numero de doações. Não consigo entender essas mudanças… Mesmo que tenha um pouco mais de risco, ainda acredito que se o paciente tem alguma chance e melhor do que não ter nenhuma.

Olá! Primeiramente eu gostaria de ter acesso aos dados que justificaram esta mudança de idade pra poder argumentar melhor. Porém, inicialmente diminuir a idade é sim diminuir as chances de quem necessita de uma doação, pois um doador de qualquer idade pode vir a ser compatível e somente o exame pra identificar. Com relação as “evidências científicas que demonstram que o transplante de medula óssea tende a ter um melhor resultado quando o doador é mais jovem” não justifica impedir o paciente de lutar por sua vida e fazer um transplante fora desta faixa etária como o próprio lema da Abrale diz 100% de esforço onde houver 1%de chance. A impressão que fica é que esta mudança é pra diminuir o custo e as despesas do Redome.

Confesso que fiquei surpreso com a notícia, a alguns meses já vinha pensando em me tornar um doador, hoje, ao buscar mais informações sobre o tema descobri essa matéria informando do novo limite de idade para se tornar um doador, o que me impede, com 37 anos, de entrar no banco de dados de doadores.
Busquei outras matérias sobre o tema e, sendo uma determinação, não há muito o que fazer, mas de fato julgo importante que haja mais divulgações sobre o tema.

Escrito por:

Natália Mancini

Back To Top